Os usuários voltaram ao XP; a Microsoft descontinuou o antecessor
Há 14 anos, o Windows Vista chegava ao mundo carregando promessas que o peso de seu próprio código logo desfaria. O aniversário convida a uma reflexão mais ampla: a Microsoft, uma das empresas mais poderosas da história da tecnologia, construiu seu legado não apenas sobre conquistas, mas sobre uma série de apostas corajosas que o mercado simplesmente recusou. Fracassar em escala global, e ainda assim persistir, é talvez a narrativa mais honesta que uma corporação pode oferecer.
- O Windows Vista prometeu uma revolução e entregou lentidão, incompatibilidade e abandono em massa — os próprios usuários fugiram de volta ao sistema que ele deveria substituir.
- A Microsoft repetiu o padrão com o Windows 8, o Windows Phone e o Internet Explorer 6, cada um ignorando o que o público realmente queria e abrindo espaço para concorrentes mais ágeis.
- Bilhões de dólares foram investidos em apostas como o Bing e a aquisição da divisão móvel da Nokia, sem que nenhuma delas conseguisse abalar o domínio do Google ou dos sistemas iOS e Android.
- A empresa tenta reescrever sua trajetória móvel produzindo aplicativos para Android e firmando parcerias com fabricantes como a Samsung, reconhecendo que o campo de batalha mudou.
- O Microsoft Edge conquistou 10% do mercado de navegadores em 2020, sinalizando que a empresa ainda é capaz de aprender com seus erros — mesmo que a lição demore anos para chegar.
Neste 30 de janeiro de 2021, o Windows Vista completa 14 anos — e o aniversário serve menos como celebração do que como convite à memória. Quando chegou em 2007, o sistema prometia segurança, velocidade e a superação definitiva do Windows XP. O que entregou foi lentidão, incompatibilidade generalizada e a humilhação de ver seus próprios usuários migrarem de volta ao predecessor. Aposentado em 2009, apenas dois anos após o lançamento, o Vista abriu caminho para o Windows 7 — tudo o que ele deveria ter sido.
Mas o Vista não foi um tropeço isolado. Em 1995, a Microsoft lançou o Microsoft Bob, uma interface doméstica com 17 personagens ajudantes e um preço de US$ 100 que o público simplesmente não estava disposto a pagar. Descontinuado em menos de um ano, o Bob é até hoje considerado o maior fracasso da empresa — reconhecido pela própria Microsoft. Já o Bing, lançado em 2009 com uma campanha de US$ 100 milhões, nunca conseguiu arranhar o domínio do Google, mesmo depois de anos de estratégias criativas que incluíam recompensar usuários com acesso a serviços de streaming.
O Internet Explorer 6, repleto de bugs e vulnerabilidades ignoradas, entregou de bandeja o mercado de navegadores para Firefox e Chrome. O Windows 8, em 2012, repetiu o erro do Vista ao impor uma interface inspirada em celulares a usuários de desktop que não pediram por isso — a remoção do menu Iniciar foi sentida como uma afronta, e muitos pularam direto para o Windows 10. O Windows Phone, por sua vez, nunca saiu dos 5% de participação de mercado; a compra da divisão móvel da Nokia por US$ 7 bilhões em 2014 não salvou o projeto, e em 2017 o sistema representava apenas 0,1% dos usuários.
Hoje, a Microsoft abandonou a ideia de um sistema operacional móvel próprio e aposta em aplicativos para Android e parcerias com fabricantes como a Samsung. O Microsoft Edge, refeito sobre base Chromium, conquistou 10% do mercado em 2020. A história que o Vista ajuda a contar não é apenas de fracassos — é de uma empresa que continua tentando, mesmo quando o mercado diz não.
Neste sábado, 30 de janeiro de 2021, o Windows Vista completa 14 anos de existência. Quando chegou ao mercado em 2007, o sistema operacional da Microsoft prometia ser uma revolução: altamente seguro, veloz, e o sucessor natural do bem-sucedido Windows XP. Nenhuma dessas promessas se concretizou. O Vista era pesado demais, exigia muito dos computadores e não rodava com eficiência em muitas máquinas. Pior ainda, tinha problemas graves de compatibilidade. Os usuários, decepcionados, simplesmente voltaram ao XP — e a Microsoft, em uma decisão que só aumentou a frustração, descontinuou o antecessor. As comparações constantes entre os dois sistemas nunca favoreceram o Vista. O sistema foi aposentado em 2009, apenas dois anos depois de seu lançamento, quando o Windows 7 chegou ao mercado como uma alternativa mais rápida, mais eficiente e muito menos criticada.
