Advogada abandona defesa de João Munhoz após divergências estratégicas

Uma jovem universitária morreu em circunstâncias que permanecem sob investigação, com divergências sobre se foi suicídio ou envolvimento de terceiros.
Se existir responsabilidade penal, ela deve ser apurada
Gleicy Kelly explica por que não consegue trabalhar com a estratégia de negação total de sua colega.
Mark

Por que uma advogada sairia de um caso tão sensível no meio do processo? Não é raro?

Mimi

É raro, sim. Gleicy Kelly saiu porque sua colega Lígia Peixe estava negando publicamente qualquer envolvimento de João nos fatos — chamou de suicídio — e Gleicy não conseguia trabalhar com essa linha.

Luke

Mas espera. Gleicy assinou contrato presencialmente com João. Ela só percebeu o problema depois? Como não conversaram antes?

Mimi

Boa pergunta. Parece que Gleicy só "conheceu melhor a condução da defesa" depois de assinar. Talvez não tivesse clareza sobre como Lígia estava atuando publicamente.

Mark

E o que João disse a ela? Ele confirmou a versão de suicídio ou negou?

Mimi

Ele disse que não esperava que Isabelle subisse à cobertura. Segundo ele, ela tinha o hábito de fazer isso e havia prometido fazer um bolo para ele.

Luke

Então ele não está negando que ela subiu. Ele está dizendo que não esperava. Isso é bem diferente de "suicídio" ou "ele não tem nada a ver com isso".

Mimi

Exatamente. E é por isso que Gleicy não conseguia trabalhar com a narrativa de Lígia. Ela acreditava que as provas precisavam falar, não que a defesa deveria negar tudo.

Mark

Gleicy está dizendo que se houver responsabilidade penal, ela deve ser apurada. Isso não é estranho para uma advogada de defesa?

Luke

Não é estranho se você acredita que a verdade é mais importante que a negação automática. Mas é uma posição rara. Muitos advogados de defesa trabalham com a presunção de inocência de forma mais agressiva.

Mimi

Gleicy está separando duas coisas: presunção de inocência, que é um direito, e a construção de uma defesa baseada em negação pura. Ela quer que as provas falem.

Mark

Então agora João fica sem advogada?

Luke

Ele ainda tem Lígia Peixe. Mas sim, perdeu uma segunda opinião. E isso importa quando as duas visões são tão diferentes.

  • A declaração pública de Lígia Peixe — de que a morte de Isabelle foi 'suicídio' e que João 'não tem nada a ver com isso' — gerou comoção e forçou um pedido de desculpas à família, mas o dano estratégico já estava feito.
  • Dentro da cela onde divide espaço com outros três internos, João Munhoz chorou durante o atendimento e apresentou uma versão dos fatos que contradiz a narrativa pública de sua própria advogada.
  • Gleicy Kelly saiu do presídio na terça-feira sabendo que não retornaria: a incompatibilidade entre as duas linhas defensivas era, para ela, uma questão de princípios, não de preferência.
  • Em nota oficial, Gleicy afirmou que não construiria uma defesa baseada em simples negação — 'se existir responsabilidade penal, ela deve ser apurada' — sinalizando uma ruptura ética rara no meio jurídico.
  • João Munhoz enfrenta agora uma investigação criminal com uma defesa fragmentada, dividida entre duas visões radicalmente opostas sobre como conduzir o caso.

Quando duas advogadas não conseguem concordar sobre o que significa defender alguém, a ruptura revela algo mais profundo do que uma disputa profissional. Gleicy Kelly retirou-se da defesa de João Munhoz Neto — investigado pela morte da universitária Isabelle — após constatar que a estratégia de sua colega Lígia Peixe, centrada na negação de qualquer envolvimento, contrariava seus princípios éticos fundamentais. O caso, que já carrega o peso de uma vida perdida em circunstâncias contestadas, agora expõe também a tensão entre duas filosofias opostas sobre o papel da defesa criminal: a que protege a qualquer custo e a que acredita que a verdade, mesmo inconveniente, deve ser buscada.

