A futura arquitetura de segurança europeia é inimaginável sem a Ucrânia
Numa única terça-feira de julho, a União Europeia assistiu a um avanço sem precedentes em mais de duas décadas: quatro nações — Montenegro, Albânia, Moldávia e Ucrânia — progrediram simultaneamente nas suas negociações de adesão, num momento que a própria comissária responsável pelo alargamento apelidou de 'Super Terça-feira'. O movimento não é apenas burocrático; é uma declaração de intenção geopolítica, em que a Europa redesenha as suas fronteiras simbólicas em resposta às pressões de um continente em transformação. A integração da Ucrânia, em particular, carrega o peso de uma guerra ainda em curso e a promessa de uma nova arquitetura de segurança europeia.
- A simultaneidade de avanços de quatro países candidatos no mesmo dia quebrou um silêncio de mais de 20 anos na dinâmica de alargamento da UE, criando uma pressão renovada sobre as instituições para manterem o ritmo.
- A Ucrânia e a Moldávia entraram na segunda fase das negociações apenas um mês após a sua abertura formal — uma velocidade só possível depois de a Hungria, sob novo governo, ter levantado o veto que bloqueava o processo.
- Montenegro está a menos de três anos de se tornar o 28.º membro da UE, com 18 capítulos provisoriamente encerrados e uma conferência de adesão que já vai na 28.ª reunião, consolidando a sua posição de liderança.
- Von der Leyen deslocou-se a Kiev no mesmo dia, com relatos de um pacote de apoio de até 18 mil milhões de euros a caminho, sinalizando que o compromisso financeiro e estratégico da UE com a Ucrânia está longe de abrandar.
Numa terça-feira de julho, a União Europeia viveu um momento que não se repetia há mais de duas décadas: Montenegro, Albânia, Moldávia e Ucrânia avançaram em simultâneo nas suas negociações de adesão. A comissária Marta Kos batizou o dia de 'Super Terça-feira', evocando o termo americano para o dia em que múltiplos estados realizam primárias presidenciais.
O destaque maior coube à Ucrânia e à Moldávia, que iniciaram a segunda etapa das negociações, abrindo discussões sobre relações externas, comércio e política de segurança e defesa. Para Kos, a Ucrânia é uma 'potência militar com capacidades que poucas nações conseguem igualar', e a sua integração reforçaria a segurança do continente. O avanço foi possível apenas após a mudança de governo na Hungria, com o novo primeiro-ministro Péter Magyar a levantar o veto de Budapeste que havia bloqueado o processo.
O ministro irlandês Thomas Byrne, representando a presidência rotativa do Conselho da UE, enquadrou o momento como 'um investimento na paz, na segurança e na prosperidade'. Do lado ucraniano, o vice-primeiro-ministro Taras Kachka sublinhou que o processo 'decorre sem interrupções' e que Kiev 'não vê grandes obstáculos'.
Montenegro, esperado tornar-se o 28.º membro da UE em 2028, encerrou provisoriamente mais dois capítulos, somando agora 18 — mais de metade do caminho. A Albânia fechou provisoriamente três capítulos adicionais. No mesmo dia, von der Leyen viajou para Kiev, com relatos de um pacote de apoio de até 18 mil milhões de euros, num sinal claro de que a Europa está a apostar na integração dos seus vizinhos orientais como resposta estratégica aos desafios do continente.
Numa terça-feira de julho, a União Europeia marcou um ponto de viragem no seu projeto de expansão. Quatro países — Montenegro, Albânia, Moldávia e Ucrânia — avançaram simultaneamente nas suas negociações de adesão, um fenômeno que não se repetia há mais de duas décadas. A comissária responsável pelo alargamento, Marta Kos, batizou o dia de "Super Terça-feira", uma referência ao termo americano para o dia em que múltiplos estados realizam primárias presidenciais. "É preciso recuar mais de 20 anos para encontrar um momento em que tantas cerimónias de agrupamento de capítulos tenham sido realizadas no mesmo dia", explicou ao Politico.
