Vacina HPV no SUS-RS: campanha temporária para jovens até 19 anos encerra em junho

A vacinação previne múltiplos tipos de câncer (colo de útero, ânus, boca, pênis) e infecções sexualmente transmissíveis em adolescentes desprotegidos.
A porta fecha no final de junho, e depois fica mais caro
A campanha extraordinária do SUS para vacinação contra HPV em adolescentes termina em 30 de junho, após o qual a vacina sai da rede pública.

No Rio Grande do Sul, o tempo se estreita para uma geração de adolescentes: até 30 de junho, o SUS oferece gratuitamente a vacina quadrivalente contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos que não foram imunizados na infância. A vacina protege contra quatro subtipos do papilomavírus — dois deles responsáveis por 70% das complicações oncológicas ligadas ao vírus, incluindo cânceres de colo de útero, ânus, boca e pênis. É uma janela rara, e quando ela fechar, a proteção gratuita deixará de existir para essa faixa etária.

  • O prazo é 30 de junho — depois disso, adolescentes de 15 a 19 anos perdem o acesso gratuito à vacina pelo SUS e precisarão recorrer à rede privada, com custo significativamente mais alto.
  • O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns do mundo, e a vacina perde eficácia quando aplicada após a exposição ao vírus, tornando cada dia de atraso uma janela de proteção desperdiçada.
  • Entre os meninos, a cobertura vacinal ainda está em 79,10% — bem abaixo da meta de 90% —, revelando uma desigualdade persistente que essa campanha extraordinária tenta corrigir.
  • Postos de saúde em todo o Rio Grande do Sul estão prontos para receber adolescentes sem burocracia: a dose é única, rápida e gratuita, mesmo para quem não tem a caderneta de vacinação em mãos.
  • O Brasil avança — a cobertura entre meninas subiu de 87,10% em 2024 para 90,67% em 2025 —, mas a meta de proteger igualmente ambos os sexos ainda não foi alcançada.

O Rio Grande do Sul vive uma contagem regressiva em saúde pública. Até 30 de junho, o SUS oferece dose única e gratuita da vacina quadrivalente contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos que não foram vacinados na infância — uma campanha extraordinária para quem ficou para trás no calendário regular de imunização.

A vacina protege contra quatro subtipos do papilomavírus humano. Os subtipos 16 e 18 são os mais perigosos: juntos, respondem por 70% das complicações oncológicas associadas ao vírus, que incluem cânceres de colo de útero, ânus, boca e pênis. Os subtipos 6 e 11, embora não causem câncer, provocam verrugas genitais. A recomendação é direta: qualquer adolescente nessa faixa etária que chegue a um posto sem comprovante de vacinação deve receber a dose imediatamente, sem exigências.

Os números revelam avanços desiguais. Em 2025, a cobertura entre meninas chegou a 90,67%, superando os 87,10% de 2024. Entre os meninos, o índice subiu de 71,11% para 79,10% — ainda distante da meta de 90%. É justamente esse grupo que mais precisa responder ao chamado desta campanha.

Depois de junho, a porta fecha. Adolescentes que perderem esse prazo terão de buscar proteção na rede privada, a um custo bem mais alto. Para quem tem dúvidas sobre seu histórico vacinal, a orientação é simples: leve a caderneta, ou vá sem ela. Os profissionais de saúde saberão o que fazer.

O Rio Grande do Sul está em contagem regressiva. Até o final de junho, o Sistema Único de Saúde oferece uma oportunidade que não voltará tão cedo: uma dose única e gratuita da vacina contra HPV para adolescentes de 15 a 19 anos que não se vacinaram quando crianças. Depois dessa data, a porta fecha.

A vacina quadrivalente é considerada a ferramenta mais potente que existe para prevenir o câncer de colo de útero. Ela funciona protegendo o corpo contra quatro variações diferentes do papilomavírus humano. Duas delas — os subtipos 16 e 18 — são particularmente perigosas. Juntas, respondem por 70% de todas as complicações cancerosas ligadas ao vírus. Essas complicações não se limitam ao colo do útero. O HPV também causa câncer de ânus, de boca e de pênis. Os outros dois subtipos cobertos pela vacina, o 6 e o 11, não causam câncer, mas provocam verrugas genitais — uma infecção sexualmente transmissível que traz seu próprio incômodo.

