Abbas denuncia nas Nações Unidas projeto israelita para "acabar com existência palestiniana"

Milhões de palestinianos enfrentam risco de deslocamento forçado e ameaça à sua existência nos territórios ocupados, segundo denúncias de Abbas.
Salvar esta solução começa pela preservação da terra
Abbas apelou ao Conselho de Segurança para proteger os territórios palestinianos e permitir a formação de um Estado contínuo.
Mark

Por que a proibição de visto de Abbas foi tão significativa? Parecia um detalhe administrativo, mas você está sugerindo que funcionou a seu favor.

Mimi

Porque transformou uma exclusão em evidência. Se ele estivesse lá pessoalmente, seria um discurso entre muitos. Barrado, sua ausência física tornou-se um argumento — prova de que alguém estava tentando silenciá-lo.

Luke

Mas precisamos ser cuidadosos aqui. A Administração Trump tinha suas próprias justificativas para a proibição. O texto diz que Abbas as rejeitou como "sem fundamento legal", mas não explica qual era a posição americana. Sabemos o que Abbas disse, não sabemos o que eles disseram.

Mimi

Justo. Mas o ponto é que, independentemente das justificativas, o efeito foi dar-lhe uma plataforma mais forte, não mais fraca.

Mark

E quanto às acusações específicas que ele fez? Um "projeto malévolo" para forçar um êxodo — isso é uma caracterização ou está documentado?

Mimi

Abbas estava descrevendo um padrão: a fragmentação territorial, as políticas em Gaza e na Cisjordânia. Ele conectou os pontos e chamou de projeto.

Luke

Mas o texto não oferece evidências independentes disso. Temos a acusação de Abbas, temos condenações de organizações internacionais mencionadas genericamente, mas não temos documentação específica do que exatamente constitui esse projeto. É importante distinguir entre a acusação e a prova.

Mark

E as eleições que ele anunciou? Isso muda algo no terreno político?

Mimi

Potencialmente. Eleições legislativas pela primeira vez em vinte anos. Mas há uma tensão — ele está pedindo ao mundo para intervir enquanto tenta restaurar legitimidade democrática em casa.

Luke

E note que as eleições presidenciais ainda não têm data. Apenas legislativas em novembro. Isso importa porque afeta quem tem poder para fazer o quê.

  • A proibição americana de entrada transforma Abbas num líder que fala ao mundo através de um ecrã, enquanto líderes de outras nações ocupam fisicamente a mesma sala em Nova Iorque.
  • Abbas acusa Israel de executar uma estratégia coordenada — separar territórios, isolar Jerusalém Oriental, tornar a vida insuportável — para forçar um novo êxodo palestiniano.
  • Com 160 países a reconhecerem o Estado Palestiniano, o apelo ao Conselho de Segurança para intervenção urgente ganha peso político, mas esbarra no bloqueio histórico das grandes potências.
  • O anúncio de eleições legislativas para 28 de novembro — as primeiras em duas décadas — surge como resposta às pressões americanas por reformas, mas Abbas rejeita as críticas à sua governação.
  • A cumplicidade implícita de Washington com as políticas israelitas, lida na recusa do visto, redefine o alinhamento diplomático americano aos olhos do mundo árabe e de parte da comunidade internacional.

A noventa anos, Mahmoud Abbas dirigiu-se à Assembleia Geral das Nações Unidas a partir de Ramallah, impedido de pisar em solo americano por decisão da Administração Trump — uma ausência física que, paradoxalmente, amplificou a gravidade de suas palavras. Diante de um mundo que em grande parte já reconhece o Estado Palestiniano, Abbas denunciou não apenas uma guerra, mas o que descreveu como um projeto sistemático de apagamento de um povo de suas próprias terras. O gesto de exclusão diplomática tornou-se, ele mesmo, parte do argumento.

Mahmoud Abbas falou à Assembleia Geral da ONU por videoconferência, sua voz transmitida de Ramallah enquanto a Administração Trump mantinha a proibição que o impedia de estar fisicamente em Nova Iorque. Aos 90 anos, o presidente da Autoridade Palestiniana foi barrado novamente da entrada americana — medida que ele classificou como punitiva e sem fundamento legal, e que o obrigou a participar do encontro de líderes mundiais através de um ecrã.

