Para nossa felicidade, está acima do esperado
Em um sábado de maio, Porto Alegre transformou suas 134 unidades de saúde em pontos de encontro entre a cidade e a esperança: o Dia D da vacinação contra gripe reuniu mais pessoas do que o esperado, com filas formadas antes mesmo da abertura dos postos. Num momento em que as emergências da capital sufocam sob o peso da superlotação, a adesão popular surge como um gesto coletivo de autocuidado — e como um lembrete de que a prevenção, quando abraçada, pode aliviar o que o tratamento já não consegue conter sozinho.
- As filas se formaram antes das 9h, surpreendendo coordenadores que esperavam movimento mais tímido nas primeiras horas do Dia D.
- Postos como o IAPI e o Centro de Saúde Modelo registraram centenas de atendimentos em poucas horas, enquanto a sala de espera do Jardim Itú já estava cheia às 10h30.
- A superlotação crônica nas emergências de Porto Alegre torna cada dose aplicada uma peça estratégica para evitar o colapso do sistema de saúde.
- A meta de 90% de cobertura nos públicos prioritários — não atingida há cinco anos — permanece como o verdadeiro teste da campanha, com apenas 36% vacinados até a véspera.
- Simultaneamente, equipes de saúde percorriam a zona norte de porta em porta no combate à dengue, revelando uma cidade que enfrenta múltiplas frentes de vulnerabilidade ao mesmo tempo.
No sábado de manhã, Porto Alegre abriu todas as suas 134 unidades de saúde para o Dia D da vacinação contra gripe — e o que encontrou nas filas superou as expectativas. No Jardim Itú, na zona norte, cerca de cem doses já haviam sido aplicadas em uma hora e meia, com pessoas aguardando desde as 8h30. Elisangela da Silva Alves, assistente de coordenação do posto, não escondia a satisfação: o movimento estava acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Balões decoravam o espaço, e o Zé Gotinha recebia os visitantes. Entre eles, Leonardo Boesing, que levou o filho Liam, de um ano e dois meses, para receber a primeira dose.
No IAPI, a sala de espera estava praticamente lotada ao final da manhã, com mais de trezentos atendimentos até as 11h. No Centro de Saúde Modelo, no bairro Santana, a fila dobrava a esquina às 11h30 — mas o tempo de espera não passava de vinte minutos. Com seiscentos atendimentos em três horas, a unidade mais movimentada da cidade operava dentro do esperado, e a tarde prometia ainda mais movimento.
A adesão chega em momento crítico. As emergências da capital enfrentam superlotação crônica, e o secretário de saúde Fernando Ritter vê na vacinação a principal ferramenta para evitar um colapso ainda maior. O desafio, porém, é real: a campanha busca atingir 90% de cobertura nos públicos prioritários — meta não alcançada há cinco anos. Até a véspera, apenas 36% do público-alvo havia sido vacinado.
Enquanto os postos recebiam a população, equipes de quatro unidades de saúde percorriam a zona norte em mutirão contra a dengue, orientando moradores sobre criadouros do Aedes aegypti. Ritter lembrou que a cidade saía de uma média de mil e quinhentos casos diários da doença. Nesse cenário de múltiplas pressões, o Dia D da gripe funcionou como um respiro — uma aposta coletiva na prevenção como caminho para aliviar um sistema de saúde já bastante fragilizado.
No sábado de manhã, Porto Alegre acordou para um dia que a prefeitura havia marcado na agenda com expectativa cautelosa: o Dia D da vacinação contra gripe. Todas as 134 unidades de saúde da capital abriram às 9h e permaneceriam abertas até as 18h, oferecendo a vacina para qualquer pessoa com mais de seis meses de idade. O que ninguém esperava com certeza era a fila que se formaria já nos primeiros minutos.
Os números começaram a chegar cedo. No Jardim Itú, na zona norte, por volta das 10h30 da manhã, a unidade já havia aplicado cerca de cem doses em apenas uma hora e meia de funcionamento. A espera girava em torno de trinta minutos — nada demais, mas o ritmo era notavelmente acelerado. Elisangela da Silva Alves, assistente de coordenação do posto, não conseguia esconder a satisfação. Ela observava que, diferentemente do ano anterior, quando o movimento começava a intensificar por volta das 11h, desta vez as pessoas já estavam na fila desde as 8h30 da manhã. "Para nossa felicidade, está acima do esperado", disse ela. A unidade havia se preparado para a ocasião: balões decoravam o espaço, e o Zé Gotinha, mascote tradicional das campanhas de imunização, recebia os visitantes. Leonardo Boesing, oficial de justiça, levou seu filho Liam, com um ano e dois meses, para receber a primeira dose. Ele explicou que procurava há tempo pela vacina e aproveitou a oportunidade que o dia D oferecia.
