Sempre gostei de como as pessoas podem ter uma conexão íntima com meu trabalho através da moda
KAWS evoluiu de grafiteiro das ruas de Nova York nos anos 1990 para artista contemporâneo com 3,2 milhões de seguidores no Instagram e obras vendidas por milhões. Seus personagens icônicos como COMPANION e CHUM transcendem mídias, aparecendo em esculturas colossais, brinquedos, móveis e colaborações com Supreme, Nike, Dior e Comme des Garçons.
- KAWS começou como grafiteiro nas ruas de Nova York em meados dos anos 1990
- Possui 3,2 milhões de seguidores no Instagram e uma obra vendida por 14,8 milhões de dólares em 2019
- Colaborou com Dior Men, Comme des Garçons, Supreme, Nike e irmãos Campana
- Exposição 'KAWS: WHAT PARTY' aberta no Museu do Brooklyn de fevereiro a setembro de 2021
- Integra realidade aumentada via aplicativo Acute Art para acesso global
Brian Donnelly, conhecido como KAWS, oferece tour exclusivo pela sua primeira grande exposição em Nova York, narrando sua trajetória de 25 anos do graffiti às colaborações com marcas de moda e arte contemporânea.
Brian Donnelly não começou sua carreira em um ateliê, mas nas ruas de Nova York, onde seus personagens de olhos em X surgiram no meio dos anos 1990 entre anúncios de Calvin Klein e Christy Turlington. Conhecido mundialmente pela assinatura de graffiti KAWS, Donnelly transformou o que começou como intervenções em outdoors e cabines telefônicas em uma prática artística que hoje atravessa esculturas colossais, brinquedos colecionáveis, móveis e colaborações com as maiores casas de moda do mundo. Sua primeira grande exposição em Nova York, que abriu no Museu do Brooklyn em fevereiro de 2021, marca um ponto de chegada em uma trajetória de 25 anos que desafia as fronteiras entre arte de rua, design, moda e cultura pop.
O trabalho de Donnelly repousa em personagens que se tornaram instantaneamente reconhecíveis: CHUM, uma apropriação do Bibendum da Michelin; COMPANION, uma figura que às vezes veste luvas e shorts do Mickey Mouse; e os Kimpsons, uma paródia de Os Simpsons. Esses seres habitam múltiplas formas — desenhos em papel, pinturas acrílicas sobre pôsteres publicitários que Donnelly modificava e recolocava nas ruas, esculturas de fibra de vidro com metros de altura, brinquedos de pelúcia que revestem poltronas desenhadas com os irmãos Campana de São Paulo. Em 2019, uma de suas obras foi vendida por 14,8 milhões de dólares em leilão na Sotheby, embora Donnelly não tenha recebido nada da transação devido a restrições de royalties de revenda. Seus 3,2 milhões de seguidores no Instagram testemunham uma adesão que críticos frequentemente rejeitam, mas que o público abraça sem hesitação.
A trajetória de Donnelly revela uma estratégia deliberada de comunicação através de formas acessíveis. Seus primeiros heróis foram grafiteiros do final dos anos 1970 e início dos 1980 — Lee Quiñones, Futura 2000, Blade — artistas que criaram presença para si mesmos nas ruas. Keith Haring também o influenciou profundamente, não por ser grafiteiro, mas pela abordagem democrática de fazer arte e torná-la acessível através da Pop Shop. Quando Donnelly se mudou para Nova York em 1996, começou a desenhar sobre anúncios de moda em pontos de ônibus e cabines telefônicas, invadindo o espaço publicitário com seus personagens. Não procurava entrar na moda, dizia ele; apenas queria levar seu trabalho para o mundo. Mas a moda o encontrou. Colaborações com A Bathing Ape, Supreme e Nike levaram a parcerias maiores: Kim Jones o convidou para a coleção de estreia da Dior Men, instalando uma escultura de seis metros de altura na passarela; Rei Kawakubo da Comme des Garçons criou uma coleção inteira de camisas, casacos e bolsas a partir de seus desenhos.