A recusa de visto funcionou, paradoxalmente, como amplificador da sua mensagem. Abbas acusou o governo israelita de executar um "projeto malévolo" destinado não apenas a inviabilizar a solução de dois Estados — posição que Netanyahu já havia tornado pública — mas a eliminar a própria existência palestiniana. As políticas em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, argumentou, fazem parte de uma estratégia coordenada para tornar a vida insuportável e forçar os palestinianos a abandonar as suas terras.

O líder palestiniano descreveu um padrão de fragmentação territorial: separar o norte da Cisjordânia do sul, isolar Jerusalém Oriental, impedir a formação de um Estado geograficamente contínuo. Apelou ao Conselho de Segurança para uma intervenção urgente, invocando o consenso de 160 países que reconhecem o Estado Palestiniano. "Salvar esta solução começa pela preservação da terra sobre a qual esse Estado deve ser estabelecido", pediu.

Além da denúncia imediata, Abbas anunciou eleições legislativas palestinianas para 28 de novembro — o primeiro escrutínio desse tipo em duas décadas, desde que o Hamas tomou o controlo de Gaza em 2006. O anúncio chegou sob pressão americana por reformas, mas Abbas rejeitou as críticas, afirmando que o seu governo havia cumprido os compromissos assumidos perante o seu povo e a comunidade internacional.

Mahmoud Abbas falou à Assembleia Geral das Nações Unidas por videoconferência na quinta-feira, sua voz transmitida de Ramallah enquanto a Administração Trump mantinha a proibição de entrada nos Estados Unidos que o impediria de estar fisicamente na sala de Nova Iorque. Aos 90 anos, o presidente da Autoridade Palestiniana havia sido barrado novamente da entrada americana — uma decisão que ele caracterizou como "medidas punitivas sem fundamento legal" e que, na prática, o forçou a participar do encontro de líderes mundiais através de uma tela.

A recusa de visto funcionou, paradoxalmente, como amplificador de sua mensagem. Abbas usou a plataforma para acusar o governo israelita de executar o que chamou de um "projeto malévolo" destinado não apenas a enterrar a solução de dois Estados — posição que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já havia deixado clara publicamente — mas de eliminar a própria existência palestiniana. As políticas israelitas em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, argumentou, não eram incidentes isolados, mas parte de uma estratégia coordenada para tornar a vida insuportável aos palestinianos em suas terras natais e forçá-los a partir.

O líder palestiniano descreveu um padrão de ações que, em sua visão, buscava fragmentar os territórios palestinianos: separar o norte da Cisjordânia do sul, isolar Jerusalém Oriental de seu entorno palestiniano, e assim impedir a formação de um Estado palestiniano geograficamente contínuo. Abbas apelou ao consenso que existe entre os membros das Nações Unidas — 160 países reconhecem o Estado Palestiniano, incluindo Portugal desde um ano antes — para que o Conselho de Segurança interviesse de forma urgente e responsável. "Salvar esta solução começa pela preservação da terra sobre a qual esse Estado deve ser estabelecido e proteger as pessoas que aí vivem", pediu.

A participação de Abbas ocorria num contexto de críticas internacionais generalizadas contra as ações israelitas nos territórios ocupados. Organizações internacionais, incluindo a própria ONU e, de forma mais contida, a União Europeia, haviam condenado as práticas em questão. A recusa americana de permitir sua entrada foi interpretada por Abbas como evidência de cumplicidade da Casa Branca com essas políticas.

Além da denúncia imediata, Abbas anunciou planos para avançar com eleições legislativas palestinianas marcadas para 28 de novembro — o primeiro escrutínio desse tipo em duas décadas. Os palestinianos não realizavam eleições legislativas ou presidenciais desde 2005-2006, quando o Hamas, rival da Fatah liderada por Abbas, tomou controle de Gaza. O anúncio chegava sob pressão dos Estados Unidos, que exigiam reformas para lidar com questões de corrupção e governação. Abbas rejeitou a crítica, afirmando que seu governo havia concluído o programa nacional de reformas ao qual se havia comprometido perante seu povo e a comunidade internacional. Quanto à eleição presidencial, Abbas indicou que ocorreria em 2017, embora sem data concreta definida naquele momento.

O perigo já não se limita a minar a solução dos dois Estados. As políticas israelitas ameaçam agora a vida e a própria existência do povo palestiniano na sua terra natal.
— Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana
O que se passa em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental não são incidentes isolados, mas sim um projeto colonial malévolo destinado a tornar mais difícil a vida dos palestinianos e a forçá-los a partir.
— Mahmoud Abbas
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