Nenhuma mulher entre 20 e 24 anos morreu de câncer do colo do útero na Inglaterra entre 2020 e 2024
Pela primeira vez na história registrada, nenhuma mulher jovem morreu de câncer do colo do útero em um país inteiro durante quatro anos consecutivos — não por acaso, mas como consequência direta de uma decisão tomada décadas antes de vacinar adolescentes. Um estudo da Universidade Queen Mary de Londres, publicado na The Lancet, confirmou o que a ciência prometia: meninas vacinadas contra o HPV aos 12 ou 13 anos têm probabilidade quase nula de morrer dessa doença antes dos 30 anos. O que era esperança tornou-se evidência, e a evidência agora interpela governos, famílias e sistemas de saúde sobre o custo humano de cada dose não aplicada.
- Pela primeira vez na história, zero mulheres entre 20 e 24 anos morreram de câncer do colo do útero na Inglaterra entre 2020 e 2024 — um marco que transforma estatística em silêncio de luto que não precisou acontecer.
- O estudo revelou que a vacina não apenas previne a doença, mas elimina quase completamente o risco de morte para quem foi imunizada na adolescência, dado que permanecia desconhecido até agora.
- No Brasil, a cobertura vacinal cresce — 86% entre meninas e 74,5% entre meninos —, mas ainda fica abaixo da meta de 90% exigida pelo Ministério da Saúde e pela OMS para 2030.
- Especialistas alertam que qualquer recuo nas taxas de vacinação se traduzirá, inevitavelmente, em mortes evitáveis de mulheres jovens nas próximas décadas.
- O país ampliou o programa em 2025 para incluir adolescentes de 15 a 19 anos e grupos vulneráveis, consolidando avanços enquanto corre contra o tempo para atingir as metas globais.
Um estudo da Universidade Queen Mary de Londres, publicado na The Lancet, trouxe uma conclusão histórica: mulheres vacinadas contra o HPV no início da adolescência têm risco praticamente nulo de morrer de câncer do colo do útero antes dos 30 anos. Era a primeira vez que cientistas conseguiam medir com precisão o impacto da vacinação não apenas na prevenção da doença, mas na sobrevida das mulheres.
Os pesquisadores analisaram dados de mortalidade e registros de vacinação de mulheres entre 20 e 34 anos na Inglaterra. Os resultados foram inequívocos: para meninas vacinadas aos 12 ou 13 anos, a probabilidade de morte pela doença tornou-se quase zero. Mesmo entre mulheres vacinadas mais tarde, o risco relativo de morte caiu 63%. O marco mais simbólico: entre 2020 e 2024, nenhuma mulher de 20 a 24 anos morreu de câncer do colo do útero na Inglaterra.
O câncer do colo do útero é o quarto tumor mais comum em mulheres no mundo e o terceiro no Brasil, com 99% dos casos causados por papilomavírus humanos de alto risco. No Brasil, a vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com esquema de dose única adotado em 2024. Em 2025, o programa foi ampliado para adolescentes de 15 a 19 anos e grupos prioritários como imunossuprimidos e usuários de PrEP.
A cobertura vacinal brasileira avança — 86% entre meninas e 74,5% entre meninos —, mas ainda não alcança a meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde e pela OMS para 2030. Especialistas são enfáticos: qualquer queda nessa cobertura se converterá em mortes que poderiam ter sido evitadas. A ciência já fez sua parte; o que resta é uma escolha coletiva.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres trouxe uma conclusão que muda fundamentalmente o que sabemos sobre a proteção oferecida pela vacina contra o HPV: mulheres que receberam a imunização no início da adolescência têm risco praticamente nulo de morrer de câncer do colo do útero antes dos 30 anos. A descoberta, publicada na revista The Lancet, representa a primeira vez que cientistas conseguem quantificar com precisão o impacto real da vacinação não apenas na prevenção da doença, mas na sobrevida das mulheres.
Até então, sabia-se que a vacina prevenia cerca de 90% dos casos de câncer do colo do útero, mas o efeito concreto na mortalidade permanecia desconhecido. Os pesquisadores utilizaram dados oficiais de mortalidade por câncer e registros de vacinação de mulheres entre 20 e 34 anos na Inglaterra para fazer seus cálculos. Os números foram contundentes: enquanto mulheres que nunca receberam a vacina continuaram apresentando taxas de mortalidade semelhantes às de antes, aquelas que foram imunizadas após a introdução do programa em 2008 experimentaram quedas substanciais. Para meninas vacinadas aos 12 ou 13 anos, a probabilidade de morte pela doença antes dos 30 anos tornou-se praticamente zero. Mesmo para mulheres vacinadas entre 30 e 34 anos, o risco relativo de morte caiu 63%.
