Uma única vacina pode praticamente eliminar um tipo específico de câncer
Entre 2020 e 2024, nenhuma mulher jovem morreu de câncer de colo do útero na Inglaterra — um silêncio estatístico que carrega o peso de uma conquista histórica. Publicado na revista The Lancet, um estudo revela que a campanha de vacinação contra o HPV iniciada em 2008 salvou cerca de 200 vidas e zerou as mortes na faixa de 20 a 24 anos. O feito demonstra que a ciência preventiva, quando aplicada com consistência, pode apagar doenças de uma geração inteira — e lança uma pergunta urgente sobre os países onde a cobertura vacinal ainda deixa milhares de mulheres desprotegidas.
- Pela primeira vez na história, nenhuma morte por câncer cervical foi registrada em mulheres de 20 a 24 anos na Inglaterra em um período de cinco anos — um marco que parecia improvável décadas atrás.
- O estudo do The Lancet estima que 23 mortes foram evitadas apenas entre 2020 e 2024, e aproximadamente 200 vidas salvas desde o início da vacinação em 2008.
- A trajetória é inequívoca: de 25 mortes entre 2000 e 2004, para 27 entre 2010 e 2014, depois 5 entre 2015 e 2019, e finalmente zero — uma curva que aponta diretamente para a vacina.
- No Brasil, o contraste é alarmante: 26,4% das meninas não recebem nenhuma dose da vacina gratuita pelo SUS, enquanto o país registra 17 mil novos casos e 7 mil mortes por câncer cervical a cada ano.
- A questão que permanece é como transformar essa prova de conceito inglesa em realidade para populações onde hesitação vacinal e acesso limitado ainda mantêm mulheres vulneráveis a uma doença inteiramente prevenível.
Entre 2020 e 2024, nenhuma mulher com idade entre 20 e 24 anos morreu de câncer de colo do útero na Inglaterra. É a primeira vez que um período de cinco anos passou sem uma morte dessa causa naquela faixa etária — e o feito não é acidental. Trata-se do resultado direto da campanha de vacinação contra o HPV iniciada em 2008, expandida para meninos a partir de 2019.
Um estudo publicado na revista The Lancet, conduzido por pesquisadores do Cancer Research UK e da Queen Mary University of London, revelou a dimensão do impacto: sem a vacina, cerca de 23 mulheres teriam morrido nesse período. Em vez disso, o número foi zero. Desde 2008, aproximadamente 200 vidas foram salvas. A trajetória ao longo das décadas não deixa margem para dúvida — de 25 mortes entre 2000 e 2004, para apenas 5 entre 2015 e 2019, até chegar a zero.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns do mundo, frequentemente assintomática, mas capaz de causar câncer de colo do útero — o quarto mais comum entre mulheres globalmente, com 660 mil diagnósticos e 350 mil mortes por ano segundo a OMS. A vacina é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual, por isso é recomendada para adolescentes de 12 a 13 anos. Dados da Escócia reforçam o achado inglês: um estudo de 2025 mostrou que a vacina zerou os casos de câncer cervical entre mulheres vacinadas nessa idade.
No Brasil, o cenário é mais sombrio. A vacina é gratuita pelo SUS desde 2014 para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos vulneráveis. Ainda assim, 26,4% das meninas brasileiras não receberam nenhuma dose — em um país que registra 17 mil novos casos e 7 mil mortes por câncer cervical ao ano. O contraste com a Inglaterra ilustra com clareza o que está em jogo: quando a cobertura vacinal é alta e sustentada, uma doença pode ser praticamente erradicada em uma geração. O desafio agora é garantir que esse futuro alcance todas as mulheres.
Entre 2020 e 2024, nenhuma mulher com idade entre 20 e 24 anos morreu de câncer de colo do útero na Inglaterra. É um marco que nunca havia sido alcançado antes — a primeira vez que um período de cinco anos passou sem uma morte dessa causa naquela faixa etária. O feito não é acidental. Trata-se do resultado direto de uma campanha de vacinação contra o HPV que começou em 2008, quando o país começou a imunizar meninas, expandindo-se para meninos a partir de 2019.
Um novo estudo publicado na revista The Lancet, conduzido por pesquisadores do Cancer Research UK e da Queen Mary University of London, revelou a magnitude do impacto. Se as tendências dos anos anteriores tivessem continuado sem a proteção da vacina, cerca de 23 mulheres naquela faixa etária teriam morrido entre 2020 e 2024. Em vez disso, o número foi zero. Desde que as campanhas de vacinação começaram em 2008, os pesquisadores estimam que aproximadamente 200 vidas foram salvas.
O padrão de redução é impressionante quando observado ao longo do tempo. Entre 2000 e 2004, antes da vacina estar amplamente disponível, 25 mulheres inglesas jovens morreram de câncer cervical. Entre 2010 e 2014, o número era 27. Depois, entre 2015 e 2019, caiu para apenas 5. E então, entre 2020 e 2024, chegou a zero. A trajetória não deixa dúvidas sobre a eficácia da intervenção.
