Em uma quarta-feira de julho de 2022, Brasília passa a ser o primeiro ponto do país a receber o 5G puro, a versão standalone que promete velocidade e precisão que a geração anterior, operando sobre a mesma faixa do 4G, nunca conseguiu oferecer. A chegada da tecnologia à capital federal, liberada pela Anatel e conduzida pela TIM, revela como até a conexão invisível depende de decisões regulatórias, de cronogramas que se dobram diante de crises distantes e de escolhas sobre quem chega primeiro. O atraso de dois meses, provocado pelas restrições sanitárias na China, lembra que nenhuma rede brasil
5G puro chega a Brasília nesta quarta com a TIM; veja aparelhos compatíveis e como usar
O 5G que muitos já viam no ícone não superou o 4G no teste da Folha
Se muita gente já via o ícone 5G, o que muda em Brasília nesta quarta?
Muda a faixa. O 5G anterior dividia o espectro de 2,3 GHz com o 4G. O puro usa 3,5 GHz, dedicada só a ele.
E isso faz diferença na prática?
Em teste da Folha, o 5G impuro não superou o 4G. O puro promete média de 1 Gbps, dez vezes a do 4G.
Vale separar: esses 1 Gbps são média citada pela reportagem, e os 20 Gbps são teto. Não há medição em Brasília ainda.
A TIM diz cobrir 50% da população com cem antenas. Dá para confiar?
É número da própria empresa. O texto não traz verificação independente de cobertura.
E há a questão do chip: a TIM diz que não precisa trocar em Brasília. Claro e Vivo não informaram preços.
Então o custo ainda é incerto?
Para Claro e Vivo, sim. E a previsão de que preços seguirão os internacionais é projeção, não dado.
O que está claro é o atraso de dois meses, atribuído ao confinamento na China, e que Belo Horizonte e Porto Alegre vêm a seguir.
Il Polso
- O 5G puro começa a operar em Brasília após semanas de cronograma apertado e a promessa de velocidade dez vezes maior que a do 4G.
- A pressa do edital colidiu com o confinamento na China, que empurrou o lançamento em dois meses e deixou operadoras correndo contra metas de cobertura.
- A TIM acende cem antenas na capital e mira 50% da população, enquanto Claro e Vivo ainda não revelaram preços dos novos chips.
- Consumidores descobrem que o ícone 5G que já aparecia no celular era a versão impura, e que o salto real exige aparelho compatível e, possivelmente, um chip novo.
- Belo Horizonte e Porto Alegre aparecem no horizonte como as próximas capitais a receber o serviço, com a expectativa de que o valor cairá conforme a tecnologia se popularizar.
Em uma quarta-feira de julho de 2022, Brasília passa a ser o primeiro ponto do país a receber o 5G puro, a versão standalone que promete velocidade e precisão que a geração anterior, operando sobre a mesma faixa do 4G, nunca conseguiu oferecer. A chegada da tecnologia à capital federal, liberada pela Anatel e conduzida pela TIM, revela como até a conexão invisível depende de decisões regulatórias, de cronogramas que se dobram diante de crises distantes e de escolhas sobre quem chega primeiro. O atraso de dois meses, provocado pelas restrições sanitárias na China, lembra que nenhuma rede brasileira está totalmente isolada do mundo. Enquanto Belo Horizonte e Porto Alegre se preparam, o país inicia uma transição cuja real utilidade, segundo as projeções, dependerá menos do consumidor comum e mais da indústria, do agronegócio e da saúde.
Nesta quarta-feira, 6 de julho, o 5G puro começa a funcionar em Brasília. A Anatel liberou a faixa de 3,5 GHz, e a TIM será a primeira operadora a oferecer o serviço na capital federal, com a ativação de cem antenas e a meta de alcançar metade da população.
O caminho até aqui foi mais lento do que o previsto. O edital do leilão, realizado em novembro, exigia que todas as capitais tivessem o serviço até o fim de julho, mas o confinamento na China, adotado para conter novos casos de Covid, atrasou a operação brasileira em dois meses. Belo Horizonte e Porto Alegre já estão adiantadas e devem ser as próximas.
