80% das doenças cardiovasculares são preveníveis, alerta especialista no Dia Mundial do Coração

As doenças cardiovasculares causam aproximadamente 30% das mortes nos Açores e continuam a ser a principal causa de morte na região, afetando significativamente a população.
Oito em cada dez doenças cardiovasculares podem ser evitadas
A mensagem central do Dia Mundial do Coração, que enfatiza o papel das escolhas de estilo de vida na prevenção.
Mark

Porque é que a mensagem sobre prevenção não consegue chegar aos açorianos, apesar de toda a informação disponível?

Mimi

Porque mudar hábitos é difícil. As pessoas sabem que devem fazer exercício, comer melhor, deixar de fumar. Mas há inércia, há comodismo, há descrença. E há falta de literacia em saúde — as pessoas não conseguem traduzir a informação em ação. Além disso, os benefícios da prevenção são invisíveis. Ninguém vê o enfarte que não teve.

Mark

Então o trabalho tem que começar nas crianças?

Mimi

Exatamente. Se conseguirmos que uma criança cresça com hábitos saudáveis, isso vai repercutir-se por toda a vida. E essa criança vai influenciar a família. É um efeito em cascata. Mas exige trabalho nas escolas, nas comunidades, não é apenas uma questão de informação.

Mark

Os Açores têm um problema específico com obesidade infantil. Isso significa que estão a começar do zero?

Mimi

Pior do que isso. Estão a começar com desvantagem. Uma criança obesa aos 10 anos já tem vários fatores de risco instalados. Mas sim, o trabalho tem que começar aí, porque essa criança ainda tem tempo para mudar.

Mark

E quando a prevenção falha? Qual é o estado da arte no tratamento?

Mimi

Mudou muito nos últimos 30 anos. Conseguimos agora intervir rapidamente num enfarte, restaurar o fluxo sanguíneo, evitar que o coração fique danificado. Temos medicamentos que funcionam. Mas continua a ser melhor não chegar a esse ponto.

Mark

Qual é o sinal de alarme mais importante que as pessoas devem conhecer?

Mimi

A dor no peito, especialmente se for súbita e relacionada com esforço. Mas há outros — falta de ar, cansaço anormal, palpitações. O importante é não ignorar nada. Se algo não parece normal, deve-se ir ao médico.

  • As doenças cardiovasculares matam mais açorianos do que o cancro, representando 30% dos óbitos na região, mas a consciência do risco só desperta, na maioria dos casos, depois de a doença já estar instalada.
  • A obesidade infantil nos Açores sinaliza que fatores de risco graves estão a formar-se antes da adolescência, comprometendo décadas de vida antes mesmo de começarem.
  • A informação sobre prevenção existe e circula, mas esbarra na falta de literacia em saúde e na inércia dos hábitos — a mensagem chega, mas raramente vence o comodismo.
  • Especialistas apontam a escola e a comunidade como terreno decisivo: mudar os hábitos de um jovem cria um efeito de onda que pode transformar famílias inteiras.
  • A tecnologia médica avançou enormemente nas últimas três décadas — cateterismos, pacemakers, ablações —, mas os especialistas são unânimes: nenhum tratamento substitui a prevenção.

No Dia Mundial do Coração, a ciência reitera o que a sabedoria popular sempre intuiu: a maioria das mortes por doenças cardiovasculares não é inevitável, mas o resultado acumulado de escolhas quotidianas. Nos Açores, onde estas doenças respondem por cerca de 30% de todos os óbitos, a distância entre saber e agir continua a custar vidas. A prevenção — que começa na infância e se estende pelas comunidades — permanece o instrumento mais poderoso que a medicina conhece, mais do que qualquer avanço tecnológico.

No Dia Mundial do Coração, a mensagem deste ano é direta: oito em cada dez doenças cardiovasculares podem ser evitadas. Não são doenças do destino — são, em grande medida, o resultado de hábitos construídos ao longo de anos. Nos Açores, estas doenças continuam a ser a principal causa de morte, responsáveis por cerca de 30% de todos os óbitos, superando até as doenças oncológicas. Ainda assim, a maioria das pessoas só começa a preocupar-se com o coração depois de já ter adoecido.

Os sete fatores de risco mais relevantes — obesidade, hipertensão, açúcar elevado no sangue, colesterol alto, sedentarismo, má alimentação e tabagismo — são bem conhecidos, mas difíceis de combater quando falta literacia em saúde. A informação passa pela televisão e pelas campanhas públicas, mas não consegue sempre vencer a inércia do quotidiano. Um jovem que fuma, que não se mexe e que come mal está a semear uma doença que pode manifestar-se décadas depois — e muitas vezes não tem consciência disso.

O problema agrava-se nos Açores com índices elevados de obesidade infantil: há crianças que já carregam fatores de risco antes de chegarem à adolescência. Por isso, os especialistas defendem que a mudança tem de começar cedo, nas escolas e nas comunidades. Um jovem com hábitos saudáveis torna-se um adulto mais saudável — e influencia a família à sua volta, criando círculos de mudança que se prolongam no tempo.

Quando a prevenção falha, os sinais de alarme não devem ser ignorados: dor no peito, falta de ar, palpitações persistentes, desmaios súbitos ou inchaço nas pernas merecem avaliação médica imediata. As formas mais comuns de doença cardiovascular nos Açores incluem enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e arritmias — todas com impacto severo na qualidade de vida e na sobrevida.

