Ele gosta de violentar mulher. A raiva é com mulher.
Há crimes que não terminam com a sentença — eles continuam vivendo no corpo e na memória das vítimas. Uma mulher violentada por Lázaro Barbosa em 2009 revela, doze anos depois, que o mesmo homem acusado de exterminar uma família inteira em Ceilândia carrega um padrão de ódio específico contra mulheres, marcado por frieza e necessidade de humilhação. O mesmo córrego que guardou o horror dela guardou também o corpo de Cleonice Marques de Andrade em 2021 — e essa coincidência geográfica diz algo sobre a natureza persistente e metódica da violência.
- Lázaro Barbosa, foragido há nove dias e cercado por mais de 200 policiais, não é um criminoso de impulso — sua vítima de 2009 descreve um homem frio, meticuloso e movido por ódio direcionado especificamente a mulheres.
- O mesmo córrego onde ela foi estuprada tornou-se o local onde o corpo de Cleonice Marques de Andrade foi encontrado, transformando uma memória traumática em uma ferida reaberta.
- A vítima não consegue compreender como Lázaro foi solto repetidas vezes — preso em 2009, fugiu em 2016, recapturado em 2018 e solto novamente — e relata que ele chegou a voltar atrás dela após uma saída temporária.
- Com a fuga em curso, sua ansiedade retornou com força: 'Meu corpo fica gelado e tremendo', descreve, enquanto o suspeito continua invadindo chácaras e deixando rastros de terror na zona rural do Distrito Federal.
Em 2009, Lázaro Barbosa e seu irmão Deusdete invadiram uma chácara no Sol Nascente, vizinho a Ceilândia, e levaram uma jovem de 19 anos até um córrego próximo, onde a violentaram. Doze anos depois, aquela mulher soube que Lázaro havia matado uma família inteira — pai, dois filhos e a esposa Cleonice Marques de Andrade — e que o corpo de Cleonice havia sido encontrado à beira do mesmo córrego. "Depois que a Cleonice morreu, fiquei bem abalada. Mexeu muito comigo", disse ela à imprensa, pedindo para não ser identificada.
O que ela descreveu não era um criminoso caótico, mas alguém com método. Frieza, crueldade calculada, e uma raiva que parecia ter endereço certo: as mulheres. Ele roubava — dinheiro, celulares — mas o roubo era pretexto. O que ele buscava era a humilhação, o poder sobre as vítimas. "Tem um pouco da questão da psicopatia, gosta de subjugar mulher e tirar moral", afirmou.
O histórico de Lázaro era uma sequência de prisões e fugas. Condenado em 2009, escapou do Complexo da Papuda em 2016 durante uma saída temporária de Páscoa da qual nunca retornou. Recapturado em 2018, foi solto meses depois. A vítima soube, pela Polícia Civil, que ele havia voltado atrás dela após um desses "saidões". "Não era para estar solto", disse com indignação.
Enquanto a polícia mobilizava mais de 200 agentes e helicópteros em uma área de matagal no distrito de Girassol, Lázaro continuava em fuga — invadindo chácaras, quebrando portas, levando o que encontrava pela frente. Para a mulher que sobreviveu a ele em 2009, cada novo crime era uma confirmação do que ela já sabia: que aquele homem nunca deveria ter sido solto.
Lázaro Barbosa tinha 32 anos quando a polícia do Distrito Federal o procurava por assassinato. Mas antes disso — muito antes — ele já havia sido condenado por estupro. Em 2009, ele e seu irmão Deusdete invadiram uma chácara na comunidade do Sol Nascente, vizinha a Ceilândia. A mulher que morava lá tinha 19 anos. Não encontraram dinheiro na casa, então a levaram até um córrego próximo e a violentaram.
Doze anos depois, aquela mulher ainda vivia com o peso daquele dia. Quando soube que Lázaro havia matado uma família inteira — Cláudio Vidal de Oliveira, seus filhos Gustavo, de 21 anos, e Carlos Eduardo, de 15, e a esposa Cleonice Marques de Andrade, de 43 anos — em junho de 2021, algo dentro dela desabou novamente. O corpo de Cleonice foi encontrado à beira do mesmo córrego onde ela havia sido estuprada. "Ela foi morta no começo e eu fui violentada quase no final do córrego", contou à imprensa, pedindo para não ser identificada. "Depois que a Cleonice morreu, fiquei bem abalada. Mexeu muito comigo."
