1 BTC = 1 BTC: a nova narrativa do bitcoin que prega esquecer a cotação em dólar

Quando olhar para o preço em dólares se torna muito doloroso
A frase que explica por que investidores em bitcoin adotaram uma nova narrativa que ignora completamente a cotação.
Mark

Por que você acha que essa frase "1 BTC = 1 BTC" surgiu agora, especificamente?

Mimi

Porque dói demais olhar para o preço em dólares. Quando uma narrativa anterior — ouro digital, hedge inflacionário — deixa de funcionar, você precisa de uma nova. Essa é a mais simples possível: ignore o preço, foque na quantidade.

Mark

Mas isso não é apenas uma forma de lidar com a dor? Como é diferente de qualquer outro investidor que diz "não vendo em baixa"?

Mimi

Não é diferente, na verdade. É exatamente isso. A diferença é que essa frase torna explícito o que estava implícito antes — que o bitcoin deveria ser julgado por critérios diferentes dos outros ativos. Agora, quando isso falha, a resposta é: bem, então vamos mudar os critérios.

Mark

Os dados mostram que 68% do bitcoin não foi movido em um ano. Isso significa que as pessoas realmente acreditam nessa narrativa, ou apenas que estão presas?

Mimi

Provavelmente ambas as coisas. Alguns acreditam genuinamente que a oferta fixa é tudo o que importa no longo prazo. Outros simplesmente não podem vender — ou não querem enfrentar a perda. A narrativa serve para ambos os grupos.

Mark

Um especialista disse que a narrativa segue os mercados, não o contrário. Isso significa que essa frase desaparecerá se o preço subir?

Mimi

Quase certamente. Se o bitcoin voltar a 50 mil dólares, ninguém estará postando "1 BTC = 1 BTC" no Twitter. Voltaremos a ouvir sobre ouro digital e reserva de valor. A narrativa é um reflexo do que está acontecendo com o preço, não uma causa dele.

Mark

Então o bitcoin ainda está preso aos mercados de risco mais amplos?

Mimi

Sim. E enquanto estiver, nenhuma narrativa — por mais elegante ou reconfortante que seja — vai mudar isso. O bitcoin ainda se comporta como um ativo de risco porque ainda é negociado por traders de risco. Quando isso mudar, o comportamento do preço mudará. Mas ainda não mudou.

  • O bitcoin despencou de quase US$ 69 mil para abaixo de US$ 19 mil em 2022, destruindo as narrativas de proteção contra inflação e de ativo não correlacionado que sustentavam a fé de milhões de investidores.
  • Com as velhas justificativas em ruínas, os entusiastas migraram para um novo mantra — '1 BTC = 1 BTC' — que propõe ignorar o preço em dólares e focar apenas na quantidade absoluta de moedas possuídas.
  • A tentativa de reframing encontra algum respaldo nos dados: 68% do bitcoin não foi movido por mais de um ano, o maior nível desde 2014, sugerindo um núcleo duro de detentores que simplesmente não vendem.
  • Especialistas alertam, porém, que a narrativa tende a seguir os mercados — não o contrário — e que o bitcoin permanece correlacionado com ativos de risco, independentemente do que seus defensores proclamem no Twitter.

Quando os preços caem o suficiente, as narrativas que os sustentam precisam ser reinventadas. O bitcoin, que perdeu 60% de seu valor em 2022, viu seus defensores abandonarem justificativas como 'ouro digital' e 'hedge inflacionário' em favor de um mantra mais simples e mais resistente à dor: '1 BTC = 1 BTC'. Essa transformação, que ocorre em tempo real nas redes sociais, revela menos sobre a natureza da moeda e mais sobre a natureza humana diante de perdas que se tornam difíceis demais de encarar.

Quando os preços caem o suficiente, as histórias que contamos sobre eles mudam. No caso do bitcoin, essa transformação está acontecendo agora, em tempo real, e diz muito sobre como os mercados funcionam quando a realidade se torna incômoda demais para encarar.

Por anos, os entusiastas construíram um edifício de justificativas: ouro digital, hedge contra inflação, ativo não correlacionado. Mas 2022 as destruiu. O bitcoin perdeu 60% de seu valor, caindo de quase US$ 69 mil para abaixo de US$ 19 mil, enquanto a inflação permaneceu alta e os ativos de risco caíram juntos — como se a promessa de independência nunca tivesse existido.

E então surgiu a nova frase entre os fiéis: '1 BTC = 1 BTC'. Quase zen. A ideia é que o preço em dólares deixa de importar; o que conta é a quantidade absoluta de bitcoin que você possui, ancorada numa oferta fixa de 21 milhões de moedas. Joshua Lim, ex-chefe de derivativos da Genesis Trading, descreveu o mecanismo com precisão: é o que os maximalistas dizem quando olhar para o preço em dólares se torna doloroso demais.

Alguns tentaram salvar a narrativa anterior com reinterpretações. Ilan Solot, da Tagus Capital, argumentou que o bitcoin nunca foi um rastreador de inflação, mas uma proteção contra a impressão irresponsável de dinheiro pelos bancos centrais. A distinção é sutil — e não apaga o fato de que o bitcoin caiu enquanto a inflação subiu.

