Vodafone, MEO e NOS aumentam preços em fevereiro e março; Nowo mantém tarifas

Três operadoras aumentam; uma recusa e aposta na lealdade
Enquanto Vodafone, MEO e NOS reajustam tarifas, a Nowo mantém preços estáveis como diferenciador de mercado.

No limiar de 2023, os portugueses confrontaram-se com uma realidade que já se adivinhava: o peso da inflação chegou às faturas de telecomunicações. Três das quatro grandes operadoras — Vodafone, MEO e NOS — anunciaram aumentos de preços para fevereiro e março, invocando pressões macroeconómicas e geopolíticas como justificação. A Nowo, numa postura singular, escolheu absorver os custos e manter os preços estáveis, lembrando que nem todas as empresas respondem da mesma forma às mesmas circunstâncias.

  • Três das quatro maiores operadoras portuguesas anunciaram aumentos de preços em simultâneo, criando um momento de pressão coletiva sobre os orçamentos das famílias.
  • A Vodafone lidera em magnitude com subidas até 7,8% a partir de março, enquanto a NOS indexa os seus aumentos ao IPC de 2022, tornando a inflação oficial no critério de reajuste.
  • A MEO protege cerca de cem mil clientes — reformados e utilizadores exclusivos de voz fixa — numa tentativa de atenuar o impacto social mais sensível da medida.
  • A Nowo contraria a tendência do setor e compromete-se a não aumentar tarifas, posicionando-se como alternativa para consumidores em busca de estabilidade.
  • Os clientes das operadoras que sobem preços foram orientados a consultar os respetivos sites a partir de 23 de janeiro para conhecerem o impacto concreto nas suas faturas.

No início de 2023, três das quatro principais operadoras de telecomunicações em Portugal — MEO, NOS e Vodafone — anunciaram aumentos de preços para os meses de fevereiro e março, deixando os consumidores a prepararem-se para faturas mais pesadas.

A MEO foi a primeira a agir, com aumentos a entrar em vigor em fevereiro. A operadora ressalvou, porém, que cerca de cem mil clientes ficariam isentos: reformados com planos específicos e utilizadores exclusivos de voz fixa. A NOS seguiu o mesmo calendário, ajustando as mensalidades com base no Índice de Preços do Consumidor de 2022, e disponibilizou a cada cliente a consulta do seu aumento específico no site da empresa a partir de 23 de janeiro.

A Vodafone optou por um calendário ligeiramente mais tardio — 1 de março —, com subidas que podem atingir os 7,8%. A empresa invocou a inflação e o impacto do contexto geopolítico num setor que descreveu como fortemente afetado pelas circunstâncias globais.

Numa posição distinta, a Nowo — controlada pela Cabonitel, então em processo de aquisição pela Vodafone — anunciou que não aumentaria tarifas, nem para clientes existentes nem para novos. A operadora reafirmou o compromisso de absorver os custos crescentes, incluindo os de energia, mantendo uma estratégia de preços que acompanhe a realidade das famílias portuguesas. Para os consumidores, ficou assim uma alternativa no mercado para quem procurasse estabilidade num momento de pressão generalizada.

No início de 2023, os portugueses que recebem faturas de telecomunicações começaram a preparar-se para notícias desagradáveis. Três das quatro principais operadoras do país — Vodafone, MEO e NOS — anunciaram aumentos de preços que entrariam em vigor ao longo dos próximos dois meses, deixando apenas a Nowo fora desta tendência.

A Altice Portugal, proprietária da MEO, foi a primeira a comunicar a decisão. A partir de fevereiro, os clientes veriam as suas faturas aumentadas, com uma exceção importante: aqueles que tinham apenas serviço de voz fixa e os reformados com planos específicos para essa população ficariam protegidos. A empresa identificou cerca de cem mil clientes nesta categoria que não seriam afetados pela atualização. Ana Figueiredo, presidente executiva da Altice Portugal, tinha já comunicado esta decisão em outubro do ano anterior.

A NOS seguiu o mesmo caminho, anunciando que ajustaria os preços de acordo com o Índice de Preços do Consumidor de 2022, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística. A operadora liderada por Miguel Almeida esclareceu que o aumento incidiria apenas sobre as mensalidades dos serviços, mantendo inalteradas outras tarifas. Os novos preços entrariam em vigor a 1 de fevereiro de 2023, e cada cliente poderia consultar o seu aumento específico no site da empresa a partir de 23 de janeiro.

A Vodafone Portugal optou por um calendário ligeiramente diferente, anunciando que os aumentos começariam a 1 de março, com um máximo de 7,8%. A empresa justificou a decisão citando a inflação medida pelo Índice de Preços no Consumidor de 2022 e o impacto do contexto macroeconómico e geopolítico no setor das telecomunicações, que descreveu como tendo sido "fortemente afetado" por estas circunstâncias.

Mas nem todas as operadoras seguiram este caminho. A Nowo, controlada pela Cabonitel — que estava em processo de compra pela Vodafone Portugal — anunciou que manteria os preços atuais. A operadora comunicou que não aumentaria tarifas nem para clientes existentes nem para novos clientes, reafirmando o seu compromisso em oferecer os melhores preços do mercado. Mesmo face ao aumento dos custos de energia, a Nowo declarou que continuaria a trabalhar para absorver estes aumentos, mantendo a sua estratégia de preços competitivos que acompanhassem a realidade das famílias portuguesas.

Para os consumidores, a mensagem era clara: a maioria das grandes operadoras estava a reajustar as suas tarifas em resposta às pressões inflacionárias, mas havia ainda uma alternativa no mercado para quem procurasse estabilidade de preços. Os clientes das operadoras que aumentavam preços foram aconselhados a consultar os sites das empresas para conhecer os seus aumentos específicos.

O setor das telecomunicações foi fortemente afetado pelo atual contexto macroeconómico e geopolítico
— Vodafone Portugal
Nowo irá continuar a trabalhar no sentido de suportar estes aumentos, fortalecendo a sua estratégia de manter os preços competitivos
— Nowo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que as operadoras justificam os aumentos com a inflação e não com lucros?

Model

Porque a inflação é o argumento que ressoa com os reguladores e com o público. É verdade que os custos de energia e de operação subiram, mas o timing — três operadoras ao mesmo tempo — sugere também uma coordenação de mercado.

Inventor

A Nowo consegue manter preços sem aumentar. Como?

Model

A Nowo é mais pequena, tem menos infraestrutura herdada, menos custos legados. Mas também está a fazer uma aposta: ganhar clientes descontentes com os aumentos das grandes. É uma estratégia de crescimento, não necessariamente de margem.

Inventor

Os reformados e clientes com voz fixa ficam protegidos na MEO. Porquê essa escolha?

Model

São grupos politicamente sensíveis. Reformados têm poder de voto, clientes com voz fixa são frequentemente idosos. A MEO está a fazer uma concessão simbólica que custa pouco — cem mil clientes — mas ganha goodwill.

Inventor

Se a Nowo é comprada pela Vodafone, estes preços vão durar?

Model

Provavelmente não. Uma vez integrada, a Vodafone alinhará a Nowo com a sua estratégia de preços. A Nowo está a aproveitar o período de transição para ganhar quota de mercado.

Inventor

O que deveriam fazer os consumidores?

Model

Comparar as ofertas específicas no site de cada operadora a partir de 23 de janeiro. Os aumentos não são uniformes — dependem do tipo de serviço e do cliente. Há margem para negociar ou mudar.

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