Zema usa Taylor Swift em vídeo com IA para ironizar Lula e Wagner

Lula diz que já passou pelo mensalão, pelo petrolão e voltou à Presidência
Na sátira de Zema, o presidente fictício usa seu histórico de crises políticas como tranquilizador para Wagner.

No cruzamento entre tecnologia, humor político e litígio judicial, o ex-governador Romeu Zema voltou a usar inteligência artificial para satirizar figuras do poder — desta vez colocando Lula e o senador Jaques Wagner no centro de um diálogo ficcional que evoca investigações policiais e ingressos de show. O gesto não é isolado: integra uma série que já rendeu a Zema uma denúncia formal por calúnia e uma ação no Supremo Tribunal Federal. O episódio revela como a IA se tornou, no Brasil de 2026, um novo campo de batalha onde sátira e difamação disputam os mesmos pixels.

  • A Polícia Federal deflagrou a nona fase da operação Compliance Zero em 18 de junho, mirando o senador Jaques Wagner e suspeitas de irregularidades ligadas ao Banco Master — incluindo a compra de ingressos de Taylor Swift por mais de 63 mil reais.
  • Dois dias depois, Zema publicou um vídeo com avatares de IA de Lula e Wagner trocando ironias sobre relógios apreendidos, apartamento de 2,5 milhões e a resiliência política do presidente — transformando o inquérito em roteiro de comédia.
  • Wagner respondeu pela assessoria: nega ser réu, nega ter atuado pelo Banco Master, nega que o apartamento seja seu e afirma que os valores apreendidos são diárias legais de missões internacionais.
  • A série 'Os Intocáveis' já custou a Zema uma denúncia da PGR por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes e uma tentativa de incluí-lo no inquérito das fake news no STF.
  • O caso expõe uma fronteira cada vez mais disputada na política brasileira: onde termina a sátira constitucionalmente protegida e onde começa a difamação amplificada por inteligência artificial.

Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo partido Novo, publicou no sábado 20 de junho mais um episódio de sua série 'Os Intocáveis', produzida com inteligência artificial. O vídeo, marcado com aviso de sátira e ficção, simula um diálogo entre o presidente Lula e o senador Jaques Wagner — líder do governo no Senado — em torno das investigações da operação Compliance Zero.

No roteiro ficcional, Wagner menciona a apreensão de 13 relógios de luxo pela PF e um apartamento de 2,5 milhões supostamente adquirido para uma de suas filhas. Lula, por sua vez, evoca sua própria trajetória — mensalão, petrolão, Lava Jato, prisão e retorno ao poder — como argumento para que o senador não se preocupe. A referência a Taylor Swift no título do vídeo não é acidental: dois dias antes, o ministro André Mendonça havia autorizado buscas com base em suspeitas que incluíam a compra de ingressos para shows da cantora, pagos pela Reag Investimentos por 63.339 reais em benefício de familiares de Wagner.

A assessoria do senador respondeu com firmeza: Wagner não é réu nem denunciado, nega qualquer atuação em favor do Banco Master, afirma que o apartamento nunca integrou seu patrimônio e esclarece que os valores em espécie apreendidos são diárias legais de missões internacionais, devidamente declaradas. Disse acompanhar as investigações com tranquilidade.

A série já tem consequências jurídicas concretas para Zema. Episódios anteriores satirizando os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes levaram Gilmar a acionar o STF para incluir o ex-governador no inquérito das fake news. Em maio, a Procuradoria-Geral da República o denunciou formalmente por calúnia. O caso se torna um retrato do novo terreno da disputa política brasileira: a inteligência artificial como ferramenta de crítica — e de risco — para quem a maneja.

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pela legenda Novo, lançou no sábado 20 de junho um novo episódio de sua série "Os Intocáveis", produzida integralmente com inteligência artificial. O vídeo, publicado em seu perfil oficial no Instagram, traz uma sátira que coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Jaques Wagner, líder do Governo no Senado, como personagens principais de um diálogo ficcional. A peça foi marcada com aviso de que contém sátira, ficção e conteúdo gerado por IA.

