Mercado se adapta a consumo reduzido de cafeína enquanto consumidores buscam melhor sono

A energia aumenta gradualmente e desaparece em duas horas
Fundador da Friss Labs descreve como suas bolsas de cafeína de dose controlada funcionam diferentemente de bebidas energéticas tradicionais.

Grandes empresas como Nestlé e Coca-Cola lançam produtos com menos cafeína em resposta à mudança de hábitos dos consumidores preocupados com ansiedade e qualidade do sono. Tecnologias de monitoramento de saúde e maior consciência sobre bem-estar estão levando pessoas a examinar impacto da cafeína em suas rotinas diárias.

  • Bebidas frias sem cafeína cresceram 15% em 52 semanas até março de 2026
  • Bebidas descafeinadas cresceram 37% em dólares em 52 semanas até maio de 2026
  • Uma xícara média de café contém 96 miligramas de cafeína
  • Cerca de 60% dos adultos europeus controlam ingestão de cafeína à noite

Consumidores estão reduzindo ingestão de cafeína em busca de melhor sono e bem-estar, impulsionando lançamentos de bebidas com doses menores e formatos alternativos por grandes marcas.

Jeremy Clark chegou aos 40 anos e começou a acordar ansioso. A culpa, suspeitava ele, era do café — aquelas várias xícaras que tomava todas as manhãs. Então começou a reduzir. Uma xícara em vez de várias. Depois chá preto. Depois chá verde. Agora, na maioria dos dias, ele prepara um latte de raiz de chicória ou pede hojicha, um chá verde japonês torrado com pouca cafeína. A ansiedade desapareceu quase completamente. Para Clark, professor de engenharia em Montreal, valeu a pena.

Ele não está sozinho. Embora muitos americanos ainda tomem café normalmente, uma parcela crescente de consumidores está experimentando alternativas, prestando atenção em como a cafeína afeta seu sono, humor e energia ao longo do dia. As grandes empresas notaram. A Nestlé lançou uma mistura meio cafeinada do Starbucks em cápsulas K-Cup em 2023 e, no final do ano passado, apresentou o Starbucks Refreshers Concentrates em versão de varejo, com a mesma quantidade de cafeína que chá verde. No início deste ano, chegou o café Peet's Middle Ground, também com meia cafeína. Daniel Jhung, presidente da divisão de café e bebidas da Nestlé USA, descreve isso como "gerenciamento de energia" — para muitos consumidores, significa tomar café pela manhã mas evitar cafeína à tarde.

Os números refletem uma mudança real no mercado. As vendas de bebidas frias e prontas para beber, sem cafeína, aumentaram quase 15% em 52 semanas encerradas em 22 de março, enquanto as vendas de café em grãos caíram quase 10%. Os refrigerantes sem cafeína cresceram 4,1% em dólares, mas as bebidas rotuladas como "descafeinadas" explodiram — crescimento de quase 37% nas 52 semanas encerradas em 9 de maio, segundo dados da NielsenIQ. Uma xícara média de café de 240 mililitros contém 96 miligramas de cafeína, de acordo com a Mayo Clinic. Muitos consumidores agora querem menos.

As razões são várias. Michael Ricci, estrategista de comunicações de 45 anos em Maryland, decidiu reduzir cafeína e evitar álcool nas noites de semana. Ele mantém seu café matinal mas abandonou bebidas energéticas. No supermercado, encontrou Coca-Cola Zero Zero — sem açúcar, sem cafeína — e agora compra duas caixas de cada vez. "A ideia de ter a doçura característica da Coca-Cola sem as consequências da cafeína é a bebida noturna perfeita", diz ele. A Coca-Cola redesenhou a lata na Europa depois que pesquisa mostrou que cerca de 60% dos adultos lá controlam ingestão de cafeína à noite.

Outra força é a obsessão crescente com ingredientes. Tiffany Henriques, criadora de conteúdo sobre bem-estar no sul da Flórida, parou de tomar café após um longo período com faringite, substituindo por matcha lattes gelados. "O que adoro no matcha é que, se eu não o tomar, fico totalmente bem", diz ela, aos 27 anos. Para Adriana Gindlesperger, de 38 anos, em Malvern, Pensilvânia, a mudança começou na gravidez. Ela se sentia menos ansiosa com café descafeinado e decidiu não voltar. Como tinha dificuldade em encontrar algo saboroso, ela e o marido Christopher lançaram a Lowkey Coffee este ano, oferecendo duas bebidas descafeinadas em lata.

