Uso de celular no banheiro aumenta risco de hemorroidas em 46%, aponta estudo

O celular distrai, e a distração prolonga o tempo sentado
Pesquisa mostra que o problema não é o aparelho em si, mas o tempo que passamos no vaso enquanto estamos entretidos.

Em meio à era da hiperconectividade, a ciência revela que o hábito aparentemente inofensivo de levar o celular ao banheiro carrega consequências físicas concretas: um estudo publicado na PLOS One associa o uso do smartphone durante a evacuação a um aumento de 46% no risco de hemorroidas. O mecanismo é silencioso — a distração prolonga o tempo sentado, e o tempo prolongado pressiona e enfraquece estruturas vasculares que sustentam o equilíbrio da região anal. O corpo, como sempre, cobra o preço dos hábitos que ignoramos.

  • Um estudo com 125 adultos revelou que usuários de celular no banheiro ficam sentados por mais de cinco minutos em proporção cinco vezes maior do que quem não usa o aparelho.
  • A pressão prolongada sobre os vasos sanguíneos anais enfraquece seus mecanismos naturais de sustentação, favorecendo a dilatação crônica que caracteriza as hemorroidas.
  • Especialistas alertam que o problema vai além do celular: prisão de ventre, sedentarismo, baixo consumo de fibras e água, obesidade e gravidez também compõem o quadro de risco.
  • Sintomas como sangramento intenso, fezes escuras, tontura e dor anal severa exigem atendimento imediato — e não devem ser tratados com automedicação.
  • A prevenção é acessível: dieta rica em fibras, hidratação adequada, atividade física e o simples hábito de não prolongar a permanência no vaso sanitário podem fazer grande diferença.

O smartphone tornou-se presença constante até nos momentos mais íntimos do cotidiano — e uma pesquisa publicada na revista PLOS One agora aponta um custo físico para esse hábito. O estudo acompanhou 125 adultos submetidos a colonoscopias de rotina e constatou que quem usa o celular no banheiro tem 46% mais risco de desenvolver hemorroidas. A razão é direta: a distração prolonga o tempo sentado no vaso, e esse tempo extra aumenta a pressão sobre os vasos sanguíneos da região anal, enfraquecendo as estruturas que os sustentam e dificultando a circulação. Entre os usuários de celular, 37% ficavam mais de cinco minutos sentados; entre os que não levavam o aparelho, esse índice era de apenas 7,1%.

A coloproctologista Dra. Denise Priolli confirma que a relação faz sentido clínico: o esforço para evacuar já eleva a pressão abdominal e anal, e a permanência prolongada agrava esse quadro de forma contínua. A especialista também chama atenção para o fato de que hemorroidas têm aparecido com mais frequência em pessoas jovens — o que pode refletir mudanças nos hábitos de vida recentes. Além do celular, outros fatores de risco incluem prisão de ventre, sedentarismo, baixo consumo de fibras e água, excesso de peso e gravidez.

A prevenção, porém, está ao alcance de mudanças simples: adotar uma dieta rica em frutas, verduras, feijão e cereais integrais; beber água suficiente — cerca de 20 ml por quilo de peso corporal ao dia; praticar exercícios regularmente; e evitar prolongar a permanência sentado. A Dra. Priolli alerta ainda para os sinais que exigem avaliação médica imediata, como sangramento intenso, fezes escuras, tontura e dor anal severa, e reforça que a automedicação com pomadas sem prescrição não é recomendável. O celular no banheiro é, no fundo, um espelho de um descuido maior: a tendência de ignorar o que o próprio corpo sinaliza.

O celular virou companheiro inseparável em praticamente todos os lugares — e o banheiro não é exceção. Mas uma pesquisa publicada na revista científica PLOS One trouxe uma descoberta incômoda: levar o smartphone para o vaso sanitário está associado a um aumento de 46% no risco de desenvolver hemorroidas. O problema não é o aparelho em si, mas o que ele faz com nosso tempo.

Os pesquisadores acompanharam 125 adultos que passaram por colonoscopias de rotina e mapearam seus hábitos no banheiro. Os números foram reveladores: entre as pessoas que usavam celular durante a evacuação, 37% permaneciam sentadas por mais de cinco minutos. Entre aquelas que não levavam o aparelho, esse índice caía para apenas 7,1%. A distração do smartphone, portanto, prolonga a permanência no vaso — e essa permanência prolongada é o verdadeiro culpado. Quando ficamos sentados por muito tempo, a pressão sobre os vasos sanguíneos da região anal aumenta, enfraquecendo os apoios naturais que sustentam essas estruturas e dificultando o retorno do sangue. Com o tempo, os vasos ficam constantemente dilatados, favorecendo o surgimento das hemorroidas. A associação manteve-se firme mesmo após os pesquisadores ajustarem os dados para idade, sexo, índice de massa corporal, nível de atividade física e consumo de fibras.

