O resgate acontece principalmente no contexto escolar
Quando uma pandemia interrompe o ritmo ordinário da vida, ela deixa lacunas invisíveis que só o tempo revela. Em Pernambuco, cerca de 300 mil adolescentes entre 15 e 19 anos chegaram a essa fase da vida sem a proteção contra o HPV que deveria tê-los alcançado anos antes. O estado agora estende, pela primeira vez de forma gratuita e universal pelo SUS, a vacina a essa faixa etária — um gesto de reparação coletiva que reconhece o que a crise sanitária subtraiu de uma geração inteira.
- Sete milhões de jovens brasileiros não foram vacinados contra o HPV na idade recomendada por causa da pandemia, e Pernambuco carrega sozinho cerca de 300 mil desses casos pendentes.
- A cobertura vacinal atual — 72% entre meninas e apenas 59% entre meninos — está longe da meta de 90%, revelando uma proteção coletiva ainda frágil contra um vírus que pode causar cânceres graves décadas depois.
- O Ministério da Saúde enviou 50 mil doses adicionais ao estado e ampliou oficialmente a faixa etária de vacinação gratuita para adolescentes de 15 a 19 anos, tentando fechar a janela aberta pela pandemia.
- A campanha escolar de 2025 aplicou apenas 6.183 doses até agora — menos da metade do registrado em 2024 e menos de um terço de 2023 —, sinalizando que a mobilização ainda precisa ganhar velocidade.
- A vacinação segue em todos os municípios pernambucanos até dezembro de 2025, com o desafio adicional de superar a hesitação vacinal que também cresceu durante os anos de crise.
Pernambuco passou a oferecer, pelo SUS, a vacina contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos — a primeira vez que essa faixa etária recebe o imunizante de forma gratuita e universal no estado. A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde em setembro e responde diretamente ao vazio deixado pela pandemia de Covid-19, quando milhões de jovens deixaram de ser vacinados na janela recomendada, entre 9 e 14 anos.
Em Pernambuco, aproximadamente 300 mil pessoas nessa faixa etária estão aptas a receber a dose agora. O Ministério enviou 50 mil doses adicionais ao estado para sustentar a campanha, que deve durar até dezembro de 2025 em todos os municípios. A meta é atingir 90% de cobertura — mas os números atuais mostram o tamanho do desafio: 72% entre meninas e 59% entre meninos.
A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações em Pernambuco, Magda Costa, explica que a estratégia foca em resgatar quem ficou para trás durante a pandemia, período em que a hesitação vacinal também cresceu. A vacinação acontece principalmente nas escolas, em parceria entre as secretarias de Saúde e de Educação. Em 2025, foram aplicadas 6.183 doses no ambiente escolar — número bem abaixo das 12.371 de 2024 e das 15.736 de 2023, sugerindo que a campanha ainda está em fase de aceleração.
O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo e pode causar cânceres de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta. Desde 2024, o Brasil adota uma dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, seguindo recomendações internacionais. Para grupos vulneráveis — como pessoas com HIV, pacientes oncológicos e vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos — o esquema continua em três doses. A ampliação para adolescentes de 15 a 19 anos é, acima de tudo, uma tentativa de garantir que uma geração inteira não chegue à vida adulta desprotegida.
Pernambuco começou a oferecer, pelo Sistema Único de Saúde, a vacina contra o Papilomavírus Humano para adolescentes de 15 a 19 anos — uma expansão anunciada pelo Ministério da Saúde em setembro que marca a primeira vez que essa faixa etária recebe o imunizante de forma gratuita e universal.
A decisão responde a um vazio deixado pela pandemia de Covid-19. Cerca de sete milhões de jovens em todo o país não foram vacinados na idade recomendada, entre 9 e 14 anos, quando a cobertura deveria ter sido garantida. Em Pernambuco, aproximadamente 300 mil pessoas nessa faixa etária agora estão aptas a receber a dose. O Ministério da Saúde enviou 50 mil doses adicionais ao estado para sustentar a campanha, que deve prosseguir até dezembro de 2025 em todos os municípios pernambucanos.
