Ucrânia diz ter atacado refinaria e depósito de combustível na Rússia

A Ucrânia procura uma paz com termos dignos
Zelensky reafirma a posição ucraniana antes das negociações de Berlim, equilibrando a diplomacia com a continuação das operações militares.

Enquanto os campos de batalha continuam a arder — literalmente, com refinarias russas em chamas — a Ucrânia tenta, em simultâneo, forjar uma saída diplomática em Berlim. É uma das tensões mais antigas da história humana: a guerra e a paz a coexistirem no mesmo momento, conduzidas pelas mesmas mãos. Zelensky recebe enviados de Trump numa semana que pode redefinir os contornos do conflito mais devastador da Europa desde 1945.

  • A Ucrânia atingiu refinarias e depósitos de combustível em Krasnodar e Volgogrado, provocando explosões e incêndios visíveis que enfraquecem as linhas de abastecimento russas.
  • Só esta semana, a Rússia disparou mais de 1.500 drones suicidas, 900 bombas guiadas e 46 mísseis contra território ucraniano — a pressão militar não abranda enquanto se fala de paz.
  • Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram a Berlim para negociações com Kiev, com Washington a pressionar por um acordo completo antes do Natal.
  • O Kremlin rejeitou as alterações europeias ao plano de paz de Trump, exigindo controlo total de Donetsk e da central nuclear de Zaporijia — os dois maiores obstáculos ao entendimento.
  • Zelensky abriu a porta a um referendo sobre cessão territorial, sinal de flexibilidade que Washington interpreta como progresso, mas Moscovo permanece intransigente sobre o Donbass.

Neste domingo, o Estado-Maior ucraniano anunciou ataques bem-sucedidos à refinaria de Afipskiy, em Krasnodar, e ao depósito de combustível Uryúpinskaya, em Volgogrado, com explosões e incêndios de grande dimensão registados em ambos os locais. A estratégia declarada é clara: reduzir a capacidade ofensiva russa e cortar as linhas de abastecimento das tropas de ocupação.

As operações não ficaram pelo território russo. Em Donetsk, foram atingidos sistemas de guerra eletrónica e postos de comando da 76.ª Divisão de Assalto Aerotransportado. Em Zaporijia, foi destruído um sistema antiaéreo Tor-M2 e um laboratório de drones. Na Crimeia, as forças ucranianas visaram bases de combustível e componentes críticos dos sistemas de defesa aérea S-300/S-400.

Ao mesmo tempo, Zelensky prepara-se para negociações em Berlim com enviados de Donald Trump, descrevendo os próximos dias como decisivos para a diplomacia. O contexto é brutal: só esta semana, a Rússia lançou mais de 1.500 drones suicidas e quase 900 bombas guiadas contra a Ucrânia.

A capital alemã recebeu Steve Witkoff e Jared Kushner no fim de semana, antecipando uma cimeira convocada pelo chanceler Friedrich Merz com líderes europeus e representantes da NATO. Washington quer um acordo antes do Natal, mas o Kremlin rejeitou as alterações introduzidas por Europa e Ucrânia ao rascunho inicial de 28 pontos. Os pontos de bloqueio são o controlo total de Donetsk, exigido pela Rússia, e o futuro da central nuclear de Zaporijia. Zelensky sugeriu que um referendo sobre cessão territorial poderia ser viável — Washington vê nisso progresso; Moscovo, por enquanto, não cede.

A Ucrânia anunciou neste domingo que suas forças armadas atingiram com êxito uma refinaria e um depósito de combustível em solo russo, além de diversos alvos militares em territórios que controla. O Estado-Maior ucraniano divulgou pela rede social Telegram que a refinaria de Afipskiy, localizada em Krasnodar, e o depósito de combustível Uryúpinskaya, em Volgogrado, foram atingidos por ataques coordenados. Segundo o comunicado oficial, ambos os locais registaram explosões e incêndios de grande magnitude, parte de uma estratégia declarada para reduzir a capacidade ofensiva russa e prejudicar as linhas de abastecimento das tropas de ocupação.

Os ataques não se limitaram ao território russo. Na região oriental de Donetsk, as forças ucranianas também atingiram sistemas de guerra eletrónica, dois postos de comando da 76.ª Divisão de Assalto Aerotransportado russa e uma estação de radar. Na região de Zaporijia, foram destruídos um sistema de mísseis antiaéreos Tor-M2 e um laboratório russo dedicado a sistemas não tripulados. Na Crimeia, as operações visaram duas bases de combustíveis e lubrificantes, uma estação de radar Kasta-2E2 e um componente crítico para os sistemas de defesa aérea S-300/S-400, a estação de radar 96L6E.

