Há décadas, uma frase atribuída a Carl Jung percorre o mundo digital como se fosse uma lei do autoconhecimento: tudo o que nos irrita nos outros seria reflexo de nós mesmos. Mas o trecho original, escrito em 1962, fala de epistemologia e estranhamento cultural — de como um suíço entende a Inglaterra ao perceber onde não se encaixa —, e usa um verbo cauteloso que as versões populares apagaram. Quando a possibilidade vira regra, uma ferramenta de reflexão se transforma em instrumento para silenciar quem reclama.