Queremos manter essa reputação de um operador sustentável
Usina solar ocupará área equivalente a 10 campos do Maracanã e gerará 769 MWh mensais, suprindo 100% da demanda do terminal de passageiros. Projeto criará 100 empregos diretos e indiretos durante oito meses de construção, com operação completa prevista para fevereiro de 2027.
- 8 mil placas solares em 7,2 hectares (equivalente a 10 campos do Maracanã)
- Investimento de R$ 20 milhões com operação completa prevista para fevereiro de 2027
- Geração de 769 MWh mensais, suficiente para 100% da demanda do terminal de passageiros
- Redução de 505 toneladas de carbono por ano, equivalente ao sequestro de quase 4 mil árvores da Mata Atlântica
- 100 empregos diretos e indiretos durante 8 meses de construção
O Aeroporto de Vitória iniciou construção de complexo com 8 mil placas solares em 7,2 hectares, investindo R$ 20 milhões para gerar energia limpa e reduzir 505 toneladas de carbono anuais.
Na quarta-feira do primeiro de julho, o Aeroporto de Vitória começou a transformar sua infraestrutura. A Zurich Airport Brasil, concessionária que administra o terminal, iniciou a construção de um complexo de usinas solares que ocupará 7,2 hectares — uma área equivalente a dez campos de futebol do Maracanã. O investimento de R$ 20 milhões marca um passo significativo na estratégia da empresa de descarbonizar suas operações e garantir eficiência energética de longo prazo.
O projeto é ambicioso em escala. Quase oito mil placas solares serão distribuídas em quatro pontos diferentes do sítio aeroportuário, gerando uma potência instalada de 5.787 kWp. Quando estiver em pleno funcionamento, o complexo produzirá 769 megawatts-hora por mês — energia suficiente para atender completamente a demanda do terminal de passageiros ou abastecer aproximadamente cinco mil residências, considerando um consumo médio de 150 quilowatts-hora mensais por casa.
A construção deve durar oito meses e criará cerca de cem empregos diretos e indiretos, segundo Artemis Papanika, diretora de operações da Zurich Airport Brasil. A operação completa, incluindo as fases de conexão à rede elétrica e homologação pelos órgãos responsáveis, está prevista para fevereiro de 2027. A maior das áreas onde as placas serão instaladas fica na região paralela à Rodovia Norte Sul, com 5,27 hectares. As outras usinas ocuparão 1,07 e 0,86 hectare. Um detalhe importante: os pontos escolhidos não exigirão a supressão de vegetação.
O impacto ambiental é expressivo. A usina deverá reduzir a emissão de 505 toneladas de carbono por ano — uma redução equivalente ao sequestro de carbono de quase quatro mil árvores da Mata Atlântica. Para Papanika, o projeto consolida a reputação do aeroporto como operador sustentável. "Projetos como esse não são somente eficiência operacional e energética, mas também contribuem para a redução significativa de emissão de carbono", afirmou. "Queremos manter essa reputação de um operador sustentável."
Com essa iniciativa, o Aeroporto de Vitória se juntará aos terminais de Macaé e Natal como aeroportos brasileiros com autossustentabilidade energética. O projeto faz parte de uma série de ações ambientais desenvolvidas pela Zurich Airport Brasil. Desde 2024, o terminal Eurico de Aguiar Salles conta com um sistema que fornece energia limpa e renovável para as aeronaves no solo. Em pouco mais de dois anos, essa iniciativa evitou a emissão de cerca de 6,6 mil toneladas de dióxido de carbono — o equivalente ao sequestro anual de 51 mil árvores da Mata Atlântica.
Outras ações complementam essa estratégia. O resíduo gerado no aeroporto é destinado à reciclagem, reaproveitamento ou compostagem. Noventa e cinco por cento dos materiais descartados não são enviados para aterros. Entre janeiro e maio deste ano, 123 toneladas foram encaminhadas para ganhar nova utilidade. A construção da usina solar representa, portanto, não um projeto isolado, mas parte de uma transformação mais ampla da operação aeroportuária em direção à sustentabilidade.
Citas Notables
Projetos como esse não são somente eficiência operacional e energética, mas também contribuem para a redução significativa de emissão de carbono— Artemis Papanika, diretora de operações da Zurich Airport Brasil
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que um aeroporto investe R$ 20 milhões em energia solar agora, neste momento?
Porque a pressão por descarbonização é real e crescente. Aeroportos são operações de alto consumo energético. A Zurich Airport Brasil viu uma oportunidade de reduzir custos de longo prazo enquanto constrói reputação como operador responsável.
E os empregos — cem postos durante oito meses. Isso é significativo para Vitória?
É um número modesto em termos absolutos, mas importante para a construção civil local. Mais importante é o sinal: grandes operações estão investindo em infraestrutura verde, não apenas em lucro imediato.
A energia gerada — 769 megawatts-hora por mês — parece muito. Como isso se compara ao consumo real?
É exatamente o consumo do terminal de passageiros. Então em dias normais, o aeroporto não precisa comprar energia da rede. Em dias de pico, talvez precise. É autossuficiência, não independência total.
E a questão ambiental — 505 toneladas de carbono evitadas por ano. É muito?
Para um aeroporto, é significativo. Equivale ao sequestro de quase quatro mil árvores. Mas um voo transatlântico emite centenas de toneladas. A energia solar resolve a operação terrestre, não o problema maior da aviação.
Então por que isso importa?
Porque mostra que operadores grandes estão agindo onde podem. E porque consolida um padrão: Vitória, Macaé, Natal — aeroportos brasileiros estão se tornando autossustentáveis. Isso muda expectativas.
O que vem depois?
Fevereiro de 2027. Se funcionar como planejado, outros terminais vão copiar. Se houver atrasos ou problemas, a indústria vai questionar o modelo. É um teste em escala real.