Vacina da Moderna é 84% eficaz contra VSR em idosos

O VSR causa aproximadamente 14 mil mortes anuais em pessoas com 65 anos ou mais, representando risco significativo para população idosa e bebês.
84% é um número de eficácia excelente
O presidente da Moderna descreve os resultados de sua vacina contra o VSR em idosos.

Por décadas, o vírus sincicial respiratório ceifou silenciosamente milhares de vidas entre os mais velhos, sem que a medicina oferecesse uma barreira vacinal para adultos. Agora, a Moderna anuncia que sua vacina experimental de mRNA alcançou 83,7% de eficácia em pessoas com 60 anos ou mais — um resultado que não apenas supera concorrentes como Pfizer e GSK, mas sinaliza o possível fechamento de uma lacuna histórica na proteção da população idosa. O anúncio, feito em janeiro de 2023, chega num momento em que o VSR compete por atenção ao lado da gripe e da Covid-19, lembrando que velhas ameaças não desaparecem enquanto novas dominam os holofotes.

  • O VSR mata cerca de 14 mil idosos por ano nos EUA e na Europa, e até hoje nenhuma vacina estava disponível para proteger adultos dessa ameaça silenciosa.
  • A Moderna entra na disputa com um número que pressiona concorrentes: 83,7% de eficácia, contra 66,7% da Pfizer, em ensaio com cerca de 37 mil participantes acima de 60 anos.
  • A empresa planeja submeter a vacina mRNA-1345 para aprovação regulatória global ainda no primeiro semestre de 2023, abrindo caminho para um mercado estimado em mais de 10 bilhões de dólares.
  • Efeitos colaterais foram leves e sem registros de miocardite — dado estratégico para conquistar a confiança de idosos ainda marcados pelos debates sobre segurança das vacinas de mRNA.

O vírus sincicial respiratório engana pela aparência: tosse, febre, sintomas de resfriado. Mas para quem tem mais de 65 anos, ele pode ser fatal — e até agora não havia vacina disponível para adultos. Essa lacuna está prestes a fechar.

Em 17 de janeiro de 2023, a Moderna anunciou que sua vacina experimental de mRNA atingiu 83,7% de eficácia na prevenção de pelo menos dois sintomas da doença em pessoas com 60 anos ou mais. O ensaio envolveu cerca de 37 mil participantes, e o resultado supera o da Pfizer, que registrou 66,7% em seus testes avançados. Stephen Hoge, presidente da Moderna, foi direto: "84% é um número de eficácia excelente."

A empresa planeja submeter a vacina mRNA-1345 para aprovação regulatória global ainda no primeiro semestre de 2023. Análises secundárias sobre eficácia contra formas graves da doença e hospitalizações estão em andamento — dados que podem ser decisivos para a população idosa. A vacina deverá ser administrada anualmente.

Os efeitos colaterais foram leves — dor no local da injeção, fadiga, dor de cabeça — e Hoge foi enfático ao descartar qualquer preocupação com miocardite, inflamação cardíaca associada em casos raros às vacinas de mRNA para Covid-19. Essa garantia pode ser determinante para a aceitação entre idosos.

O mercado potencial é vasto: analistas estimam mais de 10 bilhões de dólares globalmente, metade só nos Estados Unidos. Três grandes farmacêuticas competem simultaneamente por esse espaço — e a aprovação da Moderna ainda neste semestre significaria que idosos em vários países teriam acesso, pela primeira vez, a uma proteção que simplesmente não existia.

O vírus sincicial respiratório parece inofensivo à primeira vista — tosse, febre, os sintomas de um resfriado comum. Mas para bebês e para pessoas com mais de 65 anos, ele pode ser letal. A doença mata cerca de 14 mil idosos por ano apenas nos Estados Unidos e na Europa, e nos últimos tempos tem circulado com mais frequência, competindo pela atenção das autoridades de saúde ao lado da gripe e da Covid-19. Até agora, não havia vacina disponível para proteger adultos contra o VSR. Essa lacuna está prestes a fechar.

Na terça-feira 17 de janeiro, a Moderna anunciou que sua vacina experimental de RNA mensageiro contra o vírus sincicial respiratório alcançou uma eficácia de 83,7% em testes avançados. O número representa a capacidade do imunizante de prevenir pelo menos dois sintomas da doença — como tosse e febre — em pessoas com 60 anos ou mais. O ensaio envolveu aproximadamente 37 mil participantes nessa faixa etária, e a análise dos dados foi realizada após 64 deles contraírem o vírus.

