Alcolumbre pressiona por cassação da Isolux após apagão no Amapá

Aproximadamente 90% da população do Amapá ficou sem acesso a energia elétrica durante uma semana, afetando serviços essenciais e atividades econômicas.
Uma semana sem luz em 90% de um estado não se resolve por telefone
Alcolumbre viajou pessoalmente a Brasília para pressionar o presidente sobre a cassação da Isolux.

No coração da Amazônia, uma explosão em uma subestação elétrica mergulhou 90% do Amapá na escuridão por uma semana inteira, revelando a fragilidade das infraestruturas que sustentam a vida moderna em regiões remotas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, viajou a Brasília para pressionar pela cassação da concessão da empresa responsável, enquanto o governo federal buscava equilibrar a urgência da reparação com a prudência da apuração. O episódio transcende o acidente técnico: torna-se espelho de tensões mais profundas sobre quem deve guardar os bens essenciais de um povo.

  • Uma explosão destruiu a subestação da Isolux e deixou quase todo o Amapá sem luz por dias, paralisando hospitais, comércio e a vida cotidiana de centenas de milhares de pessoas.
  • A Justiça Federal impôs um ultimato à empresa: restabelecer a energia em três dias ou pagar uma multa de R$ 15 milhões, enquanto o governo prometia normalização sem conseguir fixar uma data concreta.
  • Alcolumbre foi pessoalmente a Bolsonaro exigir a cassação imediata da concessão da Isolux e a transferência da subestação para a Eletronorte, recusando qualquer espera por investigações.
  • O ministro Bento Albuquerque freou o ímpeto punitivo, defendendo que um relatório técnico — com prazo de até 30 dias — deveria preceder qualquer responsabilização formal.
  • Sob a crise técnica fervilhava uma disputa política: o irmão de Alcolumbre liderava pesquisas para prefeito de Macapá e temia o impacto eleitoral do apagão, enquanto a tragédia revigorava o argumento contra a privatização da Eletrobras.

Uma semana depois da explosão que apagou 90% do Amapá, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, voou a Brasília para se reunir com Jair Bolsonaro e exigir a cassação da concessão da Isolux — a empresa cuja subestação pegou fogo e mergulhou o estado inteiro na escuridão. O incidente havia interrompido hospitais, comércio e a rotina de toda uma população, sem que houvesse previsão clara de retorno à normalidade.

O governo trabalhava numa retomada gradual, mas os apagões persistiam. A Justiça Federal havia intervindo no sábado anterior, ordenando o restabelecimento total da energia em três dias, sob pena de multa de R$ 15 milhões à Isolux. A pressão legal somava-se à pressão política.

Alcolumbre queria mais do que investigação: exigia que a Aneel cassasse a concessão e que a Eletronorte assumisse o controle da subestação. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, também se reuniu com Bolsonaro naquele dia, mas com uma mensagem distinta — antes de punir, era preciso apurar. A hipótese de um raio atingindo um transformador circulava como explicação inicial, mas o Relatório de Análise de Perturbação levaria até 30 dias para apontar a causa exata e embasar qualquer responsabilização formal.

A crise carregava camadas além do técnico. Alcolumbre não descartava sabotagem, acusação grave e sem evidências. Seu irmão, Josiel Alcolumbre, liderava as pesquisas para prefeito de Macapá e temia que o apagão contaminasse sua campanha na reta final. E havia ainda o debate estrutural: Alcolumbre já se opunha à privatização da Eletrobras, e a explosão da subestação tornava-se argumento vivo contra a entrega de empresas de energia ao setor privado. A proposta de privatização, paralisada na Câmara desde novembro de 2019, ficou ainda mais distante de avançar. O apagão havia se convertido em munição numa disputa maior sobre o futuro energético do Brasil.

Uma semana após a explosão que apagou 90% do Amapá, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, viajou a Brasília para encontrar o presidente Jair Bolsonaro e pressionar pela cassação da concessão da Isolux, a empresa responsável pela subestação que pegou fogo na terça-feira anterior. O incidente deixou o estado inteiro às escuras, interrompendo tudo — desde hospitais até o comércio — e criou uma crise que se desdobrava enquanto autoridades discutiam culpa e reparação.

