Em meados de março de 2021, o Ceará emergiu como um dos estados brasileiros a avançar mais cedo no calendário de vacinação contra a Covid-19, ao superar a meta federal de imunização dos grupos prioritários da primeira fase. Cinquenta e seis de seus 184 municípios conquistaram o direito de abrir as portas da segunda etapa — estendendo a proteção a idosos acima de 60 anos e a comunidades quilombolas — enquanto um novo lote de doses se aproximava. Era um sinal de progresso em meio à escassez, um passo adiante numa corrida que ainda estava longe do fim.
56 municípios cearenses avançam para segunda fase de vacinação contra Covid-19
As doses recebidas não são suficientes nem para os grupos prioritários
Como é que 56 municípios conseguem avançar para a segunda fase se o Estado inteiro ainda está recebendo doses de forma limitada?
Porque eles ultrapassaram a meta de 75% de vacinação dos grupos prioritários da primeira fase. Alguns municípios foram mais rápidos, vacinaram mais pessoas nesses grupos, e por isso podem começar com os idosos de 60 anos.
Mas a gente não sabe quais são esses 56 municípios, certo? A Sesa não divulgou a lista.
Exato. O POVO pediu e ficou aguardando resposta. É uma informação que deveria ser pública.
E quanto às doses? Elas são suficientes para essa segunda fase?
Não. A secretária Magda Almeida foi bem clara: as doses já enviadas pelo Ministério não cobrem nem os grupos prioritários da primeira fase. Alguns municípios já vacinaram além do previsto, mas faltam vacinas.
Então tecnicamente esses 56 municípios podem avançar, mas na prática vão ter que esperar por mais doses?
É isso. Eles podem começar a segunda fase "à medida que novas doses chegarem". Não é um avanço imediato para todos.
E as doses que chegaram naquela semana?
Um novo lote de 187.400 doses da CoronaVac estava chegando. Mas considerando que já tinham aplicado 602 mil doses e recebido quase um milhão, o ritmo ainda era lento.
Qual era a população total de idosos acima de 60 anos no Ceará naquela época?
A reportagem não menciona esse número. Sabemos que 56 municípios avançaram, mas não sabemos a escala real da população que seria alcançada.
El Pulso
- Com 75% dos grupos prioritários vacinados, o Ceará ultrapassou a meta do Ministério da Saúde e abriu caminho para a segunda fase em 56 municípios — uma conquista rara no cenário nacional de março de 2021.
- A lista dos municípios aptos a avançar não foi divulgada publicamente, deixando gestores locais e cidadãos sem clareza imediata sobre quem poderia agir.
- Um nono lote de 187.400 doses da CoronaVac foi anunciado pelo governador Camilo Santana, elevando o total recebido pelo Estado a quase um milhão de doses desde o início da campanha.
- Mais de 602 mil doses já haviam sido aplicadas, mas o ritmo de chegada de vacinas ainda era insuficiente para cobrir toda a população dos grupos prioritários — a velocidade da imunização era o nó central do desafio.
- O Estado vivia uma corrida contra o tempo: avançar na cobertura vacinal dependia menos da vontade local e mais do fluxo incerto de doses vindas do governo federal.
Em meados de março de 2021, o Ceará emergiu como um dos estados brasileiros a avançar mais cedo no calendário de vacinação contra a Covid-19, ao superar a meta federal de imunização dos grupos prioritários da primeira fase. Cinquenta e seis de seus 184 municípios conquistaram o direito de abrir as portas da segunda etapa — estendendo a proteção a idosos acima de 60 anos e a comunidades quilombolas — enquanto um novo lote de doses se aproximava. Era um sinal de progresso em meio à escassez, um passo adiante numa corrida que ainda estava longe do fim.
No meio de março de 2021, quando a vacinação contra a Covid-19 ainda avançava lentamente pelo Brasil, o Ceará alcançou um marco relevante: 56 de seus 184 municípios estavam aptos a iniciar a segunda fase do calendário de imunização. O Estado havia superado a meta do Ministério da Saúde ao vacinar 75% dos grupos prioritários da primeira etapa, abrindo espaço para que idosos a partir de 60 anos e membros de comunidades quilombolas passassem a ser imunizados.
