Em meio a um processo de cassação marcado para esta quarta-feira, o mandato da deputada Carla Zambelli — presa em Roma desde julho após condenação a dez anos de prisão — tornou-se objeto de disputa entre parlamentares antes mesmo de qualquer decisão formal. A denúncia feita por seu advogado revela como o poder, mesmo quando ainda formalmente ocupado, pode despertar apetites que antecipam o vazio. É um retrato antigo da política: enquanto o titular aguarda seu destino em terra estrangeira, outros já medem o espaço que ele deixará.
Advogado de Zambelli denuncia deputado tentando tomar seu lugar na cassação
Se ela for cassada, ele fica no cargo de forma permanente
Por que um deputado estaria mandando mensagens pedindo votos para cassação de outro?
Porque enquanto Zambelli está presa em Roma, alguém está ocupando o lugar dela. Se ela for cassada, quem está no cargo pode ficar de forma permanente.
Mas espera — Barroso já é deputado eleito? Ou ele só está substituindo?
Ele está substituindo. Zambelli se licenciou por 120 dias, e ele está no lugar dela. Se ela for cassada, ele fica.
E o relatório da comissão disse o quê?
O relator, Diego Garcia, disse que não há provas para cassação. Mas isso não significa que a votação vai acompanhar o parecer.
Então temos um deputado enviando mensagens dizendo que quer ficar no cargo se a colega for cassada. Isso é confirmado?
Uma fonte próxima à liderança do PL confirmou à Gazeta do Povo que as mensagens foram enviadas. O portal Metrópoles publicou o conteúdo delas.
Qual é o argumento de Barroso nas mensagens?
Ele diz que cada dia que a votação atrasa, o PL fica com um deputado a menos. Que ele já está como deputado, mas gostaria de estar como definitivo.
Isso é uma confissão ou uma justificativa?
É ambas as coisas. Ele está explicando por que quer que a votação aconteça rápido.
E Zambelli, onde está?
Presa em Roma desde julho. Condenada a dez anos por supostamente financiar invasão de sistemas do CNJ. Aguarda decisão sobre extradição.
Então ela não pode nem se defender no Brasil enquanto isso tudo acontece?
Não. Seu advogado está falando por ela. E há quem esteja tentando tomar seu lugar enquanto ela não está aqui.
Le Pouls
- O advogado de Zambelli divulgou um vídeo acusando um deputado de articular votos pela cassação em troca de assumir o mandato — uma negociação que mistura interesse pessoal com decisão institucional.
- Mensagens atribuídas ao deputado Adilson Barroso (PL-SP) sugerem que ele esperava 'assumir de vez' o cargo caso a votação ocorresse rapidamente, o que uma fonte próxima à liderança do PL confirmou à Gazeta do Povo.
- O relator do caso na CCJ, Diego Garcia, posicionou-se contra a cassação por falta de provas, mas a pauta foi acelerada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, indicando que o placar pode não seguir o parecer técnico.
- Zambelli permanece detida em Roma, aguardando que a Justiça italiana decida sobre sua extradição — decisão que depende de informações ainda não enviadas pelo ministro Alexandre de Moraes.
- Outros mandatos do PL, incluindo os de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, também estão na fila de votação, ampliando o peso político da sessão desta quarta-feira.
Em meio a um processo de cassação marcado para esta quarta-feira, o mandato da deputada Carla Zambelli — presa em Roma desde julho após condenação a dez anos de prisão — tornou-se objeto de disputa entre parlamentares antes mesmo de qualquer decisão formal. A denúncia feita por seu advogado revela como o poder, mesmo quando ainda formalmente ocupado, pode despertar apetites que antecipam o vazio. É um retrato antigo da política: enquanto o titular aguarda seu destino em terra estrangeira, outros já medem o espaço que ele deixará.
O advogado Fábio Pagnozzi divulgou um vídeo na terça-feira acusando um parlamentar de negociar votos pela cassação de Carla Zambelli em troca de assumir seu mandato. Sem nomear o deputado, Pagnozzi afirmou que alguém estava enviando mensagens a colegas de centro e direita pedindo que votassem pela cassação. O portal Metrópoles publicou mensagens atribuídas ao deputado Adilson Barroso (PL-SP), nas quais ele sugere que, se a votação ocorrer logo, conseguirá 'assumir de vez' e o partido terá 'mais um voto'. Uma fonte próxima à liderança do PL na Câmara confirmou que as mensagens foram enviadas.
