A história do Palácio Nove de Julho, primeira sede própria da Assembleia de SP

majestade espontânea de um edifício feito para abrigar a soberania
A comissão julgadora do concurso elogiou a simplicidade e o caráter do projeto vencedor de Rubio Morales.
Mark

Por que levou tanto tempo para a Assembleia ter uma sede própria? Não era uma instituição importante desde o início?

Mimi

Era importante, sim, mas não era prioridade. Durante 133 anos ela funcionou em espaços compartilhados ou emprestados — primeiro no Pátio do Colégio, depois na praça João Mendes, depois no parque Dom Pedro 2º. Só em 1961 alguém decidiu que era hora de construir um edifício feito especificamente para ela.

Luke

E quem foi esse alguém?

Mimi

Roberto Costa de Abreu Sodré, presidente da Assembleia na época. Ele propôs a ideia em 1961 e depois presidiu a inauguração em 1968.

Mark

Como escolheram o projeto?

Mimi

Fizeram um concurso. Participaram 197 arquitetos, mas só 46 apresentaram projetos completos. Venceu Adolpho Rubio Morales, um paulista nascido no interior, filho de imigrantes espanhóis.

Luke

E o que havia de especial no projeto dele?

Mimi

A comissão julgadora elogiou a simplicidade e disse que o edifício tinha "majestade espontânea". Era claramente inspirado em Oscar Niemeyer — bloco retangular, granito, mármore, rampa de acesso como em Brasília.

Mark

Quanto tempo levou para construir?

Mimi

Cinco anos, seis meses e 23 dias. Inaugurado em 25 de janeiro de 1968, no aniversário da cidade.

Luke

E a equipe de Rubio Morales — quem mais trabalhou no projeto?

Mimi

Fábio Kok de Sá Moreira, Edla Maria Soares Rubio, Ruth do Valle Kok de Sá Moreira e Ludovico Martino. Era um trabalho coletivo, não só de um arquiteto.

Mark

O edifício ainda funciona como sede da Assembleia?

Mimi

Sim, permanece lá até hoje, em frente ao lago do Ibirapuera, na zona sul.

Luke

E Rubio Morales — o que mais ele construiu?

Mimi

A sede da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão também é obra dele. Mas o Palácio Nove de Julho é seu trabalho mais duradouro e visível.

  • Por 133 anos, a Assembleia funcionou em sedes emprestadas ou compartilhadas, revelando a baixa prioridade historicamente atribuída ao poder legislativo.
  • Em 1961, o presidente da Casa, Roberto Sodré, rompeu com essa tradição ao propor a construção de um edifício exclusivo e lançar um concurso público que atraiu 197 inscritos.
  • O projeto vencedor, de Adolpho Rubio Morales, impressionou os jurados pela simplicidade modernista e pela 'majestade espontânea' que traduzia visualmente a função institucional do edifício.
  • Após cinco anos, seis meses e 23 dias de obras, o palácio foi inaugurado em 25 de janeiro de 1968 — aniversário de São Paulo — encerrando uma longa errância institucional.
  • O bloco retangular de granito e mármore, com sua rampa de entrada inspirada em Brasília, permanece há mais de meio século como símbolo arquitetônico do legislativo estadual na zona sul da capital.

Por mais de um século, a Assembleia Legislativa de São Paulo habitou espaços alheios, como instituição que ainda não havia encontrado sua própria voz em pedra e concreto. Em 1968, após um concurso que reuniu quase duzentos arquitetos e cinco anos de obras, o Palácio Nove de Julho foi inaugurado às margens do Ibirapuera, oferecendo ao poder legislativo paulista não apenas um endereço, mas uma identidade. A história desse edifício é, em essência, a história de uma democracia aprendendo a ocupar o espaço que lhe é devido.

A Assembleia Legislativa de São Paulo demorou mais de um século para ter um endereço verdadeiramente seu. Criada em 1835, ainda no período imperial, a instituição passou pelos seus primeiros 44 anos no Pátio do Colégio, depois quase seis décadas na praça João Mendes e, por fim, uma temporada no parque Dom Pedro 2º. Essa sucessão de mudanças dizia menos sobre a cidade em expansão e mais sobre a falta de vontade em garantir ao legislativo uma casa à sua altura.

A virada veio em 1961, quando Roberto Costa de Abreu Sodré, então presidente da Assembleia, propôs a construção de uma sede própria e lançou um concurso público. Dos 197 inscritos, 46 apresentaram projetos completos. O júri formado pelos arquitetos Ícaro de Castro Mello, Oswaldo Bratke e Paulo Antunes Ribeiro escolheu a proposta de Adolpho Rubio Morales — filho de imigrantes espanhóis, nascido no interior paulista em 1924 — pela sua simplicidade e pelo que chamaram de 'majestade espontânea e caráter' que indicavam claramente o destino institucional do edifício.