A Dra. Denise Priolli, cirurgiã geral do aparelho digestivo e coloproctologista da Faculdade Pitágoras, confirma que essa relação faz todo sentido na prática clínica. Segundo ela, os esforços para evacuar já aumentam a pressão no abdome e na região anal. Quando isso acontece com frequência, os mecanismos naturais de sustentação enfraquecem. Ficar sentado por longos períodos agrava ainda mais esse quadro, mantendo a região sob pressão constante e prejudicando a circulação sanguínea. Curiosamente, os pesquisadores também observaram que casos de hemorroidas têm sido registrados com maior frequência em pessoas mais jovens — uma mudança que pode estar relacionada justamente aos novos hábitos de vida dos últimos anos.

Mas o celular é apenas um dos muitos fatores que contribuem para o problema. A especialista lista uma série de hábitos que aumentam o risco: fazer força para evacuar, adiar a ida ao banheiro quando surge a vontade, sofrer com prisão de ventre, consumir pouca fibra e pouca água, levar uma vida sedentária, permanecer muitas horas sentado ao longo do dia, estar acima do peso e, no caso das mulheres, a gravidez. A boa notícia é que a prevenção passa por mudanças simples e acessíveis. Consumir frutas, verduras, legumes, feijão, aveia e alimentos integrais; beber bastante água; praticar atividade física regularmente; evitar permanecer muito tempo sentado e criar uma rotina intestinal consistente — essas medidas fazem grande diferença. A Dra. Priolli oferece até uma fórmula prática para calcular a ingestão de água: cerca de 20 mililitros por quilo de peso corporal ao longo do dia.

Mas nem todo sintoma na região anal é hemorroida, e é aí que muitas pessoas erram. A especialista alerta que é importante procurar um coloproctologista quando surgirem sangramento anal, dor ao evacuar ou ao sentar, coceira persistente, ardor, sensação de peso, saída de muco ou pus, dificuldade para evacuar ou alterações no hábito intestinal. Alguns sinais, porém, exigem atendimento imediato: sangramento intenso, fezes muito escuras ou com sangue misturado, fraqueza, tontura, perda de peso sem explicação e dor intensa na região anal. Pessoas com mais de 40 ou 45 anos que apresentem sintomas novos também devem ficar atentas, especialmente se estão na faixa etária indicada para rastreamento do câncer colorretal. A colonoscopia pode ser indicada para prevenção do câncer de intestino, mas é importante lembrar que esse exame não diagnostica a doença hemorroidária — para isso, o exame clínico e a anuscopia continuam sendo fundamentais.

Por fim, a Dra. Priolli reforça um alerta importante: evitar a automedicação. Pomadas e fórmulas milagrosas sem orientação médica não são recomendáveis. Uma avaliação especializada, associada a hábitos de vida saudáveis, pode evitar a progressão da doença e identificar outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes. O celular no banheiro é apenas um sintoma de um problema maior — a falta de atenção aos sinais que nosso corpo nos envia.

Os esforços para evacuar aumentam a pressão no abdome e na região do ânus. Quando isso acontece com frequência, os apoios naturais que sustentam os vasos hemorroidários podem enfraquecer, dificultando o retorno do sangue e mantendo esses vasos constantemente dilatados.
— Dra. Denise Priolli, cirurgiã geral e coloproctologista
Nem toda 'hemorroida' é realmente hemorroida, e nem todo sangramento vem dela. Por isso, é importante procurar um coloproctologista quando surgirem sintomas como sangramento anal, dor ao evacuar ou ao sentar, coceira persistente, ardor, sensação de peso, saída de muco ou pus, dificuldade para evacuar ou alterações no hábito intestinal.
— Dra. Denise Priolli
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que exatamente o celular aumenta o risco? É a luz azul, a radiação?

Model

Não, nada disso. É simplesmente porque o aparelho nos distrai. Quando estamos entretidos com o telefone, perdemos a noção do tempo e ficamos sentados muito mais tempo do que o necessário. Essa permanência prolongada é que causa o problema.

Inventor

E se a pessoa usar o celular mas sair rápido mesmo assim?

Model

Aí o risco diminui bastante. O estudo mostrou que entre quem não usava celular, apenas 7% ficava mais de cinco minutos. O aparelho é um facilitador da distração, não a causa direta.

Inventor

A médica mencionou que hemorroidas estão aumentando em pessoas jovens. Isso é realmente novo?

Model

Sim, e provavelmente está ligado aos hábitos modernos — mais tempo sentado, mais celular, menos movimento. Gerações anteriores não tinham esses aparelhos para distraí-las no banheiro.

Inventor

Se alguém tem sangramento anal, é sempre hemorroida?

Model

Não. A doutora foi bem clara sobre isso: nem todo sangramento vem de hemorroida, e nem toda 'hemorroida' é realmente hemorroida. Por isso é importante procurar um especialista e não se automedicar.

Inventor

Qual é o sinal mais preocupante que alguém deveria levar a sério?

Model

Sangramento intenso, fezes muito escuras com sangue misturado, fraqueza, tontura ou perda de peso sem explicação. Esses exigem atendimento imediato, não dá para esperar.

Inventor

Então basicamente é voltar aos hábitos antigos — entrar, fazer o que tem que fazer, e sair?

Model

Exatamente. Além disso, comer bem, beber água, se mexer. São coisas simples que a gente sabe que funciona, mas que a gente não faz.

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