Debêntures incentivadas lideram rentabilidade com Selic em 13,75%

Primeiro você precisa saber qual é seu apetite real para risco
Especialista alerta que migração para ativos de maior risco exige clareza sobre tolerância à volatilidade.

Com a Selic mantida em 13,75% ao ano, o Brasil oferece um retrato raro em que a renda fixa rivaliza com o risco sem exigir dele. As debêntures incentivadas de infraestrutura lideram o campo com retorno real de quase 10%, enquanto a humilde poupança, apesar de sua isenção fiscal, mal ultrapassa os 3%. No horizonte, porém, a expectativa de cortes nos juros convida o investidor a repensar sua posição — não por urgência, mas pela lógica silenciosa do tempo e da oportunidade.

  • A decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% cristalizou um ranking de rentabilidade que expõe diferenças brutais entre produtos aparentemente similares.
  • Debêntures incentivadas de infraestrutura entregam quase 10% de retorno real, enquanto CDBs de grandes bancos mal chegam a 3% líquidos — uma distância que pode custar caro a quem não presta atenção.
  • A poupança, símbolo popular de segurança, supera os CDBs dos grandes bancos apenas por um fio, revelando como a inércia financeira tem um preço concreto.
  • Especialistas alertam que o ciclo de juros altos está com os dias contados, e quem não se preparar para a transição pode perder a janela mais favorável para fixar rentabilidades elevadas.
  • A migração gradual para ações e fundos multimercados já começa a ser recomendada — mas apenas para quem tem estômago para a volatilidade que vem junto com o retorno.

Na quarta-feira, 21 de junho, o Banco Central confirmou a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, e com isso um mapa detalhado da renda fixa brasileira ganhou contornos mais nítidos. Segundo levantamento da plataforma Yubb, as debêntures incentivadas de infraestrutura — títulos isentos de imposto de renda emitidos para financiar grandes obras — lideram as estimativas de retorno real com 9,93% em 12 meses, considerando inflação projetada de 5,12% para 2023.

Logo atrás aparecem as LCIs e LCAs, também isentas de tributação, com retornos reais de 8,24% e 7,85%, respectivamente. Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb, reconhece que as taxas disponíveis hoje são inferiores às do início do ano, mas reforça que o ambiente ainda é favorável para a renda fixa.

A poupança, apesar da isenção fiscal, entrega apenas 3,19% de retorno real — superando os CDBs dos grandes bancos, que após tributação chegam a míseros 2,92% líquidos. A caderneta se beneficiou do aumento da Taxa Referencial, hoje em 2,2% ao ano, mas segue entre as opções menos eficientes do mercado.

O cenário, porém, está em movimento. Luccas Fioreli, do HCI Invest, adverte que produtos atrelados ao CDI perderão atratividade à medida que os juros caírem, e que fundos de ações e multimercados devem ganhar espaço — desde que o investidor compreenda sua própria tolerância à volatilidade antes de migrar.

Paloma Brum, da Toro Investimentos, recomenda manter a renda fixa pós-fixada como prioridade enquanto a Selic permanecer elevada, mas já enxerga oportunidade nos prefixados para quem quiser garantir rentabilidades superiores às projetadas para 2024. Para clientes com maior apetite ao risco, ela já vem aumentando gradualmente a exposição a ações e fundos imobiliários — porque o mercado, como de costume, não espera a confirmação oficial para começar a se mover.

O Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira, 21 de junho, e com essa decisão, um mapa claro da rentabilidade em renda fixa começou a se desenhar. As debêntures incentivadas de infraestrutura — títulos de dívida emitidos por empresas para financiar grandes obras, com isenção de imposto de renda para pessoas físicas — emergem como a aplicação mais rentável entre as principais opções disponíveis. Segundo levantamento da plataforma Yubb, esses títulos devem entregar um retorno real de 9,93% em uma janela de 12 meses, considerando uma inflação projetada de 5,12% para 2023.

Na sequência das maiores rentabilidades estimadas, aparecem as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), ambas também isentas de tributação, com rendimentos reais de 8,24% e 7,85%, respectivamente. Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb, observa que mesmo com a Selic em patamares elevados, as oportunidades em renda fixa continuam atrativas, ainda que as taxas disponíveis agora sejam inferiores às oferecidas no início de 2023.