Para aproveitar a novidade, o consumidor precisa de aparelho e chip compatíveis, além de estar na área de cobertura. Muitos já viam o ícone 5G no celular, mas aquele sinal era o 5G impuro, que divide a faixa do 4G e, em teste da Folha de S.Paulo, não superou a velocidade da geração anterior. A versão pura usa faixa exclusiva e pode chegar a 20 Gbps, embora, para o uso cotidiano, o 4G ainda atenda bem.
O custo segue incerto. A troca de chip pode ser necessária em outras operadoras, e os preços tendem a acompanhar os internacionais até que a popularização reduza o valor dos aparelhos. O ganho mais expressivo, segundo as projeções, deve vir da indústria, do agronegócio e da saúde, onde a velocidade e a baixa latência fazem diferença real.
Nesta quarta-feira (6), o 5G puro começa a funcionar em Brasília. A liberação da faixa de frequência de 3,5 GHz pela Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações, abriu caminho para o serviço, e a TIM será a primeira operadora a oferecê-lo na capital federal.
Segundo a empresa, a estreia conta com a ativação de cem antenas e deve alcançar 50% da população. O cronograma original era mais apertado: o edital do leilão do 5G, realizado em novembro do ano passado, exigia que todas as capitais lançassem a tecnologia até o fim de julho. A liberação da faixa deveria ter ocorrido até 30 de junho, e a primeira meta das operadoras, de uma antena para cada 100 mil habitantes nas 26 capitais e no Distrito Federal, vencia em 31 de julho.
O calendário escorregou. A recente rodada de confinamento na China, adotada para conter novos casos de Covid, atrasou em dois meses o início da operação do 5G no Brasil. Belo Horizonte e Porto Alegre estão adiantadas na adequação técnica e devem ser as próximas capitais a receber o serviço.
Para usar o 5G puro, o consumidor precisa de aparelho e chip compatíveis, ser cliente de uma operadora que ofereça o serviço e estar na área de cobertura. Entre os aparelhos compatíveis estão os iPhone 12 e 13 em todas as versões e o iPhone SE 2022; vários modelos Samsung, como Galaxy A53 5G, S21 e Z Fold 3; Motorola como Moto G100 5G e Edge 20; além de Mi 10T, Mi 11, POCO F3, Redmi Note 11 Pro 5G, Zenfone 8, TCL 20 Pro 5G, Positivo Zero 5G e Nokia G50.
Muitos usuários já viam o ícone 5G no celular antes de quarta. Aquele sinal vinha do 5G DSS (Dynamic Spectrum Sharing), também chamado de NSA (non-standalone), considerado impuro por operar na mesma faixa do 4G, a de 2,3 GHz, o que limita o desempenho. A versão pura, standalone, usa uma faixa exclusiva de 3,5 GHz. Em teste da Folha de S.Paulo, o 5G impuro não conseguiu superar o 4G.
Quanto ao custo, o 5G standalone pode exigir a troca do chip antigo por um novo. Claro e Vivo, procuradas, não informaram o preço dos chips 5G. A TIM disse que a troca não será necessária para acessar a tecnologia em Brasília a partir desta quarta. Ainda não existem planos exclusivos para a nova geração; o site da Vivo, por exemplo, informa que todos os seus planos dão acesso ao 5G. Os preços devem acompanhar os internacionais até que a popularização derrube o valor de chips e aparelhos, as principais barreiras de acesso.
Sobre o desempenho, o 5G puro alcança em média 1 Gbps, dez vezes a média do 4G, e pode chegar a 20 Gbps. Baixar um arquivo de 5 GB, como um filme em alta definição, levaria 42 segundos. Para o consumidor médio, o 4G ainda atende bem entretenimento, trabalho e educação; o ganho esperado está na indústria, no agronegócio e na saúde, graças à velocidade e à latência mínima. A chegada da tecnologia também deve movimentar o mercado de trabalho, sobretudo em tecnologia e telecomunicações.
Pelas projeções da Ericsson, o 5G deve chegar a 1 bilhão de usuários no mundo até o fim deste ano e a 4,4 bilhões em 2027, quando se tornaria dominante. No Brasil, o próximo passo é ver Belo Horizonte e Porto Alegre entrarem no mapa.
Citazioni salienti
A troca de chip não será necessária para ter acesso ao 5G a partir desta quarta na capital federal.— TIM, em resposta à reportagem