Em março de 2021, enquanto o Brasil ainda distribuía vacinas em conta-gotas, a Advocacia-Geral da União levou ao Supremo Tribunal Federal uma questão que vai além da logística sanitária: quem, entre os que servem à sociedade em condições de risco, merece proteção prioritária? Ao pedir que policiais e agentes de segurança fossem equiparados aos profissionais de saúde na fila da imunização, a AGU transformou uma decisão administrativa em um debate sobre o valor que o Estado atribui a diferentes formas de serviço essencial.
AGU pede ao STF prioridade na vacinação para forças policiais
Policiais atuam na linha de frente, como profissionais de saúde
Por que a AGU decidiu entrar nessa discussão em março de 2021? Havia pressão dos governadores?
Os governadores já tinham enviado ofícios ao Ministério da Justiça e da Saúde. A AGU estava formalizando isso no Supremo, onde a questão já estava sendo discutida na ADPF 754.
Mas qual era o status da vacinação naquele momento? Quantas doses havia disponível? Sem isso, fica difícil entender se era uma demanda legítima ou uma disputa por recursos escassos.
O argumento da AGU era que policiais trabalham na linha de frente, certo?
Exatamente. Assim como profissionais de saúde, eles têm contato constante com pessoas e não conseguem se isolar. A lógica era que o critério deveria ser o mesmo.
A fonte diz que a AGU pediu prioridade "paritária" com profissionais de saúde ou, alternativamente, com presos e funcionários de presídios. Essas são duas coisas muito diferentes. Qual era a posição real da AGU?
Governadores apoiavam isso?
Sim, vários governadores enviaram ofícios defendendo a vacinação prioritária de policiais. A AGU anexou esses documentos ao pedido.
Mas quantos governadores? De quais estados? A fonte não especifica. Isso importa para saber se era um consenso ou uma minoria.
E o ministro Lewandowski, como reagiu?
A fonte não diz. Apenas registra que o pedido foi apresentado a ele, que era o relator da ADPF 754.
Exatamente. Não sabemos o resultado. Não sabemos se foi deferido, negado ou se ainda estava pendente quando essa notícia foi publicada.
El Pulso
- Com vacinas escassas e a pandemia em expansão, cada grupo adicionado à lista prioritária significava, na prática, atraso para todos os demais — criando uma disputa silenciosa por reconhecimento e sobrevivência.
- A AGU argumentou que policiais enfrentam aglomerações diárias e contato constante com o público, condições de exposição comparáveis às dos profissionais de saúde que já estavam no topo da fila.
- Governadores de múltiplos estados formalizaram apoio ao pedido por meio de ofícios ao Ministério da Justiça e da Saúde, conferindo peso político e federativo à demanda.
- A AGU apresentou duas alternativas ao ministro Lewandowski: equiparar os agentes de segurança aos profissionais de saúde ou, ao menos, vaciná-los junto com a população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional.
- O pedido foi inserido na ADPF 754, ação já em curso no STF sobre a política federal de vacinação, e pode resultar em decisão vinculante que redefina as prioridades do Plano Nacional de Imunização.
Em março de 2021, enquanto o Brasil ainda distribuía vacinas em conta-gotas, a Advocacia-Geral da União levou ao Supremo Tribunal Federal uma questão que vai além da logística sanitária: quem, entre os que servem à sociedade em condições de risco, merece proteção prioritária? Ao pedir que policiais e agentes de segurança fossem equiparados aos profissionais de saúde na fila da imunização, a AGU transformou uma decisão administrativa em um debate sobre o valor que o Estado atribui a diferentes formas de serviço essencial.
Em março de 2021, quando a vacinação contra a Covid-19 avançava lentamente no Brasil, a Advocacia-Geral da União apresentou ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, um pedido para que agentes de segurança fossem incluídos no grupo prioritário de imunização. O advogado-geral José Levi Mello do Amaral Júnior fundamentou a solicitação em ofícios enviados por governadores ao Ministério da Justiça e da Saúde, documentos que defendiam a vacinação urgente de policiais e outros profissionais de segurança.
O argumento central era de simetria: assim como médicos e enfermeiros foram priorizados por sua exposição diária ao vírus e seu papel essencial, policiais também atuam na linha de frente, enfrentam aglomerações e não têm a opção de se isolar. Se o critério era o risco e a essencialidade, por que não aplicá-lo igualmente às forças de segurança?
A AGU apresentou duas alternativas ao tribunal: que os agentes recebessem prioridade equivalente à dos profissionais de saúde ou, subsidiariamente, que fossem vacinados na mesma fase que a população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional — em ambos os casos, à frente de grupos que ainda não tinham previsão de receber doses.
O pedido foi incorporado à ADPF 754, ação já em andamento no STF que discutia a política federal de vacinação. Ao adicionar seu peso institucional ao debate e trazer os ofícios dos governadores como evidência de demanda multifederativa, a AGU transformou o que poderia ser uma disputa burocrática em uma questão de princípio: em tempos de escassez, quem o Estado decide proteger primeiro revela muito sobre os valores que o orientam.
Em março de 2021, quando a campanha de vacinação contra a Covid-19 ainda engatinhava no Brasil, a Advocacia-Geral da União apresentou um pedido ao Supremo Tribunal Federal argumentando que agentes de segurança do país mereciam entrar no grupo prioritário de imunização. O pedido foi dirigido ao ministro Ricardo Lewandowski, que já conduzia uma ação sobre a atuação do governo federal na vacinação.
A AGU, representada pelo advogado-geral José Levi Mello do Amaral Júnior, fundamentou sua solicitação em ofícios que governadores haviam enviado ao Ministério da Justiça e da Saúde. Esses documentos defendiam a mesma causa: que policiais e outros profissionais de segurança fossem vacinados com urgência, assim como os profissionais de saúde que já estavam no topo da fila.
O argumento central era direto. Policiais, assim como médicos e enfermeiros, atuam na linha de frente do atendimento à sociedade. Estão expostos diariamente ao contato com pessoas, enfrentam aglomerações, trabalham sem poder se isolar. Se o critério para priorizar profissionais de saúde era sua exposição ao vírus e seu papel essencial, por que não aplicar o mesmo raciocínio aos agentes de segurança?
A AGU pediu que Lewandowski determinasse uma de duas coisas: ou que policiais recebessem prioridade equivalente à dos profissionais de saúde, ou, em um segundo cenário, que fossem vacinados na mesma ordem que a população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional. Ambas as opções colocavam os agentes de segurança à frente de grupos que ainda não tinham data para começar a receber doses.
O pedido foi apresentado dentro da ADPF 754, uma ação que já estava em andamento no Supremo e que discutia amplamente a política federal de vacinação. A questão, portanto, não era nova nas cortes — já havia sido judicializada por outros atores. O que a AGU fazia era adicionar seu peso institucional a um debate que já ocupava a atenção dos ministros, trazendo junto os ofícios dos governadores como evidência de que a demanda vinha de múltiplas esferas do poder público.
Em um contexto de escassez de vacinas, onde cada grupo adicionado à lista prioritária significava atraso para outros, o pedido da AGU representava uma disputa por recursos e reconhecimento. Não era apenas uma questão sanitária, mas também política e administrativa — quem merecia ser vacinado primeiro, e com base em que critério.
Citas Notables
Policiais e agentes de segurança atuam na linha de frente do atendimento à sociedade e merecem prioridade vacinal equivalente à de profissionais de saúde— Argumento apresentado pela AGU ao STF