Talvez tenha que deixar o país, não sei
A dezoito dias de uma eleição que definiria os rumos dos Estados Unidos, Donald Trump subia ao palco em Macon, na Geórgia, e pronunciava palavras que iam além da retórica habitual de campanha: sugeriu que talvez tivesse de abandonar o próprio país caso perdesse para Joe Biden. Naquele momento, o que estava em jogo não era apenas um resultado eleitoral, mas a própria disposição de um presidente em aceitar os veredictos da democracia.
- Trump declarou em comício que não conseguiria suportar perder para 'o pior candidato da história' e que talvez tivesse de deixar os Estados Unidos — uma afirmação sem precedentes para um presidente em exercício.
- A campanha republicana se intensificava em estados como Flórida e Geórgia, territórios que Trump havia conquistado em 2016, mas que as pesquisas indicavam estar em risco quatro anos depois.
- Os ataques a Biden escalaram para um novo patamar: Trump o chamou de 'desastre' e 'político corrupto', acusando os democratas de querer transformar o país em uma nação comunista.
- Na disputa pela atenção do eleitorado, Biden levou vantagem na audiência televisiva da noite anterior — 14,1 milhões de espectadores contra 13,5 milhões de Trump, segundo a Nielsen.
- O último debate presidencial, marcado para a quinta-feira seguinte, se aproximava como o derradeiro campo de batalha antes do dia do voto.
Com dezoito dias para a eleição de novembro de 2020, Donald Trump percorria estados-chave em comícios de reeleição quando pronunciou uma ideia que ultrapassava os limites da retórica comum. Em Macon, na Geórgia, o presidente sugeriu que talvez tivesse de abandonar o país caso perdesse para Joe Biden — o homem que chamou de 'o pior candidato da história das eleições presidenciais'. 'Não vou me sentir tão bem, talvez tenha que deixar o país, não sei', disse diante de seus apoiadores.
No mesmo dia, Trump realizou eventos na Flórida e na Geórgia, dois estados que havia conquistado em 2016 e que agora apareciam ameaçados nas pesquisas. Em Ocala, previu 'uma onda vermelha de tamanho sem precedentes' e intensificou os ataques ao adversário democrata, descrevendo-o como um político corrupto e acusando o Partido Democrata de desprezar os valores americanos.
Enquanto isso, a disputa pela atenção do eleitorado se travava também nas telas. Na noite anterior, ambos os candidatos participaram de eventos televisivos em redes distintas, e os dados da Nielsen deram leve vantagem a Biden: 14,1 milhões de espectadores contra 13,5 milhões de Trump. O último debate presidencial estava marcado para a quinta-feira seguinte — a última oportunidade de cada candidato se dirigir diretamente ao país antes do voto decisivo.
Com dezoito dias para a eleição presidencial de novembro de 2020, Donald Trump intensificava sua campanha pela reeleição com comícios em estados-chave, mas suas palavras começavam a sugerir uma possibilidade que até então havia permanecido implícita: a de que ele pudesse não aceitar uma derrota. Em um discurso em Macon, na Geórgia, o presidente americano expressou uma ideia extraordinária — que talvez tivesse de abandonar o país se perdesse para seu adversário democrata, Joe Biden.
Trump não deixou dúvidas sobre sua visão do opositor. Chamou Biden de "o pior candidato da história das eleições presidenciais" e disse que não conseguia imaginar como reagiria diante de uma derrota para alguém que considerava tão inadequado para o cargo. "Você pode imaginar se eu perder, o que vou fazer? Vou dizer que perdi para o pior candidato da história da política? Não vou me sentir tão bem, talvez tenha que deixar o país, não sei", afirmou durante o comício.
O tom da campanha de Trump havia se endurecido consideravelmente naquele período. No mesmo dia, ele realizou eventos na Flórida e na Geórgia — dois estados que havia conquistado quatro anos antes, mas que agora apareciam em risco segundo as pesquisas de opinião. Em Ocala, na Flórida, Trump previu o que chamou de "uma onda vermelha de tamanho sem precedentes", referindo-se à cor tradicional do Partido Republicano. Seus ataques a Biden tornaram-se cada vez mais agressivos: descreveu-o como "um desastre e um político corrupto" e ampliou suas críticas para incluir todo o Partido Democrata, acusando-o de desprezar os valores dos americanos e de querer transformar o país em uma nação comunista.
Enquanto isso, a campanha de Biden mantinha seu próprio ritmo. Na noite anterior aos comícios de Trump, ambos os candidatos participaram de eventos transmitidos por diferentes redes de televisão. Os números de audiência revelaram uma ligeira vantagem para Biden: 14,1 milhões de espectadores acompanharam seu programa, contra 13,5 milhões que assistiram ao de Trump, de acordo com dados da empresa Nielsen.
O calendário eleitoral se aproximava de seu momento decisivo. O último debate presidencial estava marcado para a quinta-feira seguinte, oferecendo aos candidatos uma última oportunidade de se dirigir diretamente ao eleitorado antes do voto. A campanha havia entrado em sua fase mais intensa, com Trump escalando tanto seus ataques quanto suas afirmações sobre o que poderia fazer caso não vencesse.
Notable Quotes
Você pode imaginar se eu perder, o que vou fazer? Vou dizer que perdi para o pior candidato da história da política? Não vou me sentir tão bem, talvez tenha que deixar o país, não sei— Donald Trump, em discurso em Macon, Geórgia
Joe Biden é um desastre e um político corrupto— Donald Trump, em comício em Ocala, Flórida
The Hearth Conversation Another angle on the story
Quando Trump fez essa sugestão sobre deixar o país, havia precedentes para isso na política americana?
Não realmente. Era uma coisa extraordinária de se dizer — um presidente em exercício sugerindo que talvez tivesse de fugir se perdesse. Isso não era retórica típica, mesmo para Trump.
Ele estava sendo literal ou era apenas uma forma de expressar frustração?
Impossível saber com certeza. Mas o contexto importa: ele estava em um comício, falando para apoiadores, e as pesquisas mostravam que os estados que ele havia vencido em 2016 estavam em risco. Havia uma mistura de bravata e algo mais genuíno ali.
Por que ele escolheu a Geórgia especificamente para fazer essa declaração?
A Geórgia era um estado-chave. Trump havia vencido lá em 2016, mas as pesquisas indicavam que Biden poderia conquistá-lo em 2020. Era um sinal de que Trump sentia a pressão nos lugares que importavam.
Como a audiência reagiu a essa sugestão?
O discurso foi feito em um comício, então seus apoiadores estavam lá. Mas a declaração rapidamente se tornou notícia nacional, gerando reações muito diferentes dependendo de quem estava ouvindo.
O que essa frase revela sobre o estado mental de Trump naquele momento?
Revela alguém que não estava preparado para a possibilidade de perder, que via a derrota não como um resultado político legítimo, mas como algo inaceitável — tão inaceitável que talvez exigisse deixar o país.