No vídeo, Zema simula uma conversa entre Lula e Wagner. O presidente pergunta ao senador se ele está calmo, ao que Wagner responde mencionando a apreensão de 13 relógios de luxo pela Polícia Federal. A sátira também faz referência a um apartamento avaliado em 2,5 milhões de reais que teria sido adquirido para uma das filhas de Wagner com intermediação de Augusto Lima. Em seguida, Lula afirma que já enfrentou o mensalão, o petrolão e a Lava Jato, foi preso e retornou à Presidência — uma fala que funciona como alusão para que Wagner não se preocupe com a operação Compliance Zero.

A escolha de mencionar Taylor Swift no título e na legenda do vídeo não é aleatória. Dois dias antes da publicação, Wagner havia sido alvo da nona fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira 18 de junho. A investigação examina suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e agentes públicos. Na decisão que autorizou as buscas, o ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal menciona a compra de ingressos para camarote destinados a familiares de Wagner. Segundo o documento, os bilhetes foram adquiridos pela Reag Investimentos S.A. por 63.339 reais. O jornal O Globo informou que os ingressos eram para apresentações da cantora Taylor Swift nos Estados Unidos e em São Paulo.

Zema usa essa referência para associar Wagner ao episódio dos ingressos de forma irônica. A série "Os Intocáveis" já se tornou uma marca da estratégia comunicativa do ex-governador. Em episódios anteriores, ele satirizou os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, fazendo referências a voos em jatinhos, ao Fórum de Lisboa e a outros episódios ligados ao Banco Master. Essas produções levaram Gilmar a acionar o Supremo contra Zema, pedindo que o ex-governador fosse incluído no inquérito das fake news sob o argumento de que os vídeos usariam conteúdo falso gerado por IA para atingir a honra de integrantes da Corte. A Procuradoria Geral da República denunciou Zema por calúnia contra Gilmar em maio.

Wagner, por sua vez, respondeu através de sua assessoria. O senador esclareceu que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. Afirmou que acompanha as investigações com tranquilidade e mantém confiança na condução delas. Negou que o apartamento mencionado jamais tenha integrado seu patrimônio. Também negou atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira. Quanto aos valores em espécie apreendidos, a assessoria informou que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais. Wagner reiterou que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

O episódio ilustra a crescente tensão entre estratégias de comunicação política que usam inteligência artificial para criar conteúdo satírico e as respostas institucionais de figuras públicas investigadas. Enquanto Zema continua produzindo sua série de vídeos críticos sobre investigações em curso, a série já gerou consequências legais significativas, com denúncias formais e ações no Supremo Tribunal Federal. O uso de IA para criar versões fictícias de políticos em situações comprometedoras marca um novo terreno na disputa política brasileira, onde a linha entre sátira protegida e difamação se torna cada vez mais contestada.

Não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados
— Assessoria de Jaques Wagner
Acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas
— Assessoria de Jaques Wagner
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Zema escolheu especificamente Taylor Swift para fazer essa crítica?

Model

Porque Wagner foi investigado por comprar ingressos para shows dela — é um detalhe real da operação Compliance Zero. Zema pegou um fato concreto e o transformou em sátira.

Inventor

Mas Wagner nega estar envolvido em irregularidades. Como ele responde a isso?

Model

Ele diz que não é réu, não foi denunciado, não foi acusado. Que acompanha tudo com tranquilidade. É a resposta padrão de quem está sob investigação mas ainda não foi formalmente acusado.

Inventor

Essa série de vídeos já causou problemas legais para Zema?

Model

Sim. Gilmar Mendes o denunciou por calúnia, e a PGR formalizou a denúncia em maio. Agora Zema está sendo investigado por usar IA para criar conteúdo que supostamente ataca a honra de ministros.

Inventor

Então Zema está arriscando sua candidatura presidencial com esses vídeos?

Model

Aparentemente acha que vale a pena. Continua publicando. Talvez calcule que a visibilidade e o apoio de quem o vê como crítico do establishment compensam o risco legal.

Inventor

E a IA nesse contexto — ela muda algo?

Model

Muda tudo. Permite criar versões fictícias de pessoas reais dizendo coisas que nunca disseram. É sátira, mas é sátira que parece real. Por isso os ministros estão tão preocupados.

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