Este anúncio de operações militares ocorre num momento em que o Presidente Volodymyr Zelensky se prepara para negociações diplomáticas de grande importância em Berlim. Zelensky confirmou que se reunirá com enviados de Donald Trump para discutir um plano de paz, descrevendo os próximos dias como repletos de diplomacia e apelando ao apoio dos parceiros internacionais. O Presidente ucraniano reafirmou que a Ucrânia procura uma paz com termos dignos e está disposta a trabalhar de forma construtiva, mas o contexto militar permanece intenso: apenas esta semana, a Rússia lançou mais de 1.500 drones suicidas, quase 900 bombas aéreas guiadas e 46 mísseis de diferentes tipos contra o país.

As negociações em Berlim ganham urgência com a chegada de Steve Witkoff, negociador de Trump para o conflito, e Jared Kushner, genro do presidente eleito americano, que chegaram à capital alemã no fim de semana. Antes de uma cimeira convocada para segunda-feira à tarde pelo chanceler alemão Friedrich Merz, com líderes europeus, instituições comunitárias e representantes da NATO, conselheiros de política externa de Washington e Kiev reúnem-se para preparar o terreno.

As questões que dividem as partes permanecem complexas. Zelensky indicou que os Estados Unidos desejam chegar a um acordo completo antes do Natal, mas o Kremlin já rejeitou as alterações que Europa e Ucrânia introduziram no rascunho inicial de 28 pontos apresentado por Trump. Os pontos de fricção centram-se no controlo do território de Donetsk, que a Rússia exige na sua totalidade, e no futuro da central nuclear de Zaporijia, a maior da Europa, atualmente ocupada pelas tropas russas. Zelensky sugeriu que um referendo sobre um acordo que incluísse cessão territorial poderia ser viável, uma posição que Washington vê como progresso, mas Moscovo continua a insistir que deve controlar todo o território da região de Donbass, que inclui Lugansk e Donetsk. A semana que se aproxima será decisiva para determinar se a diplomacia consegue avançar ou se o conflito permanece numa impasse.

Os próximos dias serão repletos de diplomacia. É de vital importância que ela dê resultados.
— Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia
A Ucrânia precisa de uma paz com termos dignos, e estamos dispostos a trabalhar da forma mais construtiva possível.
— Volodymyr Zelensky
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que é que a Ucrânia escolhe anunciar estes ataques precisamente agora, quando Zelensky se prepara para negociações de paz?

Model

Porque a guerra e a diplomacia funcionam em paralelo. Os ataques às infraestruturas energéticas russas reduzem a capacidade militar do inimigo e reforçam a posição ucraniana nas negociações. Zelensky entra em Berlim mostrando que pode infligir danos significativos.

Inventor

Qual é o verdadeiro obstáculo nas negociações? É o território ou é algo mais profundo?

Model

É o território, mas o território é tudo. Donetsk e Lugansk representam a identidade nacional ucraniana. A Rússia quer garantias de que nunca mais a Ucrânia se aproximará da NATO. Nenhum dos lados consegue ceder sem parecer que perdeu.

Inventor

Trump enviou dois negociadores. Isso significa que ele está realmente empenhado?

Model

Significa que quer um acordo antes do Natal, o que é um prazo político, não militar. Witkoff e Kushner têm acesso direto a Trump, o que dá peso às conversações. Mas o Kremlin já disse não, o que sugere que Moscovo ainda acredita que pode ganhar mais tempo.

Inventor

E a central nuclear de Zaporijia? Por que é que isso importa tanto?

Model

Porque é a maior da Europa e está ocupada por tropas russas. Se a Rússia a controlar, tem uma arma política permanente sobre a Ucrânia e sobre a Europa. Se a Ucrânia a recuperar, muda o equilíbrio de poder. Ninguém quer um acidente nuclear, mas todos querem o controlo.

Inventor

Zelensky sugeriu um referendo sobre a cessão territorial. Isso é uma concessão real?

Model

É uma abertura diplomática. Permite que Zelensky diga que o povo decide, não ele. Mas a Rússia quer garantias de que o referendo será feito em territórios que ela controla, o que significa que o resultado seria previsível. É uma concessão que parece uma concessão, mas talvez não seja.

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