Fortaleza leva vacinação contra gripe aos terminais de ônibus para ampliar cobertura

Quanto mais pessoas imunizadas, menos vírus circulante
Gerente de Atenção Primária explica o efeito em cascata da vacinação em massa na população.

A Prefeitura de Fortaleza realiza vacinação itinerante nos terminais de ônibus para atingir pessoas com dificuldade de acessar postos de saúde durante horário comercial. Fortaleza já aplicou 328.480 vacinas contra gripe e apresenta redução em internações e procura por UTI comparado ao ano anterior, indicando cobertura vacinal efetiva.

  • Campanha itinerante ocorre nos cinco terminais de ônibus de Fortaleza de 15 a 19 de junho, das 9h às 16h
  • Fortaleza já aplicou 328.480 doses de vacina contra gripe em 2026
  • Meta é imunizar 90% dos grupos prioritários (crianças, gestantes, idosos, trabalhadores da saúde)
  • Redução de internações hospitalares e procura por UTI comparado ao ano anterior

Campanha itinerante de vacinação contra gripe ocorre nos cinco terminais de ônibus de Fortaleza de segunda a sexta, das 9h às 16h, visando facilitar acesso à imunização para trabalhadores e população com pouco tempo livre.

Fortaleza está levando a vacinação contra a gripe até as pessoas, em vez de esperar que elas procurem os postos de saúde. Durante esta semana, equipes de saúde estão instaladas nos cinco terminais de ônibus da capital, aplicando doses das 9h às 16h de segunda a sexta-feira. A estratégia nasceu de uma constatação simples: muitos fortalezenses trabalham em horário comercial e não conseguem se deslocar até as unidades de saúde para se imunizar.

Riane Azevedo, secretária Municipal de Saúde, explicou que a campanha itinerante busca ampliar o alcance da vacinação. Normalmente, a equipe consegue imunizar entre 300 e 400 pessoas por dia nesses períodos. Se conseguissem estender o horário para o final da tarde e início da noite, quando as pessoas saem do trabalho, Riane acredita que esse número poderia dobrar. Ao final da campanha, a secretaria pretende avaliar se vale a pena prolongar os horários e expandir os dias de atendimento nos terminais.

O Terminal do Papicu, na quarta-feira, oferecia um retrato dessa necessidade. Excepcionalmente, a vacinação começou às 8h naquele dia, e uma fila se formou rapidamente. Pessoas que trabalham no terminal — motoristas de ônibus, fiscais de transporte, vendedores, atendentes e cozinheiras — aproveitaram o momento para se imunizar antes de começar o expediente. Terezinha Mota, cozinheira de 53 anos que trabalha em uma lanchonete do terminal, estava entre elas. Ela tem asma e sempre toma a vacina anualmente, mas desta vez não havia encontrado tempo. "Desde o início, era para ter tomado", disse, explicando que as viroses circulantes derrubam muita gente. Rita de Cássia, aposentada de 60 anos, estava entregando pães em lanchonetes com o marido quando viu a equipe de saúde. Os dois aproveitaram para se vacinar. "Às vezes, a gente esquece", comentou Rita.

Fortaleza já aplicou 328.480 doses de vacina contra a gripe este ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Em todo o Brasil, mais de 34 milhões de pessoas já foram imunizadas. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é imunizar pelo menos 90% de cada grupo prioritário — crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas, idosos com 60 anos ou mais, trabalhadores da saúde e povos indígenas, entre outros grupos de risco. Essa cobertura é considerada essencial para reduzir internações, complicações e mortes causadas pelo vírus da gripe.

Os resultados até agora são positivos. Riane Azevedo afirmou que Fortaleza está vendo redução nas internações hospitalares e na procura por Unidades de Terapia Intensiva em comparação ao ano anterior. "Nos hospitais as internações são menores, não vimos aquela superlotação que a gente viu no ano passado", disse a secretária. Ela atribui esses indicadores ao início precoce da campanha e à boa aceitação da população, apesar de movimentos negacionistas recentes contra vacinas.

Janaína Rocha, gerente da Atenção Primária à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, detalhou as estratégias para atingir a meta de 90%. Além dos postos de saúde — 134 espalhados pela capital — e das campanhas itinerantes em shoppings, escolas e terminais, há busca ativa e domiciliar realizada pelas equipes de Saúde da Família, especialmente para idosos com dificuldade de locomoção. Existe também o Consultório na Rua, voltado para pessoas em situação de rua, que podem ser vacinadas sem apresentar documentos. "Quanto mais pessoas imunizadas a gente tem, menos vírus circulante a gente vai ter e um melhor controle da doença", afirmou Janaína.

A vacina contra a gripe protege contra três cepas do vírus e precisa ser tomada anualmente, pois o imunizante muda a cada ano para acompanhar os vírus circulantes. Para receber a dose, basta apresentar um documento oficial com foto e, se possível, o cartão de vacinação. A campanha nos terminais segue até sexta-feira, 19 de junho, passando pelo Terminal do Antônio Bezerra na quinta-feira e encerrando no Terminal do Siqueira na sexta. A avaliação de como expandir essa estratégia virá depois.

Geralmente a gente consegue vacinar 300 a 400 pessoas nesse período. Se conseguirmos ir mais para o final da tarde e o início da noite, quando as pessoas saem do trabalho, eu acho que esse número pode até se duplicar
— Riane Azevedo, secretária Municipal de Saúde
Desde o início, era para ter tomado. Sempre tomo, porque eu tenho asma. E é importante a gente se imunizar das gripes que tem aí, essas viroses que derrubam muita gente
— Terezinha Mota, cozinheira, 53 anos
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que levar a vacinação até os terminais de ônibus? Não seria mais simples concentrar tudo nos postos de saúde?

Model

A questão é que a maioria das pessoas trabalha em horário comercial. Se você sai de casa às 7 da manhã e volta às 18h, quando você vai até um posto de saúde? Os terminais são lugares onde as pessoas já estão, esperando ônibus, passando por ali. É encontrá-las onde elas realmente estão.

Inventor

E funciona? Quantas pessoas conseguem vacinar assim?

Model

Entre 300 e 400 por dia no horário atual. Mas a secretária acredita que se estendessem para o final da tarde, quando as pessoas saem do trabalho, esse número poderia dobrar. Tem gente que viu a equipe de saúde no terminal e aproveitou na hora.

Inventor

Qual é a meta que Fortaleza está tentando atingir?

Model

Imunizar pelo menos 90% de cada grupo prioritário — crianças pequenas, gestantes, idosos, trabalhadores da saúde. Isso reduz internações, complicações e mortes. E parece estar funcionando: as internações hospitalares caíram comparado ao ano passado.

Inventor

Mas nem todo mundo tem documento ou cartão de vacinação. Como fica?

Model

Pessoas em situação de rua podem ser vacinadas sem documentos. Para os outros, basta um documento com foto e, se tiver, o cartão. Mas a ideia é ser acessível, não criar barreiras.

Inventor

A vacina muda todo ano?

Model

Sim. O vírus da gripe muta, então a vacina precisa ser atualizada anualmente para proteger contra as cepas circulantes naquele ano. Quem tomou no ano passado precisa tomar de novo este ano.

Inventor

E se a campanha nos terminais der certo, o que vem depois?

Model

Vão avaliar se vale a pena estender os horários e adicionar mais dias. Se conseguirem aumentar a cobertura dessa forma, podem transformar isso em algo permanente.

Quieres la nota completa? Lee el original en O POVO ↗
Contáctanos FAQ