Tecnologia também está mudando comportamentos. Dispositivos como Oura Ring, Apple Watch e Whoop permitem que as pessoas acompanhem como a cafeína afeta seu sono. Lakeisha Allen, que deixou o mundo corporativo para se tornar treinadora de longevidade, percebeu que cafeína prejudicava seu sono profundo depois de começar a usar um Oura Ring. Ela cortou cafeína à tarde, fazendo apenas um pequeno matcha pela manhã. O resultado foi sono mais profundo e mais energia durante o dia. Allen, 39 anos, agora mora em Portugal.

Mas nem todos querem eliminar cafeína completamente. Muitos buscam moderação. A PepsiCo lançou em abril o Pure Leaf Mental Focus, um chá gelado com gás contendo L-teanina e 69 miligramas de cafeína do chá preto. O Tamar Date Coffee oferece misturas que reduzem cafeína cortando grãos de café com tâmaras torradas. A Liquid Death, nova bebida energética, tem 100 miligramas de cafeína — quase o mesmo que uma xícara de café, mas cerca de um terço do que bebidas como Reign Total Body Fuel e Bang Energy oferecem. "Sabíamos que a categoria tinha ficado um pouco louca por cafeína", diz Mike Cessario, CEO da Liquid Death. "Pensamos em nós mesmos como a cerveja light das bebidas energéticas."

Os formatos também estão evoluindo. Gomas de cafeína, pirulitos, balas de menta, chicletes, bolsas e misturas para trilha com chocolate infusionado agora quantificam precisamente a dose — 35 miligramas em um pirulito Alert Pop com sabor de café expresso, por exemplo. A Friss Labs começou a vender este ano uma linha de bolsas com 75 e 100 miligramas. "Em vez de um choque de força, a energia aumenta gradualmente e desaparece em duas horas", diz Abel Santa, fundador da empresa. Para alguns, a mudança ainda parece estranha. Jack Reeves, redator de discursos de 37 anos em Austin, parou de beber álcool sem que ninguém piscasse. Mas quando trocou café por caldo de carne pela manhã — buscando energia mais consistente — recebeu olhares de estranheza dos amigos. "É como dizer que parei de beber água", diz ele.

A ansiedade diminuiu quase a níveis insignificantes, então acho que valeu a pena
— Jeremy Clark, professor de engenharia em Montreal
Pensamos em nós mesmos como a cerveja light das bebidas energéticas
— Mike Cessario, CEO da Liquid Death
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que agora? O café existe há séculos. O que mudou?

Model

Três coisas convergiram. Primeiro, a tecnologia de monitoramento de saúde — anéis, relógios inteligentes — permitiu que as pessoas vissem exatamente como a cafeína afeta seu sono. Segundo, a cultura de bem-estar se intensificou; as pessoas querem examinar cada ingrediente que consomem. Terceiro, há menos estigma em torno de mudar hábitos. Parar de beber álcool agora é normal. Reduzir cafeína está no mesmo caminho.

Inventor

Mas as empresas não têm interesse em vender menos cafeína, certo? Como elas lucram?

Model

Elas lucram porque o mercado está crescendo. Não é que as pessoas estejam bebendo menos bebidas — é que estão bebendo bebidas diferentes. A Nestlé vende cápsulas K-Cup meio cafeinadas. A Coca-Cola vende Zero Zero. Elas estão capturando consumidores que antes não compravam nada, ou que compravam de concorrentes. É expansão de mercado, não contração.

Inventor

Existe um padrão demográfico? Quem está fazendo essa mudança?

Model

Parece ser principalmente pessoas que têm acesso a tecnologia de monitoramento e que podem pagar por produtos premium — matcha lattes, bebidas especializadas. Mas também há um componente geracional. Consumidores mais jovens preferem bebidas frias e enlatadas ao café quente. E há um componente de saúde mental — pessoas que notam que cafeína aumenta ansiedade estão dispostas a mudar.

Inventor

Qual é o risco para a indústria tradicional de café?

Model

O risco é real. As vendas de café em grãos caíram quase 10% em um ano. Mas as grandes empresas — Nestlé, Coca-Cola — estão se diversificando rapidamente. Elas não estão apostando tudo em café tradicional. Estão criando portfólios que incluem bebidas com menos cafeína, sem cafeína, e formatos completamente novos como gomas e bolsas de dose controlada.

Inventor

Isso é sustentável? Ou é uma tendência que vai passar?

Model

É difícil dizer. Mas o crescimento de 37% em bebidas descafeinadas em um ano não parece uma moda passageira. Parece ser uma mudança estrutural em como as pessoas pensam sobre energia e bem-estar. A tecnologia de monitoramento só vai melhorar e se tornar mais acessível. A consciência sobre saúde mental e sono só vai aumentar. Isso provavelmente não volta atrás.

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