A Secretaria da Saúde do Ceará divulgou a informação na terça-feira, 16 de março, mas sem revelar quais municípios exatamente poderiam avançar — o jornal O POVO havia solicitado a lista e aguardava resposta. Magda Almeida, secretária de Vigilância e Regulação da Sesa, explicou que alguns municípios já haviam vacinado além do previsto, superando 100% de cobertura em seus grupos prioritários, enquanto outros ainda equilibravam trabalhadores da saúde e idosos. De qualquer forma, as doses disponíveis até então não eram suficientes para proteger toda a população elegível.
O fluxo de vacinas era o fator decisivo. Após receber seu oitavo lote em 10 de março — 108.900 doses da CoronaVac do Instituto Butantan —, o governador Camilo Santana anunciou nas redes sociais a chegada iminente de um nono lote: 187.400 doses adicionais, que elevariam o total recebido pelo Estado a 992.400 doses desde o início da campanha.
Até aquele dia, o Vacinômetro registrava 602.702 doses aplicadas, com foco em profissionais da saúde, povos indígenas e idosos com 75 anos ou mais. O avanço era real, mas o desafio permanecia: ampliar tanto o volume de vacinas quanto a velocidade de aplicação, numa corrida que dependia, em grande parte, do ritmo de liberação de doses pelo governo federal.
No meio de março de 2021, quando a campanha de vacinação contra a Covid-19 ainda engatinhava no Brasil, o Ceará atingiu um marco que poucos estados haviam alcançado: 56 de seus 184 municípios já podiam avançar para a segunda fase do calendário de imunização. A razão era simples e significativa — o Estado havia ultrapassado a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde de vacinar 75% dos grupos prioritários da primeira fase, abrindo caminho para que idosos a partir de 60 anos e membros de comunidades quilombolas recebessem o imunizante conforme novas doses chegassem.
A informação foi divulgada pela Secretaria da Saúde do Ceará na terça-feira, 16 de março, mas com uma ressalva importante: a lista específica dos municípios que poderiam avançar não foi tornada pública naquele momento. O jornal O POVO solicitou a relação e aguardava resposta. O que se sabia era que alguns municípios já haviam vacinado além do que o Ministério havia previsto, atingindo índices superiores a 100% em seus grupos prioritários. Magda Almeida, secretária de Vigilância e Regulação da Sesa, explicou que essa variação ocorria porque alguns municípios já haviam completado a vacinação de trabalhadores da saúde enquanto outros focavam em idosos — e que, de qualquer forma, as doses recebidas até então não eram suficientes para cobrir toda a população dos grupos prioritários.
O ritmo de chegada de vacinas era crucial para manter o avanço. No dia 10 de março, o Estado havia recebido seu oitavo lote, com 108.900 doses da CoronaVac produzida pelo Instituto Butantan. Seis dias depois, o governador Camilo Santana anunciou nas redes sociais que um nono lote estava a caminho: 187.400 doses adicionais da mesma vacina, que chegariam no dia seguinte após confirmação do Ministério da Saúde. Com essa remessa, o Ceará teria recebido um total de 992.400 doses desde o início da campanha.
Até aquele 16 de março, segundo o Vacinômetro da Secretaria da Saúde, 602.702 doses já haviam sido aplicadas no Estado. Os profissionais da saúde, povos indígenas e idosos com 75 anos ou mais continuavam sendo o foco principal da vacinação. O desafio, porém, permanecia claro: aumentar tanto a quantidade de vacinas disponíveis quanto a velocidade com que elas chegavam aos braços das pessoas. Mesmo com o avanço de 56 municípios para a segunda fase, a realidade era que o suprimento nacional ainda era insuficiente para proteger toda a população dos grupos prioritários, deixando o Estado em uma corrida contra o tempo para expandir a cobertura vacinal conforme mais doses fossem liberadas.
Citas Notables
A quantidade de vacinas já enviadas pelo Ministério da Saúde não é suficiente para toda a população, mesmo aquelas dos grupos prioritários— Magda Almeida, secretária de Vigilância e Regulação da Sesa