Mas o Vista não foi um acidente isolado. A Microsoft tem um histórico longo de apostas que não deram certo. Em 1995, a empresa lançou o Microsoft Bob, um programa que tentava ensinar usuários a navegar pelo Windows através de uma interface que simulava uma casa, com 17 personagens ajudantes — desde um cachorro até o clipe de papel que se tornaria famoso no Office. A ideia era inovadora, mas o produto era caro (custava US$ 100 na época) e foi alvo de críticas severas de veículos especializados. Descontinuado no ano seguinte, o Bob é considerado por muitos o maior fracasso da história da empresa. Até a própria Microsoft reconheceu o fiasco.
O Bing, lançado em 2009 como um sistema de busca para competir com o Google, é outro exemplo de investimento que não retornou. A Microsoft gastou cerca de US$ 100 milhões apenas na campanha de lançamento, além de diversos programas de marketing ao longo dos anos. Tentou de tudo: em 2017, recompensava usuários que pesquisavam no Bing com prêmios como acesso ao Groove Music Pass, um serviço de streaming de música próprio. Nada funcionou. O Bing nunca conseguiu bater de frente com o Google e continua sendo um fracasso que segue ativo, mas praticamente invisível no mercado.
O Internet Explorer 6 é outro capítulo de queda. Lançado em 2001 junto ao Windows XP, o IE6 era repleto de bugs e tinha um sistema de segurança fraco. Enquanto a Microsoft ignorava os problemas, concorrentes como Firefox e Chrome ganhavam força, oferecendo navegadores mais seguros e leves. O descaso da empresa abriu caminho para que perdesse seu domínio no mercado de navegadores. Mesmo com versões posteriores e o Microsoft Edge — que recentemente conquistou 10% da fatia de mercado em 2020 — a empresa nunca conseguiu recuperar o terreno perdido.
O Windows 8, lançado em 2012, repetiu o erro do Vista. Sucessor direto do Windows 7, um dos grandes sucessos da Microsoft, o Windows 8 tentou mesclar as tendências das interfaces de celulares e tablets com o computador. Usuários odiaram a mudança brusca. O sistema não era intuitivo, a aposta na interface touch screen não agradou, e a remoção do menu Iniciar — um ponto de partida fundamental para os Windows anteriores — foi sentida como uma afronta. Muitos usuários voltaram ao Windows 7; outros pularam direto para o Windows 10, que foi pensado para corrigir os problemas da versão anterior.
O Windows Phone, lançado em 2010, foi a tentativa da Microsoft de entrar no mercado de smartphones enquanto Apple e Google dominavam com iOS e Android. O sistema nunca decolou. Representava apenas 5% dos usuários na época, e esse número caiu drasticamente com o tempo. Em 2014, a Microsoft comprou a divisão de celulares da Nokia por US$ 7 bilhões, uma jogada desesperada para tentar alavancar o produto. Em 2016, o Windows Phone virou Windows 10 Mobile, prometendo integração entre smartphone e PC. Não foi suficiente. Um ano depois, em 2017, o sistema representava apenas 0,1% da fatia de mercado. Hoje, a Microsoft abandonou a ideia de um sistema operacional móvel próprio e produz aplicativos para Android, além de manter parcerias com empresas como Samsung para integrar smartphones a computadores com Windows. A história mostra uma empresa que, apesar de seus fracassos, continua tentando inovar — e ocasionalmente, conseguindo.
Citas Notables
A própria Microsoft reconheceu o Microsoft Bob como o grande fracasso da empresa— Análise editorial
O Bing não conseguiu competir com o Google e foi mais um fracasso da Microsoft, apesar dos investimentos significativos— Análise editorial
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o Vista foi tão ruim se a Microsoft tinha recursos para fazer melhor?
O Vista prometia segurança e velocidade, mas era tão pesado que exigia computadores muito mais potentes do que a maioria das pessoas tinha. Era como prometer um carro rápido que só funciona com gasolina especial cara.
E por que a Microsoft não corrigiu os problemas rapidamente?
Porque o dano já estava feito. Os usuários voltaram ao XP, que funcionava bem, e a Microsoft cometeu o erro de descontinuar o XP para forçar a migração. Isso só irritou mais as pessoas.
O Microsoft Bob parece absurdo hoje. Como a empresa pensou que aquilo funcionaria?
Na época, o Windows era novo e complicado para muitos usuários. A ideia de ter personagens ajudantes era inovadora. O problema foi que era caro demais e não simplificava nada — na verdade, tornava tudo mais lento e confuso.
A Microsoft aprendeu com esses fracassos?
Parcialmente. O Windows 10 foi uma resposta direta aos erros do 8. Mas o padrão é claro: quando a Microsoft tenta forçar mudanças radicais, os usuários resistem. Quando ouve o mercado, como fez com o Edge recentemente, consegue ganhar espaço.
Por que a empresa continua tentando em áreas onde fracassa?
Porque o mercado é grande demais para ignorar. Smartphones, buscadores, navegadores — todos são importantes. A Microsoft não pode simplesmente desistir. Mas também não consegue ser a melhor em tudo.