Vacina contra HPV passa a ser aplicada em dose única no SUS para crianças e adolescentes

Anualmente, 17 mil novos casos de câncer de colo do útero são diagnosticados no Brasil, resultando em aproximadamente 7 mil óbitos, justificando a importância da vacinação preventiva.
Uma dose oferece proteção equivalente em populações com boa cobertura
A mudança para dose única se baseia em evidências científicas que comprovam eficácia igual ao esquema anterior.

Em abril de 2024, o Brasil deu um passo silencioso, mas de grande alcance, na luta contra o câncer de colo do útero: o Ministério da Saúde reformulou o calendário de vacinação contra o HPV no SUS, passando a aplicar dose única em crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. A decisão, respaldada pela OMS e pela OPAS, reconhece que a ciência acumulada permite fazer mais com menos — simplificando o caminho entre a criança e a proteção. Num país onde 17 mil famílias recebem esse diagnóstico a cada ano e 7 mil vidas são perdidas, a mudança carrega o peso de uma promessa de prevenção que ainda não foi cumprida para todos.

  • O Brasil registra 17 mil novos casos de câncer de colo do útero por ano e cerca de 7 mil mortes — uma urgência silenciosa que torna cada dose não aplicada um risco concreto.
  • A baixa adesão ao esquema de múltiplas doses deixava lacunas perigosas na cobertura vacinal, especialmente em populações mais vulneráveis e de difícil acesso.
  • Evidências científicas da OMS confirmaram que uma única dose oferece proteção equivalente, abrindo caminho para uma estratégia mais simples e alcançável.
  • O Ministério da Saúde adotou o esquema de dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, enquanto grupos imunossuprimidos e adultos em situação de risco mantêm o protocolo de duas ou três doses.
  • A medida promete ampliar a cobertura vacinal, liberar recursos para outros grupos prioritários e acelerar a meta de eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública no país.

No início de abril de 2024, o Ministério da Saúde anunciou uma mudança importante no calendário de vacinação contra o HPV oferecido pelo SUS: crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos passarão a receber apenas uma dose do imunizante, substituindo o esquema anterior de duas ou três aplicações. A decisão se apoia em estudos que demonstram proteção equivalente com dose única em populações com boa cobertura vacinal — recomendação já endossada pela Organização Mundial da Saúde e pela OPAS.

As vantagens vão além da simplificação logística. A dose única deve aumentar a adesão à vacinação, ampliar o alcance do programa e liberar recursos para incluir outros grupos prioritários. Quem já recebeu a primeira dose do esquema anterior está considerado imunizado e não precisa de aplicações adicionais.

Nem todos os grupos seguem o novo protocolo. Adultos até 45 anos vivendo com HIV, vítimas de abuso sexual, transplantados ou com câncer continuarão recebendo duas ou três doses, assim como pessoas imunossuprimidas. A vacina cobre os quatro tipos de HPV mais frequentes — 6, 11, 16 e 18 — mas não protege contra todas as variantes do vírus.

O contexto justifica a prioridade: o Brasil registra cerca de 17 mil novos diagnósticos de câncer de colo do útero por ano, com aproximadamente 7 mil mortes. Estudos indicam que a vacinação pode reduzir em até 87% as taxas desse tipo de câncer. Para mulheres adultas, o Papanicolau segue sendo o exame preventivo essencial, e o uso de preservativo oferece proteção complementar, embora parcial. A mudança para dose única representa, portanto, um avanço concreto na aceleração da eliminação dessa doença como problema de saúde pública no país.

No início de abril, o Ministério da Saúde anunciou uma mudança significativa no calendário de vacinação contra o HPV oferecido pelo Sistema Único de Saúde. A partir de agora, crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos receberão apenas uma dose do imunizante, em vez das duas ou três doses que eram aplicadas anteriormente. A decisão representa uma reformulação importante na estratégia de prevenção do câncer de colo do útero, doença associada a mais de 90% dos casos de infecção pelo papilomavírus humano.

A mudança se baseia em evidências científicas acumuladas nos últimos anos. Estudos mostram que uma única dose da vacina HPV quadrivalente oferece proteção equivalente aos esquemas anteriores, desde que aplicada em populações com alta cobertura vacinal. Essa recomendação já conta com o apoio das organizações Mundial e Pan-Americana da Saúde, que veem na dose única uma oportunidade para ampliar o alcance da vacinação em países de renda média e baixa. O Rio de Janeiro já vinha oferecendo esse esquema simplificado.

