158 milhões de eleitores votam em disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro

A menor distância entre líderes em 35 anos de democracia
Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao dia da votação separados por apenas três pontos percentuais.
Mark

Como é possível que uma eleição presidencial chegue ao dia da votação com os dois principais candidatos praticamente empatados? Isso nunca tinha acontecido antes?

Mimi

Nunca desde 1989, quando o Brasil voltava à democracia. A diferença de três pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro é a menor registrada em pesquisas Datafolha na véspera de um primeiro turno em mais de 35 anos.

Luke

Mas aí está a questão: é empate técnico. A margem de erro é de dois pontos. Então tecnicamente Lula poderia estar à frente, ou Flávio poderia estar. A pesquisa não nos diz quem vai ganhar.

Mark

E como isso se compara com eleições anteriores? 2022 foi muito diferente?

Mimi

Completamente. Em 2022, Lula tinha 50% contra 36% de Jair Bolsonaro na pesquisa da véspera. Nas urnas, ele venceu com 48,4% contra 43,2%. Havia clareza.

Luke

E em 2018? Bolsonaro tinha 40% contra 25% de Haddad na pesquisa, e venceu com 46% contra 29%. Sempre houve uma distância clara entre primeiro e segundo lugar.

Mark

Então essa é realmente uma eleição diferente. Mas há algo mais preocupante aqui—a mobilização. O que significa dizer que a população está menos interessada?

Mimi

Significa que 47% dos entrevistados em pesquisa recente afirmam que há menos interesse na corrida eleitoral. É a menor mobilização desde a redemocratização.

Luke

Mas cuidado: isso é o que as pessoas dizem sobre o interesse geral, não necessariamente sobre sua própria participação. Não sabemos ainda qual será a taxa de comparecimento.

Mark

E o fato de não haver debate televisionado entre os principais candidatos—isso contribui para essa desmobilização?

Mimi

Provavelmente contribui. É a primeira vez em 20 anos que não há um debate na véspera do primeiro turno. O que seria realizado na quinta-feira foi cancelado após decisões do TSE e do STF.

Luke

Mas não sabemos se o debate teria mudado algo. Pode ser sintoma, não causa. A desmobilização pode estar ligada a outros fatores que não conseguimos medir com precisão.

  • A menor diferença entre candidatos em véspera de primeiro turno desde 1989 transforma a eleição em território desconhecido: qualquer margem de erro pode inverter o resultado.
  • A ausência de debate televisionado — a primeira em 20 anos — privou eleitores de um confronto direto entre os candidatos, alimentando a sensação de campanha incompleta.
  • Quase metade dos entrevistados pelo Datafolha reconhece que a população está menos engajada do que em eleições anteriores, sinalizando uma apatia que pode distorcer projeções e surpreender analistas.
  • Para além da presidência, mais de 18 mil candidatos disputam governos estaduais, senado, câmara federal e assembleias legislativas, tornando o domingo eleitoral uma das operações logísticas mais complexas do mundo.
  • A apuração em tempo real começa às 17h e promete revelar se o empate técnico das pesquisas se confirma nas urnas ou se um dos lados esconde uma vantagem silenciosa.

Neste domingo, o Brasil chega a um momento raro em sua jovem democracia: 158 milhões de eleitores votam em uma disputa presidencial tão equilibrada que a história recente não oferece paralelo desde a redemocratização de 1989. Lula e Flávio Bolsonaro, separados por apenas três pontos percentuais, representam não apenas projetos políticos distintos, mas também a tensão de um país que, ao mesmo tempo em que decide seu futuro, demonstra sinais inéditos de distanciamento do próprio processo democrático. O resultado, esperado a partir das 17h, dirá tanto sobre quem governa quanto sobre como o Brasil se relaciona com a política.

Neste domingo, 158 milhões de brasileiros foram às urnas em uma eleição presidencial que chegou ao dia da votação em estado de incerteza sem precedentes recentes. O presidente Lula, do PT, aparece com 45% das intenções de voto válido na última pesquisa Datafolha, contra 42% do senador Flávio Bolsonaro, do PL — uma margem de três pontos que, dentro do erro estatístico, configura empate técnico. Nunca, desde 1989, a diferença entre os dois primeiros colocados havia sido tão pequena na véspera de um primeiro turno.