A Moderna não está sozinha nessa corrida. Tanto a Pfizer quanto a GSK já apresentaram pedidos de aprovação regulatória nos Estados Unidos no final de 2022. A vacina da Pfizer mostrou uma eficácia de 66,7% contra dois ou mais sintomas em seus testes avançados — um resultado sólido, mas inferior ao da concorrente. Stephen Hoge, presidente da Moderna, afirmou à Reuters que sua vacina se posiciona em uma classe superior. "84% é um número de eficácia excelente", disse ele, reconhecendo que ambas as empresas apresentaram resultados notáveis, mas sugerindo que a Moderna saiu à frente.

A empresa planeja submeter sua vacina, designada mRNA-1345, para aprovação regulatória em todo o mundo ainda no primeiro semestre de 2023. Hoge também revelou que a Moderna iniciou análises secundárias para avaliar a eficácia do imunizante contra formas mais graves da doença e contra hospitalização — dados que podem ser ainda mais relevantes para a população idosa. A vacina deverá ser administrada anualmente, embora seja cedo demais para falar em preço.

Os efeitos colaterais observados foram leves e familiares: dor no local da injeção, fadiga e dor de cabeça. Hoge foi enfático ao afirmar que não houve qualquer preocupação com miocardite, a inflamação cardíaca que foi associada às vacinas de mRNA para Covid-19 em alguns casos raros. Essa tranquilidade pode ser importante para a aceitação da vacina entre idosos, um grupo que já vivenciou debates intensos sobre segurança de imunizantes.

O mercado potencial para vacinas contra VSR é imenso. Analistas da Cowen estimam que ele pode valer mais de 10 bilhões de dólares globalmente, com metade desse valor vindo apenas dos Estados Unidos. Esse tamanho de mercado explica por que três grandes farmacêuticas estão competindo simultaneamente para trazer seus produtos ao mercado. A aprovação regulatória da Moderna ainda neste semestre significaria que idosos em diversos países poderiam ter acesso a uma proteção que não existia há poucos meses.

É muito animador ver o progresso nas vacinas contra VSR em adultos idosos, e acho que ambas mostraram resultados notáveis. Realmente achamos que estamos nessa classe superior; 84% é um número de eficácia excelente.
— Stephen Hoge, presidente da Moderna
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o VSR é tão perigoso se causa sintomas que parecem um resfriado comum?

Model

Porque o sistema imunológico de idosos e bebês não consegue responder com a mesma força. Um resfriado em um jovem é incômodo; em alguém com 70 anos, pode evoluir para pneumonia e morte. São 14 mil mortes por ano que poderiam ter sido prevenidas.

Inventor

A eficácia de 84% da Moderna é realmente superior à da Pfizer, ou estamos vendo números que parecem diferentes mas são praticamente iguais?

Model

A diferença é real — 84% contra 67% é uma margem significativa em termos de proteção populacional. Mas ambas são boas. O que importa agora é qual chega primeiro ao mercado e qual consegue manter a eficácia em cenários do mundo real.

Inventor

Por que a Moderna está tão confiante em submeter a vacina para aprovação tão rapidamente?

Model

Porque já têm experiência com plataforma de mRNA e porque o VSR é um alvo bem definido. Não é um vírus novo que ninguém entende. É uma doença conhecida há décadas. O caminho regulatório é mais previsível.

Inventor

E se a vacina for aprovada, quem vai tomar?

Model

Idosos, principalmente. Talvez profissionais de saúde. Qualquer pessoa que cuide de bebês. O mercado de 10 bilhões de dólares existe porque há centenas de milhões de pessoas nessas categorias no mundo.

Inventor

Os efeitos colaterais parecem muito leves. Isso é típico de vacinas de mRNA ou a Moderna teve sorte?

Model

Vacinas de mRNA tendem a ter perfis de segurança limpos porque não usam o vírus vivo ou inativado. O que preocupava era a miocardite, que apareceu raramente com Covid. Aqui não apareceu. Isso é bom sinal, mas ainda é cedo — precisamos de mais dados em uso real.

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