O caso ganha contornos ainda mais delicados porque Barroso já ocupa o cargo interinamente, desde que Zambelli se licenciou por 120 dias. O deputado Coronel Tadeu, que também já substituiu a parlamentar nesse período, declarou ter achado 'extremamente desconfortável' a posição temporária e defendeu que quem foi eleito deve permanecer no mandato, pedindo aos colegas que votem contra a cassação.
O relator do processo na CCJ, Diego Garcia, posicionou-se contra a cassação por considerar insuficientes as provas apresentadas. Pagnozzi usou o parecer para questionar o processo como um todo. Ainda assim, o presidente da Câmara, Hugo Motta, acelerou a pauta, e ao menos um deputado já comentava nos bastidores que a cassação seria aprovada. Na mesma sessão, estão previstas as votações sobre os mandatos de Glauber Braga, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem.
Zambelli está presa em Roma desde julho, quando deixou o Brasil após ser condenada a dez anos de prisão por supostamente financiar a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. A Justiça italiana aguarda informações do ministro Alexandre de Moraes antes de decidir sobre a extradição. Enquanto isso, em Brasília, seu mandato segue sob pressão — e há quem já esteja contando os dias para ocupar seu lugar.
O advogado Fábio Pagnozzi, que defende a deputada federal Carla Zambelli, divulgou um vídeo na terça-feira acusando um colega parlamentar de estar negociando votos para sua cassação em troca de assumir seu mandato. Embora não tenha identificado o deputado pelo nome, Pagnozzi foi direto: há alguém "mandando mensagens para deputados de centro, de direita, para que cassem a deputada Carla Zambelli." O portal Metrópoles posteriormente publicou mensagens atribuídas ao deputado federal Adilson Barroso, do PL de São Paulo, nas quais ele sugere que se a votação de cassação ocorrer rapidamente, conseguirá "assumir de vez" e o partido terá "mais um voto". Uma fonte próxima à liderança do PL na Câmara confirmou à Gazeta do Povo que as mensagens foram de fato enviadas.
O cenário é particularmente delicado porque Barroso já está atuando como deputado — ele substituiu Zambelli quando ela se licenciou por 120 dias. Coronel Tadeu, outro parlamentar que já ocupou o lugar dela durante esse período, declarou que achou "extremamente desconfortável" estar no cargo de forma temporária e defendeu que o correto é que quem foi eleito permaneça no mandato. Ele pediu aos colegas que votem contra a cassação.
A votação estava marcada para quarta-feira, em uma pauta que também incluiria a cassação do deputado Glauber Braga, do PSOL do Rio de Janeiro. Antes disso, porém, o relatório sobre Zambelli precisava ser votado na Comissão de Constituição e Justiça. O relator, Diego Garcia do Republicanos, se posicionou contra a cassação, argumentando que não há provas suficientes. Pagnozzi aproveitou esse parecer para questionar o processo: "Se minha cliente pode ter seu mandato cassado sem prova alguma, como demonstrou o relatório corretamente redigido por Diego Garcia, qualquer um pode ter o mesmo fim."
O presidente da Câmara, Hugo Motta, acelerou a pauta para votação. Um deputado chegou a comentar com um colega que a cassação seria aprovada e que "se ela for renunciar, é amanhã." Também estão na fila para votação as perdas de mandato de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, ambos do PL.
Zambelli está presa em Roma desde julho. Ela deixou o Brasil após ser condenada a dez anos de prisão por supostamente financiar a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. A Justiça italiana aguarda mais informações do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, antes de decidir sobre sua extradição. Enquanto isso, em Brasília, seu mandato segue sob pressão — e há quem esteja contando os dias para ocupar seu lugar.
Citations marquantes
Se essa representação for votada e encerrada logo, eu consigo assumir de vez, e o PL garante mais um voto— Mensagem atribuída a Adilson Barroso (PL-SP)
Assumi no dia 16 de junho no lugar dela, durante o período da licença que tirou de 120 dias e já achei extremamente desconfortável. Correto é o cara ser eleito, como ela foi— Coronel Tadeu (PL-SP)