Ucrânia aceita proposta de Lula para negociar paz com Rússia

Conflito que já dura mais de quatro anos causou perdas humanas significativas, motivando abertura ucraniana para negociações de paz.
Agora o Zelensky quer paz e está dizendo que quer um cessar-fogo sem colocar nenhum pedido extra
Lula descreve a mudança de postura do presidente ucraniano em relação às negociações de paz.

Lula propôs contatar membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU como chave para resolver o conflito russo-ucraniano. Zelensky demonstra abertura para cessar-fogo sem condições adicionais, sinalizando mudança na postura ucraniana sobre negociações.

  • Encontro entre Zelensky e Lula ocorreu na quarta-feira à margem da cúpula do G7 em Evian-les-Bains
  • Lula propôs contatar os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: EUA, França, Reino Unido, Rússia e China
  • Zelensky aceitou a proposta e sinalizou abertura para cessar-fogo sem condições adicionais
  • Conflito russo-ucraniano dura mais de quatro anos

Zelensky aceitou proposta de Lula para trabalhar pela paz na Ucrânia, focando em engajar os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU em negociações diplomáticas.

Volodymyr Zelensky saiu de um encontro com Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira à noite com algo que não tinha trazido para a cúpula do G7 em Evian-les-Bains: um acordo para tentar fazer a paz. O presidente ucraniano aceitou a proposta do brasileiro de trabalhar juntos em uma estratégia diplomática para encerrar a guerra com a Rússia, segundo Dmytro Lytvyn, assessor de comunicação presidencial da Ucrânia, que divulgou a notícia na sexta-feira.

A ideia que Lula apresentou era simples em sua lógica, ainda que complexa em sua execução: falar com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Esses cinco países — Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China — são os únicos com poder de veto no órgão, o que significa que qualquer resolução sobre paz ou guerra passa por suas mãos. Lula já havia conversado com líderes de todos esses países e se comprometeu a fazê-lo novamente, desta vez com o objetivo explícito de reativar a diplomacia em torno do conflito ucraniano.

Em coletiva de imprensa durante a cúpula, Lula foi direto ao ponto. "Quem é que pode fazer parar essa guerra?", perguntou retoricamente. "São eles que têm poder de veto, são eles que podem tomar decisão para a guerra ou para a paz." O presidente brasileiro deixou claro que via naqueles cinco países a única alavanca capaz de mover a situação. "Tem que dar um paradeiro, e somente eles podem dar", disse, comprometendo-se a voltar a ligar para cada um deles.

O que torna esse momento significativo é a mudança de postura que Zelensky parece ter adotado. Lula mencionou que em tentativas anteriores de oferecer ajuda nas negociações, não havia encontrado interesse nem do lado ucraniano nem do lado russo. Agora, segundo o presidente brasileiro, a situação é diferente. "Agora o Zelensky quer paz e está dizendo que quer um cessar-fogo sem colocar nenhum pedido extra, quer a paz para poder discutir a paz", afirmou Lula. Essa abertura para negociações sem condições prévias marca uma inflexão importante na postura de Kyiv.

O encontro entre os dois presidentes foi breve, mas produtivo. Lytvyn descreveu o resultado como um acordo de que ambos tentariam "alcançar algum resultado" com base nas ideias e contatos que Lula havia proposto, e que depois discutiriam o assunto novamente com base no que conseguissem. Não havia promessas de sucesso, apenas um compromisso de tentar.

O contexto que cercava essa conversa era pesado. A guerra já durava mais de quatro anos. Zelensky havia vindo à cúpula do G7 para pressionar os aliados a aumentarem a pressão sobre Moscou, mas parecia estar abrindo também uma porta para negociações. O Brasil, por sua vez, estava assumindo um papel que poucos países estavam dispostos a assumir: o de mediador entre potências que se veem como inimigas.

O que vem a seguir dependerá de como Lula conseguir navegar as conversas com Washington, Paris, Londres, Moscou e Pequim. Cada um desses países tem seus próprios interesses no conflito, e convencê-los a trabalhar juntos em direção à paz será uma tarefa que exigirá toda a habilidade diplomática que o presidente brasileiro conseguir reunir.

Quem é que pode fazer parar essa guerra? São eles que têm poder de veto, são eles que podem tomar decisão para a guerra ou para a paz
— Luiz Inácio Lula da Silva
Eles concordaram que, em particular, com base nessas ideias e contatos, tentariam alcançar algum resultado e, posteriormente, discutiriam o assunto com base nos resultados
— Dmytro Lytvyn, assessor de comunicação presidencial da Ucrânia
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Lula acredita que apenas esses cinco países podem resolver isso? Não há outras potências envolvidas?

Model

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança têm poder de veto. Isso significa que nenhuma resolução passa sem o consentimento deles. É matemática, não ideologia. Os outros países podem pressionar, podem falar, mas esses cinco podem bloquear qualquer coisa.

Inventor

E por que Zelensky mudou de ideia agora? Ele estava pedindo armas, não negociações.

Model

Quatro anos é muito tempo. As perdas humanas são imensas. Às vezes a realidade do campo de batalha força uma mudança de cálculo. Zelensky pode estar vendo que a vitória militar total não é possível, então a negociação começa a parecer menos como derrota e mais como sobrevivência.

Inventor

Lula já tinha tentado isso antes, certo?

Model

Sim, mas ninguém queria ouvir. Nem Zelensky nem a Rússia estavam interessados. Agora Zelensky está dizendo que quer cessar-fogo sem condições extras. Isso é novo.

Inventor

Qual é o risco para o Brasil nessa mediação?

Model

Se fracassar, Lula fica associado ao fracasso. Se conseguir algo, fica associado ao sucesso. Mas há também o risco de ser visto como ingênuo ou de estar do lado errado de uma questão que divide o mundo.

Inventor

E a China e a Rússia? Por que aceitariam falar com Lula?

Model

Porque Lula não é inimigo de nenhum deles. O Brasil é grande, é influente no Sul Global. Moscou e Pequim podem ver valor em ter um mediador que não é visto como parte do bloco ocidental.

Inventor

Então isso pode realmente funcionar?

Model

Ninguém sabe. Mas o fato de Zelensky ter dito sim já é algo. Significa que a porta está aberta. O que acontece depois depende de quantas outras portas Lula consegue abrir.

Quer a matéria completa? Leia o original em Brasil 247 ↗
Fale Conosco FAQ