No IAPI, um dos maiores postos da capital, a sala de espera estava praticamente lotada por volta do final da manhã. Até as 11h, a unidade havia realizado mais de trezentos atendimentos — um número considerado alto para um posto que normalmente atende cerca de mil pacientes ao longo de um dia inteiro. No centro de saúde Modelo, localizado no bairro Santana, o quadro era ainda mais impressionante: a fila para entrar atravessava a esquina por volta das 11h30. Apesar da aparência caótica, o tempo de espera não ultrapassava vinte minutos. Com seiscentos atendimentos em apenas três horas, o movimento estava dentro do que a direção considerava esperado para a unidade mais movimentada da cidade. A expectativa era que a tarde trouxesse ainda mais pessoas.
Esta adesão inesperada chega em um momento crítico para a saúde de Porto Alegre. As emergências da capital e da região metropolitana enfrentam superlotação crônica, com pacientes ocupando corredores e salas de espera além da capacidade. Fernando Ritter, secretário da saúde, vê na vacinação uma ferramenta essencial para aliviar essa pressão. "A vacina vai evitar que a gente tenha uma sobrecarga ainda maior", afirmou, reconhecendo que embora a prefeitura tenha implementado ações para desafogar o sistema, a prevenção através da imunização permanece como a estratégia mais importante. O desafio, porém, é imenso. A campanha busca atingir pelo menos 90% de cobertura nos públicos prioritários — crianças, gestantes e pessoas com sessenta anos ou mais. Essa meta não é alcançada há cinco anos na capital. Até a última sexta-feira, apenas 36% do público-alvo havia sido vacinado, um número que, embora superior ao do mesmo período do ano anterior (agravado pela enchente), ainda é considerado baixo.
Paralelamente ao esforço de vacinação contra gripe, a prefeitura mobilizou equipes de quatro unidades de saúde para um mutirão contra a dengue. Nas áreas da zona norte onde o mosquito Aedes aegypti concentra seus focos, agentes batiam de porta em porta, mostrando aos moradores onde estavam os possíveis criadouros e reforçando a importância da prevenção. Ritter destacou que, embora a dengue tenha apresentado queda, os números da última semana indicavam que a cidade saía de uma média de mil e quinhentos casos diários. A vacinação contra gripe, neste contexto, funciona como um respiro — uma chance de prevenir uma sobrecarga ainda maior no sistema de saúde já fragilizado.
Citações Notáveis
Para nossa felicidade, está acima do esperado. Em relação ao ano passado, a gente nota que o movimento mais acentuado começava por volta de umas 11h e vai aumentando ao longo do dia. Hoje, às 8h30 da manhã já tinha pacientes aguardando a vacinação— Elisangela da Silva Alves, assistente de coordenação do Jardim Itú
A vacina vai evitar que a gente tenha uma sobrecarga ainda maior. Vocês sabem que nós estamos com uma superlotação. A mais importante é prevenir — prevenção é através da vacina— Fernando Ritter, secretário da saúde de Porto Alegre
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o movimento foi tão acima do esperado? O que mudou em relação ao ano passado?
Acho que foi uma combinação de coisas. Primeiro, a prefeitura abriu todas as 134 unidades no mesmo dia, com horário estendido até as 18h. Mas o principal é que as pessoas já estavam na fila desde as 8h30 da manhã — no ano passado isso começava por volta das 11h. Parece que houve uma mobilização diferente, talvez mais comunicação ou simplesmente mais consciência da importância.
E essa superlotação nas emergências que o secretário mencionou — a vacinação realmente resolve isso?
Não resolve de uma vez, mas ajuda bastante. Se você previne gripe em 90% da população, você evita que essas pessoas procurem a emergência quando ficarem doentes. É um alívio de pressão. Mas o secretário foi honesto: eles estão tentando várias ações, mas a prevenção é o que realmente funciona.
A meta de 90% não é atingida há cinco anos. Por que é tão difícil?
Porque 36% em uma sexta-feira é ainda muito longe de 90%. Mesmo que o ritmo de sábado tenha sido bom, você precisa manter isso durante toda a campanha. E há sempre pessoas que não conseguem ir, que têm receio, que simplesmente não priorizam. Cinco anos sem atingir a meta mostra que é um desafio estrutural, não só de um dia.
E a dengue? Por que a prefeitura está fazendo um mutirão no mesmo dia?
Porque a dengue ainda é uma ameaça. Saíram de mil e quinhentos casos por dia na última semana. Então enquanto as pessoas estão mobilizadas e vão aos postos de saúde, a prefeitura aproveita para enviar agentes às casas mostrando onde estão os criadouros do mosquito. É eficiência — dois problemas, duas estratégias, um único dia de mobilização.
O que você acha que vai acontecer agora?
Depende se a prefeitura consegue manter esse ritmo. Se o sábado foi um sucesso, eles precisam capitalizar isso nos próximos dias e semanas. A meta de 90% ainda está longe, e a superlotação nas emergências não vai desaparecer da noite para o dia. Mas pelo menos agora há um sinal de que as pessoas estão respondendo quando a oportunidade é oferecida.