Há, no entanto, um núcleo duro que resiste. A porcentagem de bitcoin sem movimentação por mais de um ano chegou a 68%, o maior nível desde 2014. Mas Stephane Ouellette, da FRNT Financial, oferece uma perspectiva sóbria: o bitcoin ainda está preso ao ambiente macroeconômico mais amplo e não quebrou sua correlação com outros ativos de risco. 'A narrativa tende a seguir os mercados, com mais frequência do que o contrário', observou. A nova frase pode ser reconfortante para quem segura a moeda em meio à queda — mas não muda o fato de que o bitcoin ainda dança ao ritmo do mercado mais amplo.

Quando os preços caem o suficiente, as histórias que contamos sobre eles mudam. No caso do bitcoin, essa transformação narrativa está acontecendo agora, em tempo real, no Twitter — e ela diz muito sobre como os mercados funcionam quando a realidade se torna incômoda demais para encarar.

Por anos, os entusiastas do bitcoin construíram um edifício de justificativas. A moeda era ouro digital. Era um hedge contra inflação. Era um ativo não correlacionado, uma reserva de valor para tempos incertos. Cada narrativa tinha sua lógica, sua elegância, sua promessa. Mas 2022 as destruiu todas. O bitcoin perdeu 60% de seu valor ao longo do ano, caindo de quase 69 mil dólares no final de 2021 para abaixo de 19 mil dólares nas últimas semanas. Enquanto isso, a inflação permaneceu alta e teimosa, indiferente à existência de uma moeda digital que supostamente a combateria. Os ativos de risco — a categoria em que o bitcoin ainda se comporta — caíram juntos, correlacionados, como se a promessa de independência nunca tivesse existido.

E então surgiu a nova frase, circulando entre os fiéis: 1 BTC = 1 BTC. Simples. Quase zen. A ideia é que o preço em dólares deixa de importar. O que importa é a quantidade absoluta de bitcoin que você possui. A oferta é fixa — apenas 21 milhões de moedas existirão jamais — e essa escassez programada deveria, em teoria, funcionar como um piso para os preços ao longo do tempo. Joshua Lim, ex-chefe de derivativos da Genesis Trading, explicou o mecanismo psicológico por trás disso: "1 BTC = 1 BTC é algo que os maximalistas do bitcoin dizem quando olhar para o preço em dólares do BTC se torna muito doloroso. A implicação é que o BTC acabará se tornando uma unidade de conta, portanto, concentre-se no número absoluto de BTC que você possui hoje."

É uma mudança reveladora. Quando a narrativa anterior — o bitcoin como proteção contra inflação — começou a falhar, alguns observadores do mercado sugeriram que a culpa era de uma compreensão equivocada. Ilan Solot, da Tagus Capital, argumentou que a narrativa nunca foi a de um rastreador de inflação, como um título protegido contra inflação. "O bitcoin era uma proteção contra a impressão irresponsável de dinheiro pelos bancos centrais", disse ele. Mas essa distinção sutil não muda o fato básico: o bitcoin caiu enquanto a inflação subiu, e nenhuma quantidade de reinterpretação pode apagar essa realidade.

O que é notável é que nem todos os investidores foram dissuadidos. A porcentagem de bitcoin que não foi movida por mais de um ano permaneceu estável em 68% — na verdade, esse é o nível mais alto desde 2014, de acordo com dados da FRNT Financial Inc. Há, portanto, um núcleo duro de detentores que não estão vendendo, independentemente do preço. Alguns deles podem estar simplesmente esperando. Outros podem estar verdadeiramente convencidos de que a oferta fixa é tudo o que importa.

Mas Stephane Ouellette, executivo-chefe da FRNT, oferece uma perspectiva mais sóbria. O bitcoin, disse ele, ainda está preso ao ambiente macroeconômico mais amplo. Não quebrou sua correlação com outros ativos de risco. "A narrativa tende a seguir os mercados, com mais frequência do que o contrário", observou. "Quando as coisas estão correlacionadas, uma maneira de ver é que é o mesmo tipo de traders de estratégias que estão envolvidos." Ele reconheceu que há uma porcentagem crescente de detentores de bitcoin que nunca venderão, e que em algum ponto a moeda pode começar a se comportar de forma diferente dos ativos de risco. Mas claramente, disse ele, ainda não chegou lá. A nova narrativa — 1 BTC = 1 BTC — pode ser reconfortante para quem está segurando a moeda em meio a uma queda profunda. Mas ela não muda o fato de que o bitcoin ainda dança ao ritmo do mercado mais amplo, e que as histórias que contamos sobre ele tendem a ser consequência, não causa.

1 BTC = 1 BTC é algo que os maximalistas do bitcoin dizem quando olhar para o preço em dólares do BTC se torna muito doloroso
— Joshua Lim, ex-chefe de derivativos da Genesis Trading
A narrativa tende a seguir os mercados, com mais frequência do que o contrário
— Stephane Ouellette, executivo-chefe da FRNT Financial
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