O HPV, ou vírus do papiloma humano, é uma infecção sexualmente transmissível extremamente comum. A maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com ele em algum momento da vida, embora muitas vezes a infecção permaneça completamente assintomática. O vírus pode causar verrugas na pele e nas mucosas, mas também pode levar ao câncer de colo do útero — além de câncer de pênis, ânus e outros tipos. O câncer cervical é o quarto mais comum entre mulheres globalmente, e quase todos os casos estão ligados à infecção por HPV. A Organização Mundial da Saúde registra 660 mil diagnósticos novos por ano em todo o mundo, com aproximadamente 350 mil mortes anuais.
A vacina funciona melhor quando administrada antes do início da vida sexual, razão pela qual é recomendada para adolescentes de 12 a 13 anos. Estudos clínicos já haviam demonstrado sua alta eficácia, mas os dados do mundo real agora confirmam o que os testes prometiam. Um estudo de 2025 analisando dados da Escócia mostrou que a vacina zerou os casos de câncer cervical entre mulheres que a receberam aos 12 ou 13 anos. O professor Peter Sasieni, um dos autores do estudo inglês, resumiu o significado: é notável pensar que uma única vacina pode praticamente eliminar um tipo específico de câncer.
No Brasil, o cenário é mais complexo. O país oferece a vacina gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde desde 2014, disponibilizando a versão tetravalente que protege contra os tipos mais comuns do vírus. Na rede privada, também está disponível a versão nonavalente, que cobre nove tipos. O acesso gratuito inclui crianças e adolescentes de ambos os sexos de 9 a 14 anos, além de grupos específicos como pessoas imunodeprimidas e vítimas de abuso sexual. Apesar dessa disponibilidade, um estudo recente revelou um problema alarmante: 26,4% das meninas brasileiras não receberam nenhuma dose da vacina. Isso ocorre em um país onde são registrados 17 mil novos casos de câncer cervical e 7 mil mortes por ano, segundo o Ministério da Saúde.
O contraste entre a Inglaterra e o Brasil ilustra como a vacinação em massa pode transformar a saúde pública — mas apenas se as pessoas realmente receberem as doses. A pesquisa inglesa oferece uma prova de conceito poderosa: quando a cobertura vacinal é mantida em níveis elevados, a doença pode ser praticamente erradicada em uma geração. A questão agora é como expandir esse sucesso para populações onde a hesitação vacinal ou o acesso limitado ainda deixam milhares de mulheres vulneráveis a uma doença que é, fundamentalmente, prevenível.
Citas Notables
É incrível pensar que uma única vacina pode praticamente eliminar um tipo específico de câncer. Esta pesquisa mostra o quão vital é manter elevados os níveis de vacinação contra o HPV para que mais pessoas estejam protegidas.— Professor Peter Sasieni, um dos autores do estudo
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que esse resultado na Inglaterra é tão significativo? Não é apenas um número bom — é realmente histórico?
É histórico porque marca a primeira vez que uma coorte inteira de mulheres jovens passou cinco anos sem nenhuma morte por essa causa. Antes, sempre havia alguns óbitos. O fato de chegar a zero não é coincidência — é o resultado direto de uma geração inteira recebendo a vacina na adolescência, antes de qualquer exposição ao vírus.
E quanto àquelas 23 mortes que foram "evitadas"? Como os pesquisadores sabem que teriam acontecido?
Eles usaram as tendências dos anos anteriores como base. Se você olha para 2000-2004, depois 2010-2014, depois 2015-2019, vê um padrão claro de queda. Extrapolando esse padrão para 2020-2024 sem a vacina, chegam a 23. É uma projeção, não uma certeza, mas é fundamentada em dados reais.
O Brasil tem a vacina disponível gratuitamente desde 2014, mas quase um quarto das meninas não recebe nenhuma dose. Por que?
Não é falta de acesso — é falta de adesão. A vacina está lá, oferecida pelo SUS, mas as pessoas não estão indo buscar. Pode ser desinformação, desconfiança, ou simplesmente falta de prioridade em contextos onde outras necessidades de saúde parecem mais urgentes.
Se a Inglaterra conseguiu isso, por que o Brasil não consegue?
Porque a Inglaterra construiu uma infraestrutura de confiança em vacinação ao longo de décadas. Quando você diz que uma vacina é gratuita e segura, as pessoas acreditam. No Brasil, há mais ceticismo, e 26,4% de não-vacinação é o resultado disso. É um problema de comunicação e confiança, não de tecnologia.
Então o que muda agora que a Inglaterra provou que é possível?
Muda que temos evidência de mundo real, não apenas ensaios clínicos. Quando outros países veem que zero mortes é possível, a pressão para melhorar a cobertura vacinal aumenta. Para o Brasil, deveria ser um chamado à ação — se 26,4% das meninas não estão vacinadas, são 17 mil novos casos por ano que poderiam ser prevenidos.