O governo federal trabalhava na retomada gradual da energia, mas os apagões continuavam. Não havia data certa para o retorno à normalidade, apenas a promessa de que tudo estaria resolvido até o final daquela semana. A Justiça Federal havia intervindo no sábado anterior, determinando que a eletricidade fosse totalmente restabelecida em três dias — caso contrário, a Isolux pagaria uma multa de R$ 15 milhões. Era uma pressão legal sobre uma empresa que já enfrentava acusações de negligência.

Alcolumbre não pedia apenas investigação. Queria que a Aneel cassasse a concessão da Isolux e que a Eletronorte assumisse o controle da subestação. Era uma posição clara: a empresa havia falhado e não merecia continuar operando. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, porém, adotava uma abordagem mais cautelosa. Ele também se reuniu com Bolsonaro naquele dia para atualizar a situação, mas sua mensagem era diferente. Antes de punir, era preciso apurar. Antes de responsabilizar, era preciso saber exatamente o que havia acontecido.

A hipótese inicial apontava para um raio. Segundo Bento, um raio poderia ter atingido um transformador, causando a explosão. Mas essa era apenas uma teoria. O Relatório de Análise de Perturbação — um documento técnico que rotineiramente investiga esses incidentes — levaria até 30 dias para ser concluído e apontar a causa exata. Somente depois disso, dentro dos trâmites legais e das regulações do Operador Nacional do Sistema e da Aneel, seria possível determinar responsabilidades e aplicar punições.

Há, porém, uma camada política sob essa crise técnica. Alcolumbre não descartava a possibilidade de sabotagem — uma acusação grave que pairava sem evidências. E havia algo mais: seu irmão, Josiel Alcolumbre, liderava as pesquisas para prefeito de Macapá e temia que o apagão prejudicasse sua campanha na reta final. O incidente ocorria num momento delicado, quando a política local se entrelaçava com a crise de infraestrutura.

O apagão também ressuscitava uma batalha maior. Alcolumbre já se opunha à privatização da Eletrobras, e a crise no Amapá só reforçava seu argumento contra a entrega de empresas de energia ao setor privado. Uma proposta de privatização da Eletrobras estava paralisada na Câmara dos Deputados desde novembro de 2019, aguardando despacho do presidente da Casa. Com a explosão da subestação e o caos que se seguiu, a perspectiva de que essa proposta avançasse ficou ainda mais distante. A crise havia se tornado munição política em uma disputa maior sobre o futuro do setor energético brasileiro.

É preciso primeiro apurar as causas do incêndio e depois as responsabilidades, cumprindo os trâmites legais e regulamentações
— Ministro Bento Albuquerque
Um raio pode ter atingido transformador que pode ter explodido, mas temos que aguardar o Relatório de Análise de Perturbação
— Ministro Bento Albuquerque
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Alcolumbre viajou pessoalmente a Brasília em vez de apenas fazer uma ligação?

Model

Porque uma semana sem luz em 90% de um estado não é um problema que se resolve por telefone. Era preciso estar lá, na frente do presidente, tornando a pressão real e visível.

Inventor

O ministro Bento Albuquerque parecia estar defendendo a Isolux?

Model

Não exatamente. Ele estava sendo cuidadoso. Há uma diferença entre defender uma empresa e insistir que as acusações sejam baseadas em fatos apurados, não em raiva do momento.

Inventor

Então por que Alcolumbre não esperava pelos resultados da investigação?

Model

Porque quando 90% de um estado fica sem energia, as pessoas não querem esperar 30 dias por um relatório. Querem saber agora quem é responsável e querem que algo seja feito.

Inventor

A menção à sabotagem muda tudo, não é?

Model

Muda completamente. Se foi sabotagem, não é negligência — é crime. Mas sem provas, é apenas uma suspeita que flutua no ar, alimentando desconfiança.

Inventor

E o irmão dele concorrendo a prefeito — isso não parecia um conflito de interesse?

Model

Parecia, sim. Um apagão que prejudica a campanha do seu irmão é exatamente o tipo de coisa que faz as pessoas questionarem se a raiva é política ou legítima.

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