A poupança, por sua vez, segue como uma das aplicações de menor rendimento real. Apesar da isenção de imposto de renda, ela deve entregar um retorno real de apenas 3,19% ao ano. A remuneração bruta da caderneta permanece inalterada em 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial, que está em 2,2% em 12 meses, totalizando aproximadamente 8,5% de rentabilidade bruta. O rendimento segue a regra de 0,5% ao mês sempre que a Selic ultrapassa 8,5% ao ano. Com o aumento da Taxa Referencial impulsionando seus ganhos, a poupança conseguiu ultrapassar os CDBs dos grandes bancos, que após tributação entregam um retorno líquido médio de apenas 2,92%.

Os especialistas consultados apontam para um cenário de transição. Luccas Fioreli, sócio do escritório HCI Invest e planejador financeiro, afirma que com a perspectiva de queda da Selic à frente, produtos que acompanham a trajetória do CDI tendem a perder apelo gradativamente. Em um cenário de redução dos juros, alternativas que assumem maior nível de risco — como fundos de ações e multimercados — devem ganhar espaço nas carteiras. Fioreli ressalta, porém, que antes de migrar para ativos de maior risco, o investidor precisa ter clareza sobre seu apetite para lidar com volatilidade, evitando resgates precipitados diante de oscilações do mercado.

Paloma Brum, analista da Toro Investimentos, recomenda que enquanto a Selic permanecer em patamares elevados — as projeções do Focus indicam 12,25% em dezembro de 2023 — a alocação em renda fixa pós-fixada, especialmente atrelada ao CDI, deve seguir como prioridade. Ela também identifica uma oportunidade nos ativos prefixados, que permitem ao investidor fixar uma rentabilidade superior à taxa básica esperada para o final do ano e 2024. Com a perspectiva de queda dos juros sendo favorável ao mercado de renda variável, Brum tem aumentado gradualmente suas recomendações de alocação em ações e fundos imobiliários para clientes com maior apetite ao risco, observando que o mercado não aguardará a queda efetiva dos juros para montar posições nos segmentos mais arriscados.

É interessante continuar a buscar oportunidades em renda fixa, tendo em vista que a taxa Selic está bastante alta, mesmo não sendo possível encontrar as mesmas taxas que estavam disponíveis no começo de 2023
— Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb
Independentemente se a Selic está alta ou baixa, a primeira coisa é entender o apetite de cada um para tomar risco
— Luccas Fioreli, sócio da HCI Invest
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que as debêntures incentivadas saem na frente agora, quando a Selic está tão alta?

Model

Porque combinam dois fatores: a taxa básica elevada, que alimenta o rendimento bruto, e a isenção de imposto de renda. Quando você desconta a inflação, sobra mais retorno real do que em qualquer outra aplicação tradicional.

Inventor

E a poupança? Parecia ser a aplicação mais segura para a maioria das pessoas.

Model

Continua segura, mas o retorno real é modesto — 3,19% ao ano. A Taxa Referencial subiu, o que ajudou, mas mesmo assim fica atrás de LCIs e LCAs. Para quem quer ganhar mais, precisa aceitar um pouco mais de risco.

Inventor

Os especialistas mencionam queda da Selic à frente. Quando isso muda a estratégia?

Model

Quando a Selic cai, produtos atrelados ao CDI perdem apelo porque acompanham a queda. Aí ações e fundos multimercados começam a fazer mais sentido — mas só se você conseguir dormir à noite com a volatilidade.

Inventor

Qual é o risco de sair de renda fixa agora?

Model

Entrar em ações no momento errado e depois querer resgatar quando o mercado cai. Por isso os especialistas insistem: primeiro você precisa saber qual é seu apetite real para risco, não apenas teórico.

Inventor

E os CDBs dos grandes bancos? Por que ficaram tão para trás?

Model

Porque são tributados. Depois do imposto de renda, entregam apenas 2,92% de retorno real — menos que a poupança. É um sinal de que nem toda aplicação tradicional segue sendo competitiva.

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