O contraste com eleições anteriores é revelador. Em 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro — pai de Flávio e ex-presidente condenado por conspiração contra o Estado —, a pesquisa da véspera apontava 14 pontos de vantagem. Em 2018, a distância era ainda maior. A compressão desse intervalo em 2026 reflete uma disputa que polarizou o eleitorado de forma diferente, sem que nenhum dos lados tenha conseguido consolidar uma liderança confortável.

A campanha também se distingue por uma apatia incomum. Pesquisa divulgada na sexta-feira mostrou que 47% dos entrevistados percebem a população como menos interessada na eleição deste ano. Esse desengajamento ganhou um símbolo concreto: o debate que seria realizado pela TV Globo na quinta-feira foi cancelado após decisões do TSE e do STF alterarem as regras do programa — a primeira ausência de confronto televisionado entre os principais candidatos em duas décadas.

Além da presidência, os eleitores escolhem governadores em 27 estados, dois senadores cada, deputados federais e estaduais — um universo de mais de 18 mil candidatos distribuídos por 5.571 municípios no Brasil e 186 cidades no exterior. Os resultados começam a ser divulgados às 17h, quando se saberá se o empate das pesquisas se traduz em uma noite longa de contagem ou se as urnas revelam uma separação que os números anteriores não conseguiram capturar.

Neste domingo, 158 milhões de brasileiros com direito ao voto comparecem às urnas para escolher não apenas o próximo presidente da República, mas também governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais em uma eleição que se desenrola sob circunstâncias incomuns. A disputa presidencial, em particular, chegou ao dia da votação em um estado de incerteza raro: o presidente Lula, do PT, aparece com 45% das intenções de voto válido na última pesquisa Datafolha divulgada no sábado, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, do PL pelo Rio de Janeiro, marca 42%. A margem de três pontos percentuais coloca os dois em empate técnico quando se considera a margem de erro de dois pontos—uma proximidade que marca um momento singular na história eleitoral recente do país.

Para dimensionar o que essa proximidade representa, basta olhar para trás. A distância entre o primeiro e o segundo colocados em pesquisas Datafolha realizadas na véspera do primeiro turno nunca havia sido tão pequena desde 1989, quando o Brasil voltava à democracia. Em 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro, pai de Flávio e ex-presidente condenado por conspiração para um golpe de Estado, a pesquisa da véspera mostrava Lula com 50% contra 36% de Bolsonaro—uma diferença de 14 pontos que se refletiu nas urnas, onde Lula conquistou 48,4% dos votos válidos e Bolsonaro, 43,2%. Quatro anos antes, em 2018, quando Bolsonaro venceu Fernando Haddad, a distância era ainda maior: 40% contra 25% na pesquisa, e 46% contra 29% nas urnas.

A campanha de 2026 também se distingue por uma característica preocupante aos olhos de cientistas políticos: a menor mobilização eleitoral desde o retorno da democracia. Uma pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira mostrou que 47% dos entrevistados afirmam que a população está menos interessada na corrida eleitoral deste ano. Essa apatia se reflete também na ausência de um debate televisionado entre os principais candidatos—a primeira vez que isso ocorre em 20 anos. O encontro que seria realizado na quinta-feira pela TV Globo foi cancelado após decisões do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal alterarem a lista de convidados e a dinâmica do programa.

Além da presidência, os eleitores enfrentam uma multiplicidade de escolhas. Nas 27 unidades da federação, 169 candidatos concorrem aos governos estaduais. Para o Senado, onde cada eleitor deve escolher dois representantes diferentes, há 281 postulantes deferidos. A Câmara dos Deputados recebe 7.053 candidatos, enquanto as Assembleias Legislativas dos 26 estados e a Câmara Legislativa do Distrito Federal contam com 10.851 candidatos a deputado estadual e distrital. A votação ocorre em 5.571 municípios no Brasil e em 186 cidades fora do país.

Os resultados começam a ser divulgados a partir das 17h deste domingo, assim que o período de votação se encerra. A apuração em tempo real permitirá acompanhar como a população respondeu a uma eleição que chegou ao seu dia decisivo marcada pela incerteza técnica e pela desmobilização, um contraste que deixa em aberto não apenas quem governará o país pelos próximos quatro anos, mas também qual será o padrão de engajamento político que emergirá dessa votação.

A campanha de 2026 é marcada pela menor mobilização desde a volta da democracia
— Cientistas políticos ouvidos pela Folha
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