Eu não tenho mais medo de ser eu, de falar tudo o que eu sinto
Aos vinte anos, Viih Tube transforma a experiência de ser julgada publicamente em matéria-prima literária: seu terceiro livro nasce do silêncio rompido pelo confinamento do BBB21, onde aprendeu que a autenticidade custa menos do que o medo de desagradar. O projeto é, ao mesmo tempo, confissão pessoal e diagnóstico cultural — um olhar sobre o que a internet faz às pessoas quando a crueldade substitui a conversa.
- Aos 20 anos, Viih Tube abre pré-venda de 'Cancelada', prometendo revelar episódios íntimos e polêmicos que nunca havia tornado públicos.
- O BBB21 funcionou como ponto de virada: o confinamento a libertou do medo crônico de ser cancelada, julgada ou mal interpretada.
- O livro vai além da autobiografia e se torna um manifesto contra a cultura do cancelamento, criticando a falta de empatia e a crueldade crescente nas redes.
- Viih Tube denuncia a hipocrisia de campanhas de saúde mental que coexistem com linchamentos virtuais, citando influenciadores em crise psicológica grave.
- A recepção do terceiro livro definirá se um quarto virá — focado em histórias anteriores à sua vida pública na internet.
Aos vinte anos, Viih Tube já tem histórias suficientes para três livros — e o terceiro, 'Cancelada – O que a internet não mostra', acaba de abrir pré-venda. A ex-BBB21 promete revelar episódios polêmicos e passagens íntimas nunca compartilhadas, incluindo detalhes sobre relacionamentos que podem surpreender seus seguidores. "Toda a verdade e a forma mais direta de ser eu", define.
O gatilho para escrever veio logo após o confinamento. Durante anos, Viih Tube viveu sob o peso do julgamento alheio e do medo do cancelamento. O BBB21 mudou isso. "Eu fui uma garota que viveu com medo por muito tempo", reflete. "Agora me sinto uma pessoa normal, que erra, que vai errar de novo." Essa transformação atravessa todo o livro, que ela descreve como um acerto de contas com a própria vergonha.
Mas 'Cancelada' também funciona como manifesto. Viih Tube observa que a internet, que em 2013 e 2014 era "um meio tão gostoso de conviver", tornou-se um espaço onde frustrações são descontadas sem consideração pelas consequências reais. Ela critica especialmente a hipocrisia de campanhas como o Setembro Amarelo: conscientizar sobre saúde mental para em seguida retomar o linchamento virtual, diz, não vale nada. Influenciadores, atores e cantores sofrem crises psicológicas sérias por conta desse ciclo.
Sobre o BBB21, ela reconhece os erros — jogou demais, ultrapassou limites. Mas a rejeição da eliminação pareceu menor do que cancelamentos anteriores. Desde que saiu, relata ter recebido sobretudo apoio. O livro emerge, assim, de um lugar de libertação conquistada: não para apagar o passado, mas para mostrar que é possível mudar o futuro mesmo carregando tudo que veio antes.
Aos vinte anos, Viih Tube já acumula histórias suficientes para preencher três livros. Seu terceiro, intitulado "Cancelada – O que a internet não mostra", acaba de abrir pré-venda com a promessa de revelar episódios polêmicos e passagens íntimas que nunca havia compartilhado publicamente. A ex-participante do BBB21 diz que os leitores encontrarão "toda a verdade e a forma mais direta de ser eu", incluindo detalhes sobre relacionamentos que acredita poder chocar seus seguidores.
O gatilho para escrever este livro veio imediatamente após sua saída do confinamento. Viih Tube descreve a experiência como libertadora — um momento em que finalmente deixou de ter medo de ser ela mesma, de falar o que sente, de expor suas fraquezas. Durante anos, ela viveu sob o peso da opinião alheia, do medo do cancelamento, da possibilidade de desagradar ou ser mal interpretada. O BBB21 funcionou como um ponto de inflexão. "Eu fui uma garota que viveu com medo por muito tempo", reflete. "Agora me sinto uma pessoa normal, que erra, que vai errar de novo."
