Homens jovens morrem 4,1 vezes mais que mulheres pela violência
O Brasil registra em 2024 uma expectativa de vida de 76,6 anos, mais um passo numa jornada que, desde 1940, acrescentou mais de três décadas à vida média do brasileiro. O avanço é sustentado pela queda da mortalidade infantil e por décadas de investimento em saúde pública, mas carrega uma sombra: homens jovens morrem em proporção muito superior às mulheres, não por biologia, mas pela violência que ainda define tantas trajetórias masculinas no país.
- Em menos de cem anos, o Brasil saltou de 45,5 para 76,6 anos de expectativa de vida — um ganho de mais de três décadas que transforma a escala humana do país.
- A violência distorce o retrato: homens de 20 a 24 anos morrem 4,1 vezes mais que mulheres da mesma idade, puxados por homicídios, suicídios e acidentes de trânsito.
- A mortalidade infantil caiu de 146,6 para 12,3 mortes por mil nascimentos desde 1940, resultado direto de vacinação, pré-natal, saneamento e programas de nutrição.
- A pandemia abriu uma cicatriz nos dados — a expectativa de vida recuou para 72,8 anos em 2021 —, mas o país retomou a trajetória ascendente já em 2022.
- Frente a Mônaco (86,5 anos) e Japão (84,9 anos), o Brasil ainda tem espaço considerável para avançar, especialmente se enfrentar a mortalidade masculina por causas externas.
Os brasileiros vivem mais. Nesta sexta-feira, o IBGE confirmou que a expectativa de vida no país chegou a 76,6 anos em 2024, um ganho de 2,5 meses em relação ao ano anterior. O número parece modesto, mas ganha outra dimensão quando se recua ao ponto de partida: em 1940, um brasileiro nascia esperando viver apenas 45,5 anos. Em menos de um século, o país acrescentou mais de 31 anos a essa conta.
O crescimento não é igual para todos. Mulheres vivem em média 79,9 anos; homens, 73,3. A diferença de quase sete anos reflete padrões biológicos, mas também uma realidade mais perturbadora. Entre jovens de 20 a 24 anos, homens morrem 4,1 vezes mais que mulheres. Na faixa de 15 a 19 anos, a proporção é de 3,4 vezes. Homicídios, suicídios e acidentes de trânsito concentram-se nessas idades e nesse sexo — e o IBGE é direto: sem esse impacto da violência, a expectativa de vida masculina seria consideravelmente maior.
Por trás do avanço geral está uma transformação profunda na saúde pública. A mortalidade infantil caiu de 146,6 para 12,3 mortes por mil nascimentos vivos desde 1940 — resultado de vacinação em massa, pré-natal, aleitamento materno, agentes comunitários de saúde e programas de nutrição, somados ao aumento da renda, da escolaridade e do acesso ao saneamento básico.
A pandemia deixou sua marca: em 2021, a expectativa de vida recuou para 72,8 anos, o pior resultado em décadas. O país se recuperou em 2022 e mantém a trajetória. Ainda assim, quando comparado a Mônaco (86,5 anos), Japão (84,9) ou Coreia do Sul (84,4), fica evidente que há espaço para avançar. Os idosos também ganham anos — uma mulher de 60 anos pode esperar viver mais 9,5 anos adicionais, contra 4,5 em 1940. O Brasil vive mais, mas de forma desigual: enquanto mulheres acumulam anos, homens jovens continuam perdendo-os para a violência.
Os brasileiros vivem mais. Nesta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou números que confirmam uma tendência que vem se consolidando há décadas: a expectativa de vida no país subiu para 76,6 anos em 2024, um ganho de 2,5 meses em relação ao ano anterior. É um avanço modesto em aparência, mas que se torna impressionante quando você recua o olhar para o século passado. Em 1940, quando o IBGE começou a medir essa métrica, um brasileiro nascia com perspectiva de viver apenas 45,5 anos. Em menos de cem anos, a população ganhou mais de 31 anos de vida.
O crescimento não é uniforme entre homens e mulheres. As mulheres brasileiras vivem, em média, 79,9 anos — um aumento de dois meses em relação a 2023. Os homens chegam aos 73,3 anos, também com ganho de dois meses. Essa diferença de quase sete anos reflete padrões biológicos conhecidos, mas também revela algo mais perturbador: a forma como a violência molda as trajetórias de vida dos homens jovens no país.
