Tufão Bavi força evacuação de 2 milhões na China; dezenas morrem nas Filipinas

Pelo menos 17 pessoas morreram nas Filipinas em deslizamentos de terra e afogamentos; quase 2 milhões foram evacuadas na China e 14 mil em Taiwan como medida preventiva.
Impedissem os moradores de retornarem para recuperar pertences
O ministro do Interior alertava que deslizamentos de terra não avisam e que nenhuma posse material vale uma vida.

No coração do verão asiático, o tufão Bavi impôs à região uma das mais antigas lições da natureza: que a força do vento e da chuva não reconhece fronteiras nem calendários. Depois de matar dezessete pessoas nas Filipinas e deslocar meio milhão, a tempestade avançou sobre Taiwan e a China, onde quase dois milhões de pessoas abandonaram seus lares em uma das maiores evacuações do ano. A magnitude da resposta humana — cancelamentos, abrigos, reuniões de emergência — revela tanto o poder destrutivo da tempestade quanto a memória coletiva de desastres anteriores que ensinaram governos a agir antes, e não depois.

  • O tufão Bavi chegou à costa asiática carregando um histórico já sangrento: dezessete mortos nas Filipinas, dez deles soterrados em um único deslizamento na cidade de Malapatan.
  • A China mobilizou quase dois milhões de pessoas em operações de evacuação, com 1,7 milhão retirados apenas da província de Zhejiang antes do impacto previsto para domingo.
  • Taiwan cancelou mais de 1.100 voos e suspendeu ferries e trens de alta velocidade, enquanto 14 mil moradores de áreas montanhosas foram levados para locais seguros.
  • O ministro do Interior presidiu reuniões de emergência e fez um apelo direto: ninguém deveria retornar às zonas de risco para buscar pertences, pois as chuvas acumuladas dos próximos dois dias ainda poderiam provocar novos deslizamentos.
  • A tempestade chegava a uma China já exaurida — o tufão Maysak, deslizamentos em Gansu e tornados em Hubei haviam somado ao menos 71 mortes nos dias anteriores, tornando o Bavi mais um capítulo de uma semana de catástrofes.

O tufão Bavi cruzou o Pacífico na segunda semana de julho e deixou um rastro visível antes mesmo de atingir a China. Nas Filipinas, matou pelo menos dezessete pessoas — dez delas soterradas em um deslizamento em Malapatan, na província de Sarangani, e outras cinco em Lanao del Sur. Mais de 500 mil filipinos foram afetados, e mais de 11 mil tiveram de abandonar suas casas. O padrão era claro: chuva intensa sobre terreno montanhoso significava morte.

Em Taiwan, as autoridades evacuaram mais de 14 mil moradores de áreas serranas vulneráveis. A Administração Central de Meteorologia mantinha alertas ativos enquanto a tempestade se aproximava ao máximo da ilha, trazendo as chuvas mais intensas do sistema. Mais de 1.100 voos domésticos e internacionais foram cancelados no sábado, ferries foram suspensos e os trens de alta velocidade operavam com capacidade reduzida. Até então, Taiwan não registrava mortes relacionadas ao Bavi.

Na China, a preparação foi proporcional à ameaça. Quase dois milhões de pessoas deixaram suas casas, com 1,7 milhão evacuados apenas de Zhejiang antes do impacto esperado para a manhã de domingo. Aulas, atividades profissionais, transporte público e eventos ao ar livre foram suspensos em toda a região. Mais de 400 voos e dezenas de serviços ferroviários foram cancelados. Cerca de 70 mil residências já haviam ficado sem energia na sexta-feira, quando ventos e chuvas interromperam as redes de transmissão.

O Bavi chegava em um momento particularmente difícil: o tufão Maysak havia matado 39 pessoas em Guangxi dias antes, um deslizamento em Gansu matara 21, e tempestades em Hubei causaram outras 11 mortes. O ministro do Interior presidiu uma reunião de emergência no sábado e fez um pedido urgente aos governos locais: que impedissem os evacuados de retornar às suas casas para buscar pertences. As chuvas acumuladas previstas para os próximos dois dias, alertou ele, ainda poderiam gerar novos deslizamentos — um reconhecimento de que, mesmo com milhões já em abrigos, o pior talvez ainda estivesse por vir.

O tufão Bavi atravessava o Oceano Pacífico na segunda semana de julho quando as autoridades chinesas iniciaram uma das maiores operações de evacuação do ano. Quase dois milhões de pessoas deixaram suas casas — a maioria delas na província de Zhejiang, no leste do país, onde 1,7 milhão de residentes foram retirados antes do impacto esperado para a manhã de domingo. A tempestade já havia passado pelas Filipinas dias antes, deixando um rastro de destruição que revelava o que estava por vir.

Nas Filipinas, o Bavi matou pelo menos dezessete pessoas. Dez delas morreram em um deslizamento de terra na cidade de Malapatan, na província meridional de Sarangani. Duas pessoas se afogaram na província de Bukidnon, e outras cinco pereceram em outro deslizamento na província de Lanao del Sur. Mais de 500 mil filipinos foram afetados pelas condições climáticas adversas, e mais de 11 mil foram obrigados a abandonar suas casas. Os números revelavam um padrão: onde havia chuva intensa e terreno montanhoso, havia morte.