Normalmente, o SUS vacina crianças e adolescentes de 9 a 14 anos como parte do calendário fixo de imunização. Essa campanha extraordinária que termina em 30 de junho é uma chance para quem ficou para trás. A recomendação dos órgãos de saúde é clara: qualquer adolescente entre 15 e 19 anos que chegue a um posto de saúde sem comprovação de vacinação deve receber a dose imediatamente, sem burocracia.

Os números mostram que o Brasil tem avançado nessa frente, ainda que de forma desigual. Em 2024, 87,10% das meninas em idade escolar foram vacinadas contra HPV. Entre os meninos, o índice foi menor: 71,11%. Um ano depois, em 2025, a cobertura entre meninas subiu para 90,67%, enquanto entre meninos chegou a 79,10%. O país está se aproximando da meta de 90% de cobertura em ambos os sexos, mas ainda não chegou lá — especialmente entre os rapazes.

O que torna essa campanha urgente é simples: o HPV é uma infecção sexualmente transmissível extremamente comum. A maioria das pessoas sexualmente ativas entra em contato com o vírus em algum momento da vida. A vacina funciona melhor quando aplicada antes da exposição ao vírus, o que torna a adolescência o momento ideal. Para quem já passou dos 14 anos sem se vacinar, essa janela de junho é a última chance que o SUS oferece de forma gratuita e sem exigências. Depois disso, adolescentes e adultos jovens que quiserem se proteger terão de buscar a vacina na rede privada, a um custo bem mais alto.

Os postos de saúde em todo o Rio Grande do Sul estão preparados para receber esses adolescentes até o final do mês. A dose é única, rápida e gratuita. Para quem tem dúvidas sobre seu histórico de vacinação, a recomendação é simples: leve a caderneta de vacinação, ou vá mesmo sem ela. Os profissionais de saúde saberão o que fazer.

A recomendação oficial é proceder com a aplicação imediata da dose única protetiva para adolescentes sem comprovação de imunização
— Ministério da Saúde / SaúdeRS
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que essa campanha é temporária? Por que o SUS não oferece a vacina para todos os maiores de 14 anos o tempo todo?

Model

Porque a vacinação em massa é cara, e o SUS tem orçamento limitado. O foco permanente é nas crianças de 9 a 14 anos, quando a vacina é mais eficaz. Essa campanha extraordinária é uma tentativa de resgatar quem ficou para trás — mas não pode durar para sempre.

Inventor

E se alguém perder o prazo de junho? O que acontece?

Model

Fica mais complicado. Depois de junho, a vacina sai do SUS para essa faixa etária. Quem quiser se proteger terá de pagar na rede privada, e o custo é significativo. É por isso que a urgência é real.

Inventor

Os números mostram que mais meninas estão sendo vacinadas do que meninos. Por quê?

Model

Historicamente, a vacina contra HPV era vista como proteção para mulheres contra o câncer de colo de útero. Levou tempo para a sociedade entender que homens também se beneficiam — eles também podem ter câncer causado por HPV, e podem transmitir o vírus. A cobertura entre meninos ainda é menor, mas está crescendo.

Inventor

Se a vacina é tão eficaz, por que o Brasil ainda não atingiu 90% de cobertura?

Model

Falta de acesso em algumas regiões, desinformação, e também a questão de gênero que mencionei. Além disso, nem todo adolescente comparece aos postos de saúde regularmente. Campanhas como essa tentam preencher essas lacunas, mas é um trabalho contínuo.

Inventor

Qual é o risco real para um adolescente não vacinado?

Model

Depende. Se essa pessoa se tornar sexualmente ativa, a chance de entrar em contato com HPV é alta — a maioria das pessoas ativas sexualmente tem contato com o vírus em algum momento. Sem a vacina, o risco de desenvolver câncer relacionado ao HPV aumenta significativamente ao longo da vida.

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