Os números atuais revelam o desafio. Entre meninas, a cobertura vacinal está em 72%; entre meninos, em 59%. A meta é chegar a 90% em ambos os grupos. Magda Costa, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações em Pernambuco, aponta que a estratégia se concentra em resgatar crianças e adolescentes que ficaram para trás durante os anos de pandemia, quando a hesitação vacinal também ganhou força. "Durante a pandemia, muitas crianças de 9 a 14 anos deixaram de receber a vacina contra o HPV. Esse cenário se agravou com a hesitação vacinal. Agora o resgate acontece principalmente no contexto escolar", explicou.
A vacinação ocorre sobretudo nas escolas, em parceria entre a Secretaria Estadual de Saúde e a Secretaria de Educação. Em 2025, até o momento, foram aplicadas 6.183 doses no ambiente escolar — um número que chama atenção por estar abaixo dos registros de anos anteriores: 12.371 doses em 2024 e 15.736 em 2023. A queda sugere que a campanha ainda está em fase de aceleração ou que há obstáculos na mobilização.
O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo e pode causar desde lesões benignas até tumores malignos, incluindo câncer de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta. A vacina protege contra os principais tipos oncogênicos do vírus. Desde 2024, o Brasil adotou um esquema simplificado: uma dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, substituindo o modelo anterior de duas aplicações. Essa mudança segue recomendações internacionais e está alinhada com o compromisso do país de eliminar o câncer de colo do útero até 2030.
Para grupos específicos — pessoas imunocomprometidas, como aquelas que vivem com HIV/Aids, pacientes oncológicos, transplantados, usuários de PrEP entre 15 e 45 anos e vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos — o esquema permanece em três doses. A ampliação para adolescentes de 15 a 19 anos representa uma tentativa de recuperar o tempo perdido e garantir que uma geração inteira não fique desprotegida contra um vírus que pode ter consequências graves décadas depois.
Notable Quotes
Durante a pandemia, muitas crianças de 9 a 14 anos deixaram de receber a vacina contra o HPV. Esse cenário se agravou com a hesitação vacinal. Agora o resgate acontece principalmente no contexto escolar— Magda Costa, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações em Pernambuco
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a pandemia deixou tantas crianças sem essa vacina?
A vacinação de rotina foi interrompida ou adiada em muitos lugares durante o Covid-19. As unidades de saúde estavam sobrecarregadas, as escolas fecharam, e houve medo de sair de casa. Depois, quando as coisas começaram a normalizar, a hesitação vacinal — a desconfiança em relação às vacinas — ganhou força. Muitos adolescentes simplesmente não foram alcançados.
E por que só agora o SUS oferece para maiores de 15 anos?
Porque a recomendação internacional é vacinar entre 9 e 14 anos, quando a resposta imunológica é melhor e antes da maioria das pessoas ter contato com o vírus. Mas quando você tem 300 mil adolescentes que perderam essa janela, deixá-los sem proteção não faz sentido. É um resgate.
Os números de doses aplicadas em 2025 são menores que em anos anteriores. Isso é preocupante?
É um sinal de que a campanha ainda está se organizando. Pode ser que as escolas estejam ajustando os cronogramas, ou que haja resistência de pais e adolescentes. Mas temos até dezembro para acelerar.
E quanto aos meninos? A cobertura deles é muito menor.
Sim, 59% contra 72% nas meninas. Historicamente, a vacina contra HPV foi associada à prevenção do câncer de colo do útero, então havia menos pressão para vacinar meninos. Mas o HPV causa câncer em homens também — de pênis, ânus, garganta. Essa percepção está mudando, mas lentamente.
Qual é a meta realista até dezembro?
Chegar a 90% em ambos os grupos. Isso significa vacinar dezenas de milhares de adolescentes em poucos meses. É ambicioso, mas não impossível se a campanha escolar ganhar ritmo e se houver engajamento das famílias.