Nos últimos 30 anos, a tecnologia transformou o tratamento: ecografias, ressonâncias, cateterismos, pacemakers e ablações permitem hoje intervir com precisão e prolongar vidas. Mas os especialistas são claros — a tecnologia não substitui a prevenção. O exercício físico regular, a alimentação equilibrada, o controlo do peso e o cumprimento da medicação continuam a ser as ferramentas mais eficazes. O melhor remédio, dizem, continua a ser não adoecer.

Hoje é o Dia Mundial do Coração, e a mensagem que circula este ano é simples mas urgente: "Não perca o Ritmo". Por trás dessa frase está uma verdade que os especialistas repetem com insistência — oito em cada dez doenças cardiovasculares podem ser evitadas. Não são doenças do destino. São doenças das escolhas que fazemos, muitas vezes sem perceber que as estamos a fazer.

Nos Açores, as doenças do coração continuam a ser a principal causa de morte, respondendo por cerca de 30% de todos os óbitos na região. Esse número coloca-as à frente até das doenças oncológicas. E no entanto, a consciência sobre o risco permanece fraca. Os açorianos, na sua maioria, só começam a preocupar-se com a saúde cardíaca depois de já terem desenvolvido a doença. O foco deveria estar na prevenção, mas a mudança de hábitos é lenta. A informação existe — passa pela televisão, pelas campanhas públicas, pelos consultórios de medicina geral. Mas a mensagem não chega a todos, ou quando chega, não consegue vencer a inércia, a resignação, o comodismo. Há também falta de literacia em saúde, aquela capacidade de compreender e agir sobre informação de saúde que deveria ser básica mas não é.

Os fatores de risco são bem conhecidos. Sete deles dominam o panorama: a obesidade, a hipertensão arterial, o açúcar elevado no sangue (ligado à diabetes), o colesterol alto, o sedentarismo, a má alimentação e o tabagismo. Alguns destes fatores são mecânicos — o corpo não funciona bem. Outros são bioquímicos — o sangue fica carregado de substâncias prejudiciais. Mas a maioria está ligada aos hábitos, àquilo que escolhemos fazer ou deixar de fazer todos os dias. Um jovem que começa a fumar, que passa as noites no sofá, que come fast food — está a plantar as sementes de uma doença que pode matá-lo aos 50 anos. E a questão é que ele provavelmente não sabe disso, ou sabe mas não acredita que lhe vá acontecer.

Os Açores têm um problema particular: índices elevados de obesidade infantil. Isto significa que há crianças que já estão a carregar o peso de fatores de risco antes de chegarem à adolescência. Os especialistas falam de um trabalho que tem que começar cedo, nas escolas, nas comunidades. A ideia é que se conseguirmos mudar os hábitos de um jovem — se o conseguirmos levar a fazer exercício físico, a não fumar, a controlar as emoções — esses benefícios vão repercutir-se durante toda a vida. E mais: esse jovem vai influenciar a família, vai criar um círculo de mudança. Crianças saudáveis tornam-se adultos saudáveis. É simples, mas exige paciência e investimento.

Quando a prevenção falha, há sinais de alarme que não devem ser ignorados. A dor no peito, especialmente se for súbita, relacionada com esforço e irradiar para os braços ou pescoço, é o mais óbvio. Mas há outros: falta de ar, cansaço anormal com esforços, palpitações que não desaparecem, desmaios súbitos, inchaço nas pernas, dificuldade em respirar quando se está deitado. Qualquer um destes sintomas merecia uma consulta médica e exames complementares.

Os tipos de doenças cardiovasculares mais comuns nos Açores incluem acidentes vasculares cerebrais, enfartes agudos do miocárdio, insuficiência cardíaca, arritmias e doença arterial periférica. O enfarte é particularmente temido porque se associa a elevada mortalidade e morbilidade — muitas pessoas morrem, e as que sobrevivem frequentemente ficam com sequelas. A melhor defesa é mesmo a prevenção: uma alimentação saudável e equilibrada, evitando gorduras e açúcares em excesso; cumprir a medicação se já se tem diagnóstico de hipertensão, diabetes ou colesterol alto; manter o peso sob controlo; e fazer exercício físico regularmente.

O exercício físico é talvez a ferramenta mais poderosa. Fortalece o coração, melhora a circulação, aumenta o fornecimento de oxigénio ao corpo, torna o coração mais eficiente. Reduz a hipertensão, o colesterol, a diabetes, a obesidade — todos os fatores de risco. E ainda reduz o stress, que também prejudica o coração. Para quem já teve um evento cardíaco, o exercício é uma ferramenta terapêutica essencial para a reabilitação, mas tem que ser feito sob supervisão médica.

Nos últimos 30 anos, a tecnologia transformou o tratamento das doenças cardiovasculares. A ecografia e a ressonância magnética permitem diagnósticos mais precisos, especialmente de situações raras mas potencialmente fatais. O cateterismo cardíaco, a angioplastia, a cirurgia cardíaca, os pacemakers, a ablação de arritmias — tudo isto permite agora atenuar os efeitos da doença, melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevida. No caso do enfarte, consegue-se agora intervir na fase aguda para restaurar o fluxo sanguíneo e controlar as arritmias perigosas, e a longo prazo há medicamentos que evitam o desenvolvimento de insuficiência cardíaca. Mas a tecnologia não substitui a prevenção. Continua a ser verdade que o melhor remédio é não adoecer.

Há um longo trabalho a desenvolver na nossa comunidade para aumentar a consciencialização para as doenças cardiovasculares
— Especialista em cardiologia
Crianças saudáveis serão adultos saudáveis
— Princípio epidemiológico citado por especialista
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