Wall Street fecha dividida entre resultados empresariais e incerteza sobre planos de Biden

Há medo de uma recessão sem um novo estímulo
O economista Christopher Low resume o dilema que paralisa Wall Street entre ganhos corporativos e incerteza política.

Dow Jones caiu 0,74%, S&P500 recuou 0,51%, enquanto Nasdaq manteve equilíbrio após três recordes consecutivos. Microsoft e Alphabet atingiram máximas históricas com lucros robustos, mas Visa e Boeing arrastaram índices para baixo.

  • Dow Jones caiu 0,74% para 35.490,69 pontos; S&P500 recuou 0,51% para 4.551,68 unidades; Nasdaq manteve equilíbrio em 15.235,83 pontos
  • Microsoft atingiu máxima histórica com lucro de 20,5 mil milhões de dólares (alta de 48%); Alphabet também bateu recorde
  • Visa caiu 6,92% e Boeing recuou 1,53%, arrastando o Dow Jones para baixo
  • Planos de investimento de Biden em negociação no Congresso podem ultrapassar 3 biliões de dólares
  • Twitter despencou 10,78% após perda trimestral; Robinhood caiu 10,44% por resultados dececionantes

Wall Street encerrou sem direção clara, com investidores divididos entre resultados empresariais positivos e incerteza sobre planos de investimento de Biden no Congresso.

A bolsa de Nova Iorque encerrou a sessão de quarta-feira sem uma direção clara, oscilando entre dois pesos que puxavam em sentidos opostos. De um lado, os investidores celebravam resultados empresariais robustos — a Microsoft atingiu máximas históricas com lucros em alta de 48%, a Alphabet também bateu recordes, e a McDonald's fechou com ganhos de 2,67%. Do outro lado, pairava a incerteza sobre o Congresso, onde os democratas continuavam a negociar o conteúdo e o financiamento de dois planos de investimento que poderiam ultrapassar os três biliões de dólares. O resultado foi um mercado dividido, incapaz de encontrar um rumo.

Os números finais refletem essa divisão. O Dow Jones Industrial Average recuou 0,74%, fechando em 35.490,69 pontos. O S&P500 caiu 0,51%, para 4.551,68 unidades. O Nasdaq, por sua vez, manteve-se no ponto de equilíbrio, em 15.235,83 pontos. Os três índices tinham aberto em alta, mas rapidamente o Dow Jones inverteu a trajetória, enquanto o S&P500 ziguezagueou em torno do zero antes de deslizar para território negativo.

Christopher Low, economista-chefe da FHN Financial, atribuiu o recuo à concretização de ganhos após três recordes consecutivos do Dow Jones. "Provavelmente atingimos o limiar das vendas para alguns", disse o analista. O desempenho negativo de duas empresas de peso no índice acelerou a queda: a Visa caiu 6,92%, afetada por previsões consideradas demasiado prudentes, e a Boeing recuou 1,53%, penalizada por novas perdas trimestrais. Juntas, estas duas ações representam mais de oito por cento do Dow Jones.

No final da sessão, os investidores voltaram a atenção para o Congresso, onde a negociação dos planos de investimento presidenciais ganhou protagonismo. A incerteza sobre se estes planos seriam aprovados começou a pesar nas decisões de mercado. Low explicou o dilema: "Neste momento, os volumes de negócio não sustentam o ritmo da inflação, pelo que penso que há medo de uma recessão sem um novo estímulo". Os investidores, que tinham sido entusiastas com o grande incentivo à economia, tornaram-se receosos com a possibilidade de contribuir para uma inflação ainda maior, e agora temiam o fracasso dos planos.

Os rendimentos das obrigações evoluíram na direção oposta. O rendimento dos títulos de dívida pública dos EUA a 10 anos caiu para 1,53%, face aos 1,61% do dia anterior. Esta queda refletia a expectativa de que um fracasso dos planos de investimento seria contrário a uma subida esperada da taxa de juro de referência da Reserva Federal.

Entre os vencedores do dia, a Microsoft destacou-se com um avanço de 4,21%, impulsionada por um lucro trimestral de 20,5 mil milhões de dólares. A Alphabet também brilhou, com uma valorização de 4,84% e uma cotação que a aproximava de uma capitalização bolsista próxima dos dois biliões de dólares. A Coca-Cola avançou 1,93%, após ter revisto em alta os seus objetivos para 2021.

No lado oposto, a Twitter despencou 10,78% após divulgar uma forte perda trimestral, agravada por um processo judicial. A Robinhood caiu 10,44%, penalizada por resultados dececionantes, particularmente pela diminuição das transações em moedas digitais, uma importante fonte de rendimentos para a plataforma. Estes movimentos extremos ilustravam a volatilidade de um mercado ainda indeciso sobre qual força — os ganhos corporativos ou a incerteza política — teria o último dizer.

Provavelmente atingimos o limiar das vendas para alguns
— Christopher Low, economista-chefe da FHN Financial
Neste momento, os volumes de negócio não sustentam o ritmo da inflação, pelo que penso que há medo de uma recessão sem um novo estímulo
— Christopher Low, FHN Financial
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como é que resultados empresariais tão fortes não conseguem impulsionar o mercado para cima?

Model

Porque o mercado não vive apenas do presente. Quando a Microsoft ganha 20,5 mil milhões de dólares, isso é excelente. Mas se os investidores acreditam que uma recessão está à espreita — porque os planos de estímulo de Biden podem falhar — eles vendem mesmo as boas notícias. É como ter um negócio próspero mas estar preocupado com o futuro.

Inventor

E por que é que o Nasdaq se manteve em equilíbrio enquanto o Dow Jones caiu?

Model

O Nasdaq é mais pesado em tecnologia, e a Microsoft e a Alphabet tiveram dias brilhantes. Já o Dow Jones tem mais empresas tradicionais, e a Visa e a Boeing — duas gigantes — tiveram quedas significativas. O índice é uma média ponderada, portanto duas grandes quedas puxam tudo para baixo.

Inventor

Os investidores têm realmente medo de uma recessão?

Model

Têm medo do cenário específico de uma recessão sem estímulo. Se os planos de Biden passarem, há dinheiro novo na economia. Se falharem, há inflação alta mas sem apoio — é o pior dos dois mundos. Por isso é que o Congresso se tornou tão importante neste dia.

Inventor

E as obrigações? Por que caíram os rendimentos?

Model

Porque se os planos falharem, a Reserva Federal não vai conseguir subir as taxas de juro tão cedo quanto esperado. Obrigações com rendimentos mais baixos tornam-se mais atrativas quando as taxas de juro vão estar baixas por mais tempo. É uma aposta no fracasso.

Inventor

Então o mercado está à espera de más notícias do Congresso?

Model

Não exatamente. O mercado está à espera de clareza. A incerteza é o inimigo. Se soubesse que os planos iam falhar, já teria reagido. Se soubesse que iam passar, também. Está preso no meio, e isso paralisa as decisões.

Contáctanos FAQ