Ao longo de milénios, os ursos-pardos que habitavam a Península Ibérica foram moldados não apenas pelo clima, mas pela presença crescente e perturbadora do ser humano. Fósseis recolhidos em grutas portuguesas revelam que estes animais perderam mais de quarenta por cento da sua massa corporal desde a última glaciação — uma transformação silenciosa que a ciência agora associa à caça seletiva, à destruição das florestas e à ocupação dos seus refúgios ancestrais. O que começou como coexistência tornou-se pressão evolutiva, e o gigante que um dia percorreu estas terras sobrevive hoje numa forma mui