Os anjos tiveram o seu tempo
Durante décadas, os 'anjos' da Victoria's Secret encarnaram um ideal de beleza aspiracional que moldou o imaginário coletivo sobre feminilidade e consumo. Agora, a marca encerra esse capítulo e convida ativistas sociais para o seu palco, reconhecendo que a cultura mudou e que o marketing construído sobre corpos inatingíveis perdeu a sua força perante um público que exige representatividade. É um momento raro em que uma grande marca admite, publicamente, que o seu próprio mito envelheceu.
- A Victoria's Secret cancelou definitivamente o seu desfile anual dos 'anjos', encerrando um dos espetáculos de marketing mais reconhecidos do mundo da moda.
- A marca enfrentava críticas crescentes por promover um ideal de beleza estreito e excludente, num momento em que o público exige diversidade e autenticidade.
- Sete mulheres ligadas a causas como igualdade de género e direitos LGBTI+ substituem as supermodelos, sinalizando uma viragem radical na identidade da marca.
- A indústria da moda atravessa uma transformação estrutural: a inclusividade deixou de ser tendência marginal para se tornar exigência central dos consumidores.
- A questão que permanece em aberto é se esta reinvenção chegará a tempo de reconquistar a confiança de um público que já se afastou da marca.
A Victoria's Secret anunciou esta semana o fim do seu desfile anual dos 'anjos' — o espetáculo de supermodelos em roupa interior e asas que durante décadas definiu um certo ideal de luxo e feminilidade aspiracional. No lugar dessas figuras icónicas, a marca apresentará sete mulheres ligadas a causas sociais concretas, como igualdade de género e direitos LGBTI+.
A mudança não é apenas cosmética. É uma admissão de que o fenómeno de marketing que funcionou tão bem durante tanto tempo perdeu a sua relevância. A própria marca reconheceu que os anjos tiveram o seu tempo — e que o público contemporâneo já não se revê em modelos de beleza únicos e excludentes.
Nos últimos anos, a Victoria's Secret acumulou críticas por representar um ideal de corpo e de mulher cada vez mais visto como ultrapassado. O desfile, apesar do seu espetáculo, tornou-se símbolo de uma visão redutora da feminilidade. A decisão agora anunciada é uma tentativa de realinhamento com uma sociedade em plena mudança de valores.
O que está verdadeiramente em causa é uma transformação mais profunda no marketing de luxo: a aspiração baseada na fantasia e na inacessibilidade cede espaço à representatividade e ao compromisso social. As mulheres que agora sobem ao palco da marca são escolhidas não pela aparência, mas pelo que defendem e pelo que inspiram. Se esta reinvenção será suficiente para reconquistar a confiança perdida, o tempo dirá — mas o gesto em si assinala o fim de uma forma de entender a beleza, o poder e o lugar das mulheres no mercado.
A Victoria's Secret está a enterrar uma das suas criações mais icónicas. O desfile anual dos 'anjos' — aquele espetáculo de supermodelos em roupa interior e asas que durante décadas definiu o luxo aspiracional — não vai voltar. A marca anunciou a mudança esta semana, e ela marca o fim de uma era.
No lugar dos anjos virão sete mulheres ligadas a causas sociais concretas: igualdade de género, direitos LGBTI+, e outras formas de ativismo. Não é apenas uma substituição de rostos. É uma admissão de que o fenómeno de marketing que funcionou tão bem durante tanto tempo perdeu a sua relevância. Como a própria marca reconheceu, os anjos tiveram o seu tempo.
A decisão não surge do nada. Reflete uma transformação mais ampla na indústria da moda — um movimento em direção à inclusividade que já não é marginal mas central. O público mudou. Os consumidores já não se contentam com modelos de tamanho único, nem na roupa nem na passarela. A sociedade está em plena mudança de valores, e as marcas que não acompanham esse ritmo correm o risco de ficar para trás.
A Victoria's Secret enfrentou críticas crescentes nos últimos anos precisamente por representar um modelo de beleza estreito e excludente. O desfile dos anjos, apesar de espetacular, tornou-se um símbolo daquilo que muitos veem como ultrapassado: a ideia de que existe um único tipo de corpo, um único tipo de mulher, digno de ser celebrado e comercializado. A mudança agora anunciada é uma tentativa de se reinventar, de se alinhar com uma sociedade que exige representatividade e autenticidade.
O que isto significa na prática é que a marca está a reconhecer que o marketing tradicional — baseado em aspiração, em modelos inatingíveis, em fantasia — está a ceder espaço a algo diferente. As mulheres que agora ganham o palco não são escolhidas apenas pela sua aparência, mas pelo que representam, pelas causas que defendem, pela sua capacidade de inspirar através de ação e compromisso social.
É um sinal claro de como a cultura está a mudar. As marcas de luxo, que durante décadas construíram impérios sobre a exclusividade e a aspiração, veem-se agora obrigadas a abraçar a inclusividade para permanecerem relevantes. A Victoria's Secret, com esta decisão, está a tentar acompanhar essa mudança. Se conseguirá reconquistar a confiança de um público que se afastou é outra questão. Mas o gesto em si é significativo: o fim dos anjos marca o fim de uma forma de entender o marketing, a beleza e o poder das mulheres.
Citações Notáveis
Os anjos foram um fenómeno de marketing muito bom, mas tiveram o seu tempo— Victoria's Secret
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Porque é que isto importa agora? Os anjos da Victoria's Secret existem há décadas.
Porque a sociedade mudou. As mulheres e os consumidores deixaram de aceitar que existe apenas um tipo de corpo, um único padrão de beleza digno de celebração.
Mas a marca não podia simplesmente manter os anjos e adicionar outras mulheres?
Poderia, mas isso seria apenas cosmético. O que está a acontecer é mais profundo — é uma admissão de que aquele modelo de marketing deixou de funcionar.
Qual é a diferença entre ter uma supermodelo e ter uma ativista no desfile?
Uma supermodelo vende um produto através da aspiração. Uma ativista vende um valor, uma causa. É a diferença entre "quero parecer assim" e "quero ser assim".
Isto é genuíno ou é apenas marketing a fingir ser progressista?
Provavelmente é ambos. Mas o importante é que a mudança está a acontecer. As marcas estão a ser forçadas a acompanhar a realidade, quer seja por convicção ou por necessidade comercial.
E se isto for apenas uma moda passageira?
Pode ser. Mas a pressão por inclusividade e representatividade não vem de um capricho — vem de uma geração inteira que exige ser vista e ouvida.