As vantagens da mudança vão além da simplificação logística. A dose única promete aumentar a adesão à vacinação, expandir a cobertura vacinal geral e liberar recursos para incluir outros grupos prioritários no programa de imunizações. Para as crianças e adolescentes que já receberam a primeira dose do esquema anterior, a orientação é clara: já estão imunizadas e não precisam de doses adicionais. Aqueles que ainda não se vacinaram receberão apenas uma aplicação.

No entanto, nem todos os grupos seguem o novo protocolo. Adultos até 45 anos que vivem com HIV, foram vítimas de abuso sexual, receberam transplante de órgãos ou medula óssea, ou têm câncer continuarão recebendo duas ou três doses. O mesmo vale para pessoas imunossuprimidas e aquelas com papilomatose respiratória recorrente. A vacina em si não protege contra todos os tipos de HPV existentes, mas cobre os quatro mais frequentes: os tipos 6, 11, 16 e 18.

O contexto que justifica essa priorização é preocupante. Anualmente, o Brasil registra aproximadamente 17 mil novos diagnósticos de câncer de colo do útero, com cerca de 7 mil mortes associadas à doença. Estudos indicam que a vacinação pode reduzir em até 87% as taxas desse tipo de câncer. O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais frequente no mundo e pode causar não apenas câncer de colo do útero, mas também outros tumores em homens e mulheres, além de verrugas anogenitais.

A maioria das pessoas infectadas pelo HPV não apresenta sintomas. Quando surgem manifestações, podem aparecer entre dois e oito meses após a infecção, ou levar até vinte anos para se tornarem visíveis. As lesões mais comuns são verrugas na região genital e anal, conhecidas popularmente como "crista de galo". Em adolescentes, a maioria das infecções resolve-se espontaneamente em até 24 meses, graças à resposta imunológica natural do corpo.

Para mulheres adultas, o Papanicolau continua sendo o exame preventivo mais importante. Esse teste ginecológico detecta células anormais no colo do útero que podem ser tratadas antes de evoluírem para câncer. Homens devem fazer acompanhamento urológico anual. Além da vacinação, o uso de preservativo oferece proteção adicional, embora não seja totalmente eficaz contra o HPV, já que o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pela camisinha. A camisinha feminina, que cobre a vulva, oferece maior proteção se usada desde o início da relação sexual.

O tratamento para quem já adquiriu HPV é individualizado, podendo ser químico, cirúrgico ou baseado em estimuladores da imunidade. Pode ser realizado em casa, com autoaplicação de medicamentos, ou em ambulatório. Pessoas infectadas devem retornar ao médico se identificarem novas lesões. A mudança para dose única representa, portanto, um passo importante na aceleração da eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública no país.

A adoção da dose única para a faixa etária de 9 a 20 anos tem como vantagens maior adesão à vacinação, aumento da cobertura vacinal e aceleração da eliminação do câncer de colo do útero
— Organização Mundial da Saúde
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o Ministério da Saúde decidiu mudar para dose única agora, depois de tanto tempo com o esquema anterior?

Model

Os estudos científicos finalmente mostraram que uma dose oferece proteção equivalente em populações com boa cobertura vacinal. Não era uma questão de eficácia duvidosa — era de ter evidência suficiente para fazer a mudança com segurança.

Inventor

E as crianças que já tomaram a primeira dose? Precisam voltar para completar?

Model

Não. Quem recebeu pelo menos a primeira dose já está imunizado. A orientação nova vale para quem ainda não se vacinou. É uma das vantagens — simplifica tudo.

Inventor

Mas nem todo mundo segue essa regra nova, certo?

Model

Exato. Adultos, imunossuprimidos, vítimas de violência sexual — esses grupos continuam com duas ou três doses. A dose única é especificamente para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, que é quando a vacinação é mais eficaz.

Inventor

Qual é o real impacto disso? Estamos falando de quantas vidas?

Model

Dezessete mil novos casos de câncer de colo do útero por ano no Brasil, com sete mil mortes. A vacinação pode reduzir isso em até 87%. Se conseguirmos aumentar a cobertura com a dose única, o número de casos pode cair significativamente.

Inventor

E o HPV — é só câncer de colo do útero que preocupa?

Model

Não. O vírus causa outros cânceres em homens e mulheres também, além de verrugas genitais. Mas o câncer de colo do útero é o mais grave e prevenível com a vacina.

Inventor

A maioria das pessoas infectadas não sente nada, é isso?

Model

Isso mesmo. Muita gente nunca sabe que teve HPV porque o corpo elimina sozinho, especialmente em adolescentes. Mas alguns tipos podem evoluir para câncer se não forem detectados e tratados cedo.

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