Essa transformação pessoal permeia todo o projeto do livro. Viih Tube não apenas conta histórias; ela examina a própria relação com a vergonha e o julgamento. Deixou claro que não tem mais medo de seu passado, encarando cada episódio como uma lição de vida. Se um quarto livro vier a acontecer, promete ser um complemento focado em histórias anteriores à internet, momentos de sua vida pessoal que permaneceram guardados. A decisão dependerá da recepção do terceiro.
Mas o livro também funciona como um manifesto sobre a cultura do cancelamento. Viih Tube observa que a internet se transformou em um espaço cruel desde seus primórdios em 2013 e 2014, quando era "um meio tão gostoso de conviver". Hoje, as pessoas descontam frustrações online sem considerar as consequências reais. Ela critica especialmente a falta de empatia: pessoas julgam sem conhecer toda a história, xingam sem reconhecer que estão cometendo um erro ao fazê-lo. "Existe outra forma de ajudar as pessoas", diz.
O ponto que mais a preocupa é o impacto psicológico do linchamento virtual em celebridades. Viih Tube observa influenciadores, atores e cantores sofrendo com pensamentos suicidas e crises de saúde causadas pelo cancelamento. Ela critica a hipocrisia de campanhas como o Setembro Amarelo, que promovem conscientização sobre saúde mental apenas para retomar o cancelamento em seguida. "Não vale surfar a onda do setembro amarelo com hashtag pra engajar, e depois seguir linchando virtualmente", afirma.
Sobre sua própria experiência no BBB21, Viih Tube reconhece que cometeu erros — jogou demais, ultrapassou limites. Mas a rejeição que recebeu em sua eliminação, embora significativa, pareceu menor comparada a cancelamentos anteriores. "Pra mim foi fichinha lidar com tudo do Big Brother", comenta. Desde que saiu, relata ter recebido principalmente elogios e apoio de pessoas que apreciaram sua participação. Ainda assim, não assistiu a todos os episódios do programa — por enquanto, diz, isso não lhe faz bem.
O livro "Cancelada" emerge, portanto, não apenas como um relato pessoal, mas como uma reflexão sobre como a internet transformou a forma como julgamos uns aos outros. Viih Tube escreve a partir de um lugar de libertação conquistada, oferecendo ao leitor tanto suas histórias quanto suas convicções sobre empatia, evolução e a possibilidade de mudar o futuro mesmo quando o passado não pode ser apagado.
Citações Notáveis
Eu fui uma garota que viveu com medo por muito tempo. Medo de muita coisa, da opinião dos outros, do cancelamento em si, de desagradar, medo de ser mal interpretada.— Viih Tube
Acho que a empatia é uma coisa que sumiu na internet de uns tempos pra cá. Eu acho isso muito triste.— Viih Tube
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que você acha que o BBB foi tão transformador para você, especificamente?
Porque lá dentro eu não tinha escolha a não ser ser eu mesma. Sem filtro, sem controle total. E quando saí, percebi que aquilo que eu tanto temia — ser julgada, ser cancelada — já tinha acontecido tantas vezes antes que perdi o medo.
Mas você diz que recebeu rejeição alta na eliminação. Como isso se encaixa com essa libertação?
A rejeição foi real, mas foi pequena perto de outras que já vivi. Talvez porque eu já estava tão acostumada a ser criticada que aquilo não me destruiu. Saí e encontrei coisas boas, pessoas que gostaram de mim.
Você menciona que a internet era diferente em 2013. O que mudou?
A empatia sumiu. Antes era um espaço de dicas, de papos legais. Agora as pessoas descontam tudo lá, julgam sem saber a história toda, e acham que está tudo bem porque é só na internet.
E por que você acha que isso é importante abordar em um livro?
Porque vejo muita gente sofrendo com cancelamento, chegando a situações de saúde absurdas. E ninguém fala sobre isso de verdade. A gente só fala em setembro amarelo e depois volta a linchar.
Você tem medo de ser cancelada de novo ao publicar essas histórias?
Não. Porque eu não tenho mais vergonha de nada que vivi. Cada coisa é um passo à frente, uma lição. Se as pessoas vão me cancelar, que cancelem — mas pelo menos vão saber a verdade.