O destaque maior coube à Ucrânia e à Moldávia, que iniciaram a segunda etapa das suas negociações de adesão, abrindo agora discussões sobre relações externas — comércio, políticas internacionais, política externa, segurança e defesa. Para Kos, a Ucrânia representa uma "potência militar com capacidades que poucas outras nações conseguem igualar", e a sua integração na UE reforçaria a segurança do continente e reduziria as dependências estratégicas do bloco. "A futura arquitetura de segurança do nosso continente é inimaginável sem a Ucrânia", afirmou. Este avanço ocorreu apenas um mês após a abertura formal das negociações, possível apenas depois da mudança de governo na Hungria, quando o novo primeiro-ministro Péter Magyar levantou o veto de Budapeste que havia bloqueado o processo.
Thomas Byrne, ministro de Estado dos Assuntos Europeus e da Defesa da Irlanda — país que ocupa a presidência rotativa do Conselho da UE neste semestre — enquadrou o movimento como um investimento estratégico. "Nestes tempos desafiantes, o alargamento representa um investimento na paz, na segurança, na estabilidade e na prosperidade, tanto para a UE como para a Ucrânia", disse. Do lado ucraniano, Taras Kachka, vice-primeiro-ministro para a Integração Europeia, reforçou a determinação de Kiev: "O processo de adesão da Ucrânia está a decorrer sem interrupções", sublinhando que o país "não vê grandes obstáculos ao processo".
A Comissão Europeia confirmou que Ursula von der Leyen estaria em Kiev naquele dia, coincidindo com a celebração do Dia de Elevação a Estado, feriado oficializado por Volodymyr Zelensky em 2021 e celebrado pela primeira vez após a invasão russa. Embora Bruxelas não tenha adiantado formalmente o motivo da visita, a televisão polaca TVP World noticiou que o executivo comunitário estava a preparar um pacote de apoio combinado para a Ucrânia no valor de até 18 mil milhões de euros, com anúncios previstos durante a deslocação de von der Leyen.
Montenegro, apontado como o país mais avançado no processo de adesão e esperado tornar-se o 28.º membro da UE em 2028, realizou a sua 28.ª reunião da Conferência de Adesão, encerrando provisoriamente as negociações sobre política de concorrência e união aduaneira. Com 18 capítulos agora provisoriamente encerrados — mais de metade do caminho até à conclusão — o país mantém a liderança no processo. A Albânia, igualmente no pelotão da frente, conseguiu encerrar provisoriamente três capítulos adicionais: Ciência e Investigação, Educação e Cultura, e Relações Externas. O ritmo acelerado destes avanços simultâneos sinaliza uma mudança de dinâmica na agenda europeia, onde a segurança do continente e a integração dos seus vizinhos orientais se tornaram prioridades estratégicas incontornáveis.
Citas Notables
A futura arquitetura de segurança do nosso continente é inimaginável sem a Ucrânia— Marta Kos, comissária da UE para o alargamento
O processo de adesão da Ucrânia está a decorrer sem interrupções e o país não vê grandes obstáculos ao processo— Taras Kachka, vice-primeiro-ministro da Ucrânia para a Integração Europeia
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que este dia é tão significativo? Não é apenas mais um passo burocrático?
Não. O que torna isto histórico é a simultaneidade. Quatro países a avançarem no mesmo dia, em etapas diferentes do processo, é algo que não acontecia há mais de 20 anos. Isto mostra uma vontade política coordenada que antes não existia.
E a Ucrânia? Porque é que a sua adesão é tão importante para a UE?
Porque a Ucrânia é uma potência militar. Tem capacidades que poucas nações conseguem igualar. Integrá-la na UE não é apenas sobre expandir o bloco — é sobre reforçar a segurança europeia e reduzir dependências estratégicas que deixam o continente vulnerável.
Mas a Hungria não tinha vetado isto?
Tinha. Péter Magyar, o novo primeiro-ministro, levantou o veto. Isto foi crucial. Sem essa mudança, a Ucrânia e a Moldávia ainda estariam bloqueadas. Agora conseguem avançar.
Quanto tempo vai levar até à adesão?
Depende do país. Montenegro deve tornar-se membro em 2028 — está mais avançado, com mais de metade dos capítulos encerrados. A Ucrânia e a Moldávia estão ainda no início. Mas o ritmo está a acelerar.
E este pacote de 18 mil milhões de euros que von der Leyen vai anunciar?
É um sinal. Mostra que a UE está a investir seriamente na segurança ucraniana, não apenas em palavras. É um compromisso financeiro real, feito num momento em que a Ucrânia continua em guerra.