Em Taiwan, as autoridades evacuaram mais de 14 mil residentes de áreas montanhosas particularmente vulneráveis a deslizamentos de terra. A Administração Central de Meteorologia mantinha alertas moderados de tufão tanto em terra quanto no mar, informando que a tempestade se aproximaria ao máximo da ilha ao longo do dia, trazendo as chuvas mais intensas de todo o sistema. Até aquele momento, Taiwan não havia registrado mortes ou ferimentos graves relacionados ao Bavi, mas as autoridades da aviação já haviam cancelado mais de 1.100 voos domésticos e internacionais no sábado. Os serviços de ferry foram suspensos, e os trens de alta velocidade operavam com capacidade reduzida.

Na China, a escala da preparação refletia a magnitude da ameaça. A Administração Meteorológica previu que o tufão atingiria a costa na província de Zhejiang nas primeiras horas de domingo. Em determinado momento, o Bavi havia sido classificado como um supertufão, embora tivesse perdido um pouco de intensidade nas atualizações mais recentes. Mesmo assim, as autoridades suspenderam aulas, atividades profissionais, transporte público e atividades ao ar livre em toda a região. Mais de 400 voos foram cancelados, assim como dezenas de serviços ferroviários. Quase 70 mil residências ficaram temporariamente sem energia elétrica na sexta-feira, quando fortes chuvas e ventos intensos interromperam os sistemas de transmissão.

O tufão Bavi chegava em um momento em que a China já estava exaurida por uma semana de desastres naturais. O tufão Maysak, que havia passado dias antes, deixou chuvas que mataram ao menos 39 pessoas em Guangxi. Um deslizamento de terra em Gansu, no noroeste, matou 21 pessoas. Tempestades e tornados em Hubei, no centro, causaram 11 mortes. Agora, com o Bavi se aproximando, as autoridades enfrentavam a perspectiva de mais chuva, mais deslizamentos, mais destruição.

O ministro do Interior, Liu Shyh-fang, presidiu uma reunião do Centro Central de Operações de Emergência no sábado e pediu aos governos locais que garantissem a segurança dos evacuados. Ele fez um pedido específico e urgente: que impedissem os moradores de áreas sob alerta de deslizamento de retornarem às suas casas para recuperar pertences. O ministro alertou que o volume acumulado de chuva previsto para os próximos dois dias poderia gerar riscos adicionais — um aviso que reconhecia que o pior ainda estava por vir. A tempestade continuava sua marcha em direção à costa, e milhões de pessoas esperavam em abrigos, longe de suas casas, enquanto as autoridades monitoravam cada atualização meteorológica.

O ministro do Interior pediu aos governos locais que garantissem a segurança dos evacuados e impedissem que moradores de áreas sob alerta de deslizamento retornassem às suas casas para recuperar pertences
— Liu Shyh-fang, ministro do Interior de Taiwan
O volume acumulado de chuva previsto para os próximos dois dias pode gerar riscos adicionais
— Liu Shyh-fang, ministro do Interior de Taiwan
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a evacuação foi tão massiva na China, especialmente em Zhejiang? Parecia haver tempo para preparação.

Model

Havia tempo, sim, mas o risco era desproporcional. Zhejiang é densamente povoada e tem terreno que amplifica os perigos — chuva intensa ali significa inundações rápidas e deslizamentos. Evacuação em massa é o cálculo mais seguro quando você não pode prever exatamente onde a tempestade vai bater com mais força.

Inventor

As Filipinas sofreram primeiro. O que tornou aquele impacto tão letal?

Model

Deslizamentos de terra. Malapatan perdeu dez pessoas em um único evento. Quando você tem montanhas íngremes, solo saturado e chuva contínua, a gravidade faz seu trabalho. As Filipinas não tinham o tempo de preparação que a China teve — o tufão chegou, e as pessoas morreram antes que pudessem se mover.

Inventor

Taiwan evacuou 14 mil pessoas. Por que um número tão menor comparado aos 2 milhões da China?

Model

População e geografia. Taiwan é menor, e embora tenha áreas montanhosas de risco, não tem a densidade populacional de Zhejiang. Além disso, Taiwan tem infraestrutura de alerta mais robusta. As pessoas sabem para onde ir. Na China, você está movendo populações inteiras de cidades.

Inventor

O ministro pediu especificamente que as pessoas não voltassem para recuperar pertences. Por quê?

Model

Porque deslizamentos de terra não avisam. Se você está em uma encosta durante chuva intensa, pode morrer em segundos. Um celular, uma foto de família — nada disso vale uma vida. Ele estava dizendo: fiquem vivos.

Inventor

Isso vem depois de Maysak, Gansu, Hubei. A China estava já exaurida?

Model

Completamente. Uma semana de desastres naturais deixa sistemas de resposta de emergência gastos, pessoal cansado, recursos dispersos. Quando o Bavi chega, você não está começando do zero — está começando já ferido.

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