A influência de Oscar Niemeyer era evidente no projeto: um bloco retangular único, revestido de granito cinza e mármore branco, com uma rampa de entrada que evocava a arquitetura de Brasília. As obras duraram cinco anos, seis meses e 23 dias. O palácio foi inaugurado em 25 de janeiro de 1968 — data do aniversário de São Paulo — em frente ao lago do Ibirapuera, na zona sul da capital.

Na cerimônia, Sodré, que havia proposto o projeto sete anos antes, afirmou que o novo edifício daria à Assembleia o 'indispensável decoro' e as condições adequadas ao poder que mais encarna a soberania popular. Era o fim de uma longa jornada. Rubio Morales ainda deixaria sua marca em outros edifícios da cidade, mas foi o Palácio Nove de Julho que se tornou sua obra mais duradoura — um símbolo que permanece de pé há mais de meio século.

A Assembleia Legislativa de São Paulo levou mais de um século para ter um endereço que fosse realmente seu. De 1835, quando foi criada ainda no período imperial, até 1968, a instituição vagou por três sedes diferentes na capital, funcionando em espaços compartilhados ou emprestados. Apenas no final dos anos 1960, durante o endurecimento do regime militar, ganhou um edifício construído especificamente para abrigá-la: o Palácio Nove de Julho, erguido em frente ao lago do parque Ibirapuera, na zona sul.

Os primeiros 44 anos de funcionamento da Assembleia transcorreram no Pátio do Colégio, no centro histórico da cidade. Em 1879, a instituição se mudou para a praça João Mendes, onde permaneceu até 1937 — um período de quase seis décadas no mesmo endereço. Depois, transferiu-se para o parque Dom Pedro 2º, também na região central, onde ficou até a inauguração do novo palácio. Essa sucessão de mudanças refletia tanto a expansão da cidade quanto a falta de prioridade em dotar o poder legislativo de uma casa própria e adequada.

Em 1961, Roberto Costa de Abreu Sodré, então presidente da Assembleia, propôs a construção de uma nova sede. Naquele mesmo ano, foi lançado um concurso público para escolher o projeto. A convocação atraiu 197 inscritos, dos quais 46 apresentaram propostas completas. O júri, composto pelos arquitetos Ícaro de Castro Mello, Oswaldo Bratke e Paulo Antunes Ribeiro, escolheu o projeto de Adolpho Rubio Morales, nascido no interior paulista em 1924, filho de imigrantes espanhóis.

A equipe de Rubio Morales era formada pelos arquitetos Fábio Kok de Sá Moreira, Edla Maria Soares Rubio, Ruth do Valle Kok de Sá Moreira e Ludovico Martino. O projeto vencedor impressionou a comissão pela sua simplicidade e pela forma como expressava a função do edifício. Os jurados afirmaram que o trabalho possuía "majestade espontânea e caráter" que indicavam claramente o destino institucional da construção. A inspiração modernista era evidente: o edifício dialogava fortemente com a linguagem de Oscar Niemeyer, o arquiteto que havia projetado os prédios do governo em Brasília e o próprio parque do Ibirapuera.

O Palácio Nove de Julho é um bloco retangular único, revestido de granito cinza e mármore branco. A entrada principal é uma rampa em mármore branco que remete às rampas características da arquitetura de Brasília, levando a um portal de vidro e estruturas metálicas que dão acesso ao térreo. As sessões legislativas ocorrem no primeiro andar. A construção levou cinco anos, seis meses e 23 dias para ser concluída, e foi inaugurada em 25 de janeiro de 1968, data que marca o aniversário de São Paulo.

Na cerimônia de inauguração, Sodré — que havia proposto o projeto sete anos antes — pronunciou palavras que refletiam a importância atribuída ao novo edifício. Ele afirmou que a construção de um prédio apropriado permitiria à Assembleia exercer suas funções com maior eficiência e ofereceria o "indispensável decoro" e as instalações adequadas ao poder que, mais que qualquer outro, encarna a soberania popular. Aquelas palavras marcavam o encerramento de uma longa jornada: a instituição legislativa paulista finalmente tinha uma casa feita para ela.

Rubio Morales, o arquiteto vencedor do concurso, construiu também a sede da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, deixando sua marca em outros edifícios importantes da capital. Mas foi o Palácio Nove de Julho que se tornou seu trabalho mais duradouro e visível — um símbolo arquitetônico do poder legislativo estadual que permanece em pé há mais de meio século, em um dos pontos mais emblemáticos da zona sul de São Paulo.

A construção de um edifício apropriado possibilitará maior rendimento às atividades parlamentares e oferecerá o indispensável decoro e as instalações condizentes com a majestade do Poder que encarna a soberania popular
— Roberto Costa de Abreu Sodré, presidente da Assembleia, na inauguração do Palácio Nove de Julho em 1968
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