Os dados do IBGE expõem essa realidade com precisão. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, homens morrem 3,4 vezes mais que mulheres. Na faixa de 20 a 24 anos, essa proporção salta para 4,1 vezes. Entre 25 e 29 anos, volta a 3,5 vezes. A causa não é mistério: homicídios, suicídios e acidentes de trânsito concentram-se nessas idades e nesse sexo. Desde os anos 1980, essas mortes por causas externas passaram a elevar significativamente as taxas de mortalidade masculina. O instituto observa que, sem esse impacto da violência, a expectativa de vida dos homens brasileiros seria consideravelmente maior.
O aumento geral da longevidade está ancorado em transformações mais amplas na saúde pública. A mortalidade infantil caiu dramaticamente. A cada mil crianças nascidas vivas, 12,3 morrem antes de completar um ano. Em 2023, eram 12,5. Mas o contraste verdadeiro é com 1940, quando 146,6 bebês a cada mil não chegavam ao primeiro aniversário. O IBGE atribui essa queda a campanhas de vacinação em massa, ao acompanhamento pré-natal, ao aleitamento materno, ao trabalho de agentes comunitários de saúde e a programas de nutrição infantil. Também pesaram o aumento da renda familiar, da escolaridade e a expansão do acesso ao saneamento básico.
A pandemia de coronavírus deixou sua marca nos registros. Em 2021, a expectativa de vida caiu para 72,8 anos — o pior resultado em décadas. Mas o país se recuperou em 2022 e mantém a trajetória de crescimento. Quando se compara o Brasil a outras nações, o quadro fica mais claro. Mônaco lidera com 86,5 anos de expectativa de vida, seguido por San Marino (85,8), Hong Kong (85,6), Japão (84,9) e Coreia do Sul (84,4). O Brasil ainda tem espaço para avançar.
Os idosos brasileiros também vivem mais. Desde 1940, a expectativa de vida adicional para quem já chegou à velhice aumentou mais de nove anos. Uma mulher com 60 anos em 2024 pode esperar viver mais 9,5 anos adicionais. Um homem da mesma idade, mais 8,3 anos. Em 1940, esses números eram de 4,5 e 4 anos respectivamente. É um ganho que reflete não apenas avanços médicos, mas também melhores condições de vida para a população mais velha.
O IBGE continua seu trabalho de mapeamento. A pesquisa Tábuas de Mortalidade 2024 está em andamento e abrange o período de 2000 a 2070, buscando revelar os padrões de mortalidade que moldarão o Brasil nas próximas décadas. Os números de hoje mostram um país que vive mais, mas de forma desigual — as mulheres ganham anos enquanto homens jovens continuam perdendo-os para a violência.
Notable Quotes
A expectativa de vida dos homens poderia ser ainda maior se não fosse o impacto da violência sobre esse grupo— IBGE
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a expectativa de vida das mulheres é tão maior que a dos homens?
Não é só biologia. Sim, mulheres vivem naturalmente mais em quase todas as populações. Mas no Brasil, a diferença de quase sete anos é amplificada pela violência. Homens jovens morrem em taxas muito maiores por homicídios, acidentes e suicídios.
Esses números de sobremortalidade masculina — 4,1 vezes mais entre 20 e 24 anos — isso é recente?
Começou a se intensificar nos anos 1980. Antes disso, a diferença existia, mas era menor. A violência urbana e a criminalidade mudaram o padrão de mortalidade no país.
Se a mortalidade infantil caiu tanto, por que a expectativa de vida dos homens não cresce mais?
Porque o ganho que vem da redução de mortes de crianças é parcialmente compensado pelas mortes de homens adultos jovens. É como se o país estivesse salvando vidas no começo e perdendo-as no meio.
A pandemia deixou cicatrizes permanentes?
Deixou um baque — em 2021 caiu para 72,8 anos. Mas o país se recuperou. O que preocupa agora é a violência, que é um problema estrutural, não uma crise passageira.
Comparado a outros países, onde o Brasil fica?
Atrás. Mônaco tem 86,5 anos, Japão 84,9. O Brasil está em 76,6. Temos espaço para crescer, especialmente se conseguirmos reduzir a mortalidade entre homens jovens.