O que a vítima de 2009 viu em Lázaro, olhando para trás, era um padrão. Ele não era um criminoso aleatório. Havia método nele, frieza, uma crueldade que parecia pensada. "Frieza mesmo, bem meticuloso. Ele é bem cruel, é um bárbaro e torturador", descreveu. Ela notou algo mais específico ainda: sua raiva parecia direcionada. "Ele gosta de violentar mulher. O negócio dele é com mulher, a raiva é com mulher." Ele roubava — dinheiro, celulares — mas o roubo não era o ponto. O ponto era a humilhação, a subjugação, o poder exercido sobre as vítimas. "Tem um pouco da questão da psicopatia, gosta de subjugar mulher e tirar moral."
O histórico de Lázaro era um catálogo de fugas. Preso em 2009 pela violação, conseguiu escapar do Complexo Penitenciário da Papuda em 2016, durante uma saída temporária de Páscoa da qual nunca retornou. Em 2018, foi capturado novamente em Águas Lindas de Goiás, mas saiu da prisão poucos meses depois. Agora, em junho de 2021, a polícia o perseguia há nove dias com um aparato de mais de 200 policiais e cães farejadores.
A vítima de 2009 não conseguia entender como ele havia sido solto. "Não era para estar solto", disse. Ela havia se mudado, sua família havia vendido a chácara, mas sabia — porque a Polícia Civil havia informado — que ele havia voltado atrás dela depois de um "saidão", uma saída temporária. Agora vivia com ansiedade renovada. "Minha ansiedade voltou, meu corpo fica gelado e tremendo. É inacreditável que soltaram um maníaco desses, sequestrador, estuprador e torturador."
O irmão de Lázaro, Deusdete, havia morrido cinco anos antes, mas a vítima ainda se lembrava dele com horror. Na época do estupro, ele mandava mensagens constantemente dizendo que a mataria. "O tanto de maldade que fizeram com a gente… O irmão dele na época mandava mensagem o tempo todo, (dizendo) que ia me matar. É muito inacreditável."
Enquanto isso, a polícia se concentrava em uma área de matagal no distrito de Girassol. Um morador relatou ter visto Lázaro invadindo uma chácara naquela sexta-feira. "O vizinho viu ele entrando no bananal. Na mesma hora, coisa de segundos, a polícia chegou", contou o chacareiro Alan Reis. "Entrou no mato. Rapidinho os helicópteros chegaram e, pelo jeito, ele invadiu nossa casa. Quebrou a porta, revirou as roupas da minha esposa e levou o queijo." A fuga continuava, e com ela, o terror que deixava para trás.
Citas Notables
Frieza mesmo, bem meticuloso. Ele é bem cruel, é um bárbaro e torturador.— Vítima de estupro de 2009
Não era para estar solto.— Vítima de estupro de 2009
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que você acha que ela decidiu falar agora, depois de doze anos?
Porque o silêncio deixa de fazer sentido quando você vê o padrão se repetir. Quando soube que ele havia matado uma família inteira no mesmo lugar onde a violentou, algo quebrou. Não era mais um crime isolado.
Ela descreve uma "frieza" muito específica nele. O que você acha que ela quer dizer com isso?
Que não era raiva cega, não era impulso. Era calculado. Ele escolhia as vítimas, escolhia o lugar, escolhia como humilhá-las. A frieza é o oposto do crime passional — é o crime pensado.
E essa coisa que ela diz sobre a raiva dele ser especificamente com mulheres?
Ela está nomeando algo que a polícia talvez não tenha visto claramente. Não é um serial killer genérico. É alguém com um alvo específico, com uma obsessão. As mulheres não eram vítimas aleatórias — eram o ponto.
Como ela consegue viver sabendo que ele está solto?
Ela não consegue, na verdade. Ela diz que sua ansiedade voltou, que seu corpo fica gelado e tremendo. Ela se mudou, sua família vendeu a propriedade, mas nenhum desses gestos a protegeu realmente. O medo é o que permanece.
Você acha que a polícia deveria ter mantido ele preso?
Ela acha. E é difícil discordar quando você vê o resultado — uma família morta, múltiplas invasões, um homem que escapou duas vezes do sistema. A pergunta dela é simples: por que foi solto?