A exposição no Brooklyn, curada por Eugenie Tsai, narra essa evolução através de peças selecionadas que Donnelly comentou em um tour exclusivo. Seus primeiros trabalhos sobre pôsteres publicitários — modificações de anúncios de Haring, DKNY e Marlboro dos anos 1990 — mostram o artista como interventor urbano, alguém que via a cidade como tela. As esculturas de madeira que começou a criar em 2005 com a empresa japonesa Karimoku cresceram para mais de dez metros de altura, feitas perto de Amsterdã e finalizadas à mão em Maastricht. Há uma vulnerabilidade nessas peças, explicou Donnelly: são de madeira, estão ao ar livre, precisam de manutenção constante, como um barco. A série de nove pinturas de 2017 intitulada The News capturou a ansiedade que sentia naquele momento — coloridas e agradáveis à vista, mas com uma tensão embutida que, segundo o artista, nunca realmente desapareceu.
O trabalho mais recente de Donnelly reflete a pandemia de 2020. Em março, ele e sua esposa contraíram Covid-19 e ficaram isolados por três semanas. Começou a desenhar CHUM com as mãos espalhadas pelo rosto — tocando, contaminando — uma série que é simultaneamente engraçada e estressante. Transformou esses desenhos em dez pinturas penduradas em grade na exposição. Também explorou a questão do que é real através de KAWS: HOLIDAY, um boneco inflável de 40 metros que viajou por Hong Kong, Taipei, Coreia e foi instalado na base do Monte Fuji por seis dias, levando pessoas a acampar para vê-lo. Essa experiência o levou a se interessar por realidade aumentada, e a exposição do Brooklyn integra o aplicativo Acute Art, permitindo que pessoas de todo o mundo se conectem com seu trabalho através de tecnologia imersiva. Um catálogo ilustrado co-publicado com a Phaidon, com cinco capas diferentes, foi lançado em junho de 2021, documentando uma carreira que transformou a assinatura de um grafiteiro em um dos fenômenos artísticos mais amados e comercialmente viáveis da contemporaneidade.
Citas Notables
Para mim, a arte sempre foi uma questão de comunicação— Brian Donnelly (KAWS)
Não procurava entrar na moda, só queria levar meu trabalho para o mundo— Brian Donnelly, sobre suas primeiras intervenções em anúncios publicitários
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Como você explica a rejeição de críticos quando seu trabalho é tão amplamente amado?
Acho que há uma tensão entre o que é considerado "sério" e o que é acessível. Meu trabalho vem das ruas, não de galerias. Sempre foi sobre comunicação direta, não sobre exclusividade.
Seus personagens aparecem em tudo — desde esculturas gigantes até móveis. Há um risco de diluição?
Não vejo assim. Cada forma permite que as pessoas se conectem de maneiras diferentes. Ver algo em uma parede é uma coisa. Vê-lo estampado em uma roupa que você usa é outra. A intimidade muda.
Você começou modificando anúncios publicitários. Agora colabora com as maiores marcas. Como você navega essa contradição?
Não era uma contradição planejada. Eu invadia pontos de ônibus porque queria que meu trabalho fosse visto. As marcas vieram depois. Mas a intenção permanece: tornar a arte acessível.
A série que você fez durante a Covid, com as mãos tocando o rosto — por que transformar algo tão pessoal em arte?
Porque a ansiedade era coletiva. Todos estávamos sentindo aquela incerteza, aquele medo de tocar. Desenhar foi uma forma de processar isso e, ao mesmo tempo, torná-lo engraçado. A arte pode fazer ambas as coisas.
O que muda quando você vê seu trabalho em realidade aumentada em vez de fisicamente?
A questão se torna: o que é real? Uma escultura permanente que você visita sempre que está na cidade tem uma qualidade. Uma instalação efêmera que desaparece em seis dias tem outra. A realidade aumentada adiciona uma camada — o trabalho existe em múltiplos lugares simultaneamente.