AGU inverteu posição anterior e agora sustenta que legislação sobre bets viola Constituição após período de observação. Governo editou medida provisória proibindo apostas de quota fixa; indicadores mostram persistência e agravamento de danos sociais.
AGU muda posição e pede ao STF que declare inconstitucional marco legal das bets
Os danos persistem e pioram, não melhoram com as regras
Por que a AGU mudou de ideia tão drasticamente? Alguns meses atrás ela dizia que a lei era constitucional.
Porque o tempo passou e os números não melhoraram. A AGU esperava que a regulamentação conseguisse conter os danos, mas os indicadores mostram que os problemas pioraram, não melhoraram.
Mas quais indicadores exatamente? A manifestação diz "indicadores disponíveis" mas não especifica quais são. Sabemos que houve aumento de reclamações, aumento de endividamento?
A manifestação menciona danos à saúde pública, às crianças, aos adolescentes e às famílias de baixa renda. Mas você está certo — não há números concretos listados.
E o governo já tinha editado a medida provisória antes da AGU mudar de posição, ou foi depois?
A medida provisória saiu uma semana antes. Então a AGU viu o governo agir e depois apresentou seu parecer pedindo que o STF valide essa ação.
Isso levanta uma questão: a AGU está mudando de posição porque realmente acredita que a lei é inconstitucional, ou está alinhando seu parecer com a decisão política que o governo já tomou?
É difícil separar as duas coisas. O que sabemos é que a AGU reconhece que as medidas regulatórias desde 2024 ajudaram a reduzir alguns riscos, mas não foram suficientes.
Então a AGU não está pedindo que se derrube toda a regulamentação, apenas o núcleo das leis originais?
Exatamente. Está pedindo que o STF declare inconstitucional o núcleo jurídico que permite a exploração das apostas de quota fixa.
E as entidades do setor já estão no STF pedindo que a medida provisória seja suspensa. Então o tribunal vai ter que decidir sobre duas coisas ao mesmo tempo: se as leis antigas são constitucionais e se a nova proibição é válida.
Sim. E o ministro Fux deu 72 horas para a AGU se manifestar sobre essas novas ações. A decisão pode vir em breve.
Der Puls
- AGU pediu ao STF que declare inconstitucional o marco legal das bets após mudança de posição
- Governo editou medida provisória proibindo apostas de quota fixa uma semana antes do parecer da AGU
- Leis de 2018 e 2023 instituíram e regulamentaram as apostas; AGU pede que núcleo jurídico seja derrubado
- Ministro Luiz Fux deu 72 horas para AGU se manifestar sobre ações do setor contra a medida provisória
AGU inverteu posição anterior e agora sustenta que legislação sobre bets viola Constituição após período de observação. Governo editou medida provisória proibindo apostas de quota fixa; indicadores mostram persistência e agravamento de danos sociais.
A Advocacia-Geral da União pediu ao STF que declare inconstitucional o marco legal das apostas on-line, argumentando que as medidas de proteção foram insuficientes para reduzir danos.
A Advocacia-Geral da União fez uma reviravolta nesta sexta-feira. Depois de defender a constitucionalidade das leis que permitiram as apostas on-line no Brasil, o órgão pediu ao Supremo Tribunal Federal que declare inconstitucional o núcleo jurídico dessas mesmas leis. O pedido, apresentado ao ministro Luiz Fux, marca uma mudança radical de posição e chega uma semana após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva editar uma medida provisória que proibiu a exploração, oferta e publicidade das apostas de quota fixa em todo o país.
Em uma manifestação anterior, a AGU havia argumentado que a legislação era "ainda constitucional, sujeita a processo de progressiva inconstitucionalização". Na ocasião, sustentava que a regulamentação era recente demais e que seus efeitos precisavam ser monitorados antes de qualquer conclusão definitiva. Agora o órgão afirma que esse período de observação já transcorreu. Os dados disponíveis, segundo a AGU, mostram não uma melhora, mas a "persistência e agravamento dos danos" que as regras deveriam evitar.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, assina o documento que questiona as leis de 2018 e 2023 que instituíram e regulamentaram as apostas de quota fixa. A AGU reconhece que as medidas adotadas pelo Executivo desde 2024 conseguiram reduzir alguns riscos, mas sustenta que essas ações normativas não foram suficientes para harmonizar a legislação com os parâmetros constitucionais. "Os atos normativos editados pelo Poder Executivo para tentar conter alguns dos riscos da atividade — embora tenham sido relevantes para mitigar a nocividade das bets — não se mostraram suficientes", afirma a manifestação.
A avaliação da AGU identifica uma "grave insuficiência protetiva" da legislação, com consequências que atingem múltiplos setores da sociedade. O órgão aponta danos à saúde pública, aos consumidores em geral, às crianças e adolescentes, às famílias de baixa renda e à ordem econômica. O objetivo do pedido é garantir a validade da medida provisória que proibiu as apostas on-line, derrubando os dispositivos que formam o fundamento jurídico para a exploração dessa modalidade de aposta.
O caso agora segue em duas frentes no Supremo. Na ação que questiona as leis originais de 2018 e 2023, a AGU apresentou sua nova manifestação. Em paralelo, o ministro Luiz Fux deu prazo de 72 horas para que a AGU se manifeste em outras ações que já discutiam o marco legal das bets. Entidades do setor levaram a nova medida provisória aos autos e pediram ao Supremo que suspenda seus efeitos. Fux é relator tanto das ações originais quanto das novas ações apresentadas contra a medida provisória, distribuídas a ele por prevenção. A decisão do tribunal sobre a constitucionalidade da legislação e a validade da proibição das apostas on-line deve determinar o futuro do mercado de bets no Brasil.
Bemerkenswerte Zitate
Os atos normativos editados pelo Poder Executivo para tentar conter alguns dos riscos da atividade — embora tenham sido relevantes para mitigar a nocividade das bets — não se mostraram suficientes para harmonizar a legislação atacada com os parâmetros da Constituição— Manifestação da AGU ao STF, assinada pelo advogado-geral Jorge Messias