O impacto real dessa proteção ficou evidente em um marco histórico: entre 2020 e 2024, nenhuma mulher entre 20 e 24 anos morreu de câncer do colo do útero na Inglaterra. Esse número, que parece simples à primeira vista, representa uma transformação profunda na saúde pública. Os autores do estudo estimam que a vacina contra o HPV já salvou centenas de vidas. O câncer do colo do útero é o quarto tipo de tumor mais comum em mulheres globalmente, segundo a Organização Mundial da Saúde, e no Brasil ocupa o terceiro lugar. Os papilomavírus humanos de alto risco são responsáveis por 99% dos casos.
Na Inglaterra, onde a pesquisa foi conduzida, a vacinação é oferecida a meninas e meninos no 8º ano do ensino fundamental, com doses de reforço em algumas regiões nos anos seguintes. A vacina protege não apenas contra o câncer do colo do útero, mas também contra tumores no ânus, pênis, vagina, vulva, boca e garganta, além de verrugas genitais. No Brasil, o programa é igualmente abrangente: a vacina está disponível gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos e é considerada a medida mais eficaz para evitar a infecção pelos tipos de vírus que causam a doença. Em 2024, o país adotou o esquema de dose única, alinhando-se com as evidências científicas mais recentes. No ano seguinte, as diretrizes foram ampliadas para incluir adolescentes de 15 a 19 anos e grupos prioritários como usuários de PrEP, imunossuprimidos e pessoas com papilomatose respiratória recorrente.
A cobertura vacinal no Brasil está em ascensão, com estimativas de 86% para meninas e 74,5% para meninos. Apesar desse crescimento, os números ainda ficam aquém da meta oficial do Ministério da Saúde de 90%. A preocupação dos especialistas é clara: qualquer queda nas taxas de vacinação pode levar a um aumento de mortes que poderiam ser evitadas. A Organização Mundial da Saúde estabeleceu uma estratégia global para o câncer do colo do útero que exige, até 2030, que todos os países vacinem 90% das meninas contra o HPV até os 15 anos, rastreiem 70% das mulheres e tratem 90% daquelas com doença do colo do útero. O Brasil, como muitos países, trabalha para atingir essas metas enquanto consolida os ganhos já alcançados pela vacinação em massa.
Citações Notáveis
A probabilidade de meninas vacinadas aos 12 ou 13 anos morrerem de câncer de colo do útero antes dos 30 anos é quase zero— Pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres, publicado em The Lancet
Para mulheres vacinadas entre 30 e 34 anos, o risco relativo de morte pela doença é 63% menor— Estudo da Universidade Queen Mary de Londres
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que levou tanto tempo para descobrir que a vacina reduzia a mortalidade a quase zero?
Porque a vacina é relativamente recente — começou em 2008 na Inglaterra — e você precisa acompanhar mulheres por anos para ver se elas morrem ou não. Só agora temos dados suficientes de mulheres que foram vacinadas na adolescência e chegaram aos 30 anos.
Então o fato de nenhuma mulher entre 20 e 24 anos ter morrido de câncer do colo do útero entre 2020 e 2024 é realmente histórico?
Exatamente. Isso nunca tinha acontecido antes. É o primeiro sinal concreto de que a vacinação em massa está funcionando não apenas para prevenir a doença, mas para eliminar a morte por ela.
E por que o Brasil está preocupado com queda nas taxas de vacinação se já tem 86% de cobertura?
Porque 86% não é 90%, e porque qualquer queda significa que mais meninas ficarão desprotegidas. Uma geração sem vacinação adequada pode trazer de volta mortes que já conseguimos evitar.
A vacina protege contra outros cânceres além do colo do útero?
Sim. Protege contra tumores no ânus, pênis, vagina, vulva, boca e garganta, além de verrugas genitais. É por isso que muitos países vacinam tanto meninas quanto meninos.
Como o Brasil conseguiu aumentar a cobertura vacinal?
Expandiu o público-alvo, simplificou o esquema para dose única em 2024, e em 2025 ampliou ainda mais para adolescentes de 15 a 19 anos e grupos prioritários. Mas ainda precisa chegar aos 90% que a OMS recomenda.