Na terça-feira, a advogada Gleicy Kelly visitou João Munhoz Neto na Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica. Durante o encontro, o investigado pela morte da universitária Isabelle chorou várias vezes e apresentou sua versão dos acontecimentos: disse que Isabelle tinha o hábito de subir à cobertura do prédio e que, ao ser confrontado sobre o episódio fatal, respondeu que 'não esperava que ela fosse fazer isso'. Quando Gleicy saiu daquele presídio, já sabia que não voltaria.

A decisão nasceu de um choque irreconciliável com a estratégia que sua colega Lígia Peixe vinha desenvolvendo. Na semana anterior, Lígia havia declarado publicamente tratar-se de um 'suicídio' e questionado o envolvimento de João, gerando comoção e forçando um pedido de desculpas à família de Isabelle. Para Gleicy, essa abordagem — centrada na negação pura — era o oposto do que ela entendia como defesa adequada.

Em nota enviada a O POVO, Gleicy foi direta: não poderia trabalhar sem unidade de estratégia e não estava disposta a construir uma defesa baseada simplesmente em negar os fatos. 'Se existir responsabilidade penal, ela deve ser apurada', afirmou, defendendo que as provas precisam falar e que a investigação deve seguir seu curso sem que a comoção determine a culpa.

O racha exposto pela saída de Gleicy vai além de uma divergência tática. É uma divisão sobre o próprio propósito da defesa criminal — entre proteger o cliente a qualquer custo e buscar a verdade, seja ela qual for. João Munhoz, que já enfrenta uma investigação sobre a morte de Isabelle, vê agora sua defesa fragmentada no momento em que mais precisaria de coesão.

A advogada Gleicy Kelly entrou na Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica na terça-feira para atender seu cliente, João Munhoz Neto, investigado pela morte da universitária Isabelle. Durante o encontro na cela comum onde ele divide espaço com três outros internos, João chorou várias vezes e demonstrou abalo emocional. Mas quando Gleicy saiu daquele presídio, ela sabia que não voltaria ao caso.

A decisão de abandonar a defesa veio de um choque fundamental sobre como o caso deveria ser conduzido. Gleicy havia assinado contrato com João presencialmente, mas após conhecer melhor a estratégia que sua colega Lígia Peixe já estava desenvolvendo, percebeu que os dois caminhos eram incompatíveis. Não era apenas uma questão de preferência profissional — era sobre princípios.

Lígia Peixe havia causado controvérsia na semana anterior ao declarar publicamente que se tratava de um "suicídio" e questionar: "O que é que ele tem a ver com isso?". Ela depois pediu desculpas à família de Isabelle, mas o estrago estratégico já estava feito. Para Gleicy, essa abordagem — negar qualquer envolvimento de João nos fatos — era exatamente o oposto do que ela acreditava ser a defesa adequada.

Durante o atendimento na terça, João havia contado sua versão dos acontecimentos. Segundo ele, Isabelle tinha o hábito de subir até a cobertura do prédio e havia dito que faria um bolo para ele quando retornasse da missa. Quando confrontado sobre o episódio que resultou na morte dela, João respondeu: "Não esperava que ela fosse fazer isso". Era uma narrativa diferente da que Lígia estava apresentando publicamente.

Em nota enviada a O POVO, Gleicy explicou sua saída com clareza. Ela não podia trabalhar em uma causa "sem unidade de estratégia". Mais importante: ela não estava disposta a construir uma defesa baseada simplesmente na negação. "Se existir responsabilidade penal, ela deve ser apurada", afirmou. Para Gleicy, as provas precisavam falar e a investigação precisava seguir seu curso, sem que a comoção do caso determinasse a atribuição de culpa.

A saída de Gleicy Kelly expõe um racha profundo na defesa de João Munhoz. Não é apenas uma divergência tática — é uma divisão sobre o próprio propósito da defesa. Uma advogada acredita que negar envolvimento é a estratégia correta. A outra acredita que a verdade, seja qual for, deve emergir das provas. Gleicy informou que comunicaria pessoalmente ao cliente sua saída na quarta-feira, 30 de setembro. O que fica claro é que João Munhoz agora enfrenta não apenas uma investigação criminal, mas também uma defesa fragmentada, com duas visões radicalmente diferentes sobre como proceder.

Não esperava que ela fosse fazer isso
— João Munhoz Neto, ao advogada Gleicy Kelly
Se existir responsabilidade penal, ela deve ser apurada
— Gleicy Kelly, em nota a O POVO
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