Essas são apenas realidades difíceis que as pessoas precisam encarar
Trump cancelou assinatura de lei de habitação acessível aprovada para forçar votação sobre Lei SAVE America, que exigiria identificação com foto para votar. Republicanos carecem dos 60 votos necessários no Senado para superar obstrução, com cinco votações fracassadas desde março sobre a medida eleitoral.
- Trump cancelou assinatura de lei de habitação acessível aprovada para pressionar votação sobre Lei SAVE America
- Lei SAVE America exigiria identificação com foto para votar e prova de cidadania para registro
- Republicanos controlam 53 cadeiras no Senado mas precisam de 60 votos para superar obstrução
- Lei SAVE America fracassou em cinco votações desde meados de março
- Projeto de habitação se torna lei automaticamente se Trump não assinar em dez dias
Trump visitou o Capitólio para pressionar republicanos a aprovarem lei de identificação de eleitores, cancelando assinatura de projeto habitacional bipartidário como tática de negociação, gerando críticas internas no partido.
Donald Trump chegou ao Capitólio na quarta-feira com um objetivo claro: forçar seus colegas republicanos a aprovarem uma lei de identificação de eleitores que permanecia paralisada há meses. Para isso, usou uma tática que deixou até seus aliados desconcertados — cancelou, de última hora, a assinatura de um projeto de lei bipartidário sobre habitação acessível que já havia sido aprovado pelas duas casas do Congresso com ampla maioria.
O projeto de habitação, apelidado de "Lei Caminho para a Habitação do Século 21", havia se tornado central na agenda de acessibilidade do presidente e era considerado uma resposta às preocupações dos eleitores com o custo de vida. Até terça-feira, tudo indicava que Trump o assinaria. Mas na manhã de quarta, durante uma conversa telefônica com o presidente da Câmara Mike Johnson, Trump mudou de ideia. Johnson estava explicando como acreditava que a Lei SAVE America — sua prioridade legislativa de reforma eleitoral — poderia ser aprovada através de um processo chamado reconciliação. Trump decidiu usar o projeto de habitação como moeda de troca.
"Hoje a coletiva de imprensa sobre habitação e a assinatura estão canceladas até que aprovemos a desesperadamente necessária Lei SAVE AMERICA", escreveu Trump nas redes sociais, pouco antes de um almoço fechado com senadores republicanos. A Lei SAVE America exigiria identificação com foto para votar em eleições federais, prova de cidadania para registro de eleitores, e obrigaria os estados a entregar suas listas de registro ao governo federal.
A manobra gerou reações imediatas e críticas dentro do próprio partido. A senadora democrata Elizabeth Warren, que havia ajudado a negociar o projeto de habitação com republicanos, respondeu duramente. "No último minuto, Donald Trump está se recusando a assiná-lo em lei", escreveu ela, apontando que as políticas de Trump haviam aumentado os custos de vida dos americanos. O senador republicano John Cornyn, questionado sobre se as ações de Trump estavam se tornando prejudiciais para ele e para o partido, admitiu sua perplexidade: "Essas são perguntas que você tem que fazer a ele. Elas são meio inexplicáveis para mim. Não sei se há precedente para isso."
Mas há um problema fundamental com a estratégia de Trump: os números não funcionam. Embora os republicanos controlem 53 das 100 cadeiras do Senado, eles precisam de 60 votos para superar a obstrução e aprovar a maioria dos projetos. A Lei SAVE America já havia fracassado em cinco votações desde meados de março. Na última vez em que foi ao plenário, nem sequer conseguiu 50 votos republicanos — em parte porque poderia causar perturbações significativas nas eleições de meio de mandato, que ocorrem em cerca de quatro meses.
Os senadores republicanos rejeitaram tanto o apelo de Trump para acabar com a obstrução quanto sugestões de táticas mais agressivas, como anexar a Lei SAVE America a projetos de lei que precisam ser aprovados ou demitir um funcionário do Senado que bloqueou sua inclusão em um pacote de gastos recente. O líder da maioria no Senado, John Thune, foi direto: "Essas são apenas realidades difíceis. E acho que as pessoas, em algum momento, precisam encarar isso".
O adiamento da assinatura do projeto de habitação pode ser, em grande medida, simbólico. Se Trump não assinar dentro de dez dias, o projeto pode se tornar lei automaticamente, e os legisladores acreditam ter votos suficientes para derrubar um veto presidencial. O senador republicano Rick Scott, da Flórida, que convidou Trump para a reunião de quarta-feira, mantém a esperança. "Para todo projeto aqui, no começo, não há votos suficientes", disse ele. "Vamos ter uma boa conversa para ver se conseguimos descobrir como levar isso até o fim."
O que fica claro é que Trump descobriu os limites de seu poder mesmo dentro de um Congresso controlado por seu partido. Sua tentativa de usar um projeto de lei popular como alavanca para forçar a aprovação de sua agenda de reforma eleitoral expôs as fraturas dentro dos republicanos e levantou questões sobre se essa tática prejudicará o partido nas eleições que se aproximam.
Notable Quotes
Essas são apenas realidades difíceis. E acho que as pessoas, em algum momento, precisam encarar isso— John Thune, líder da maioria no Senado
Elas são meio inexplicáveis para mim. Não sei se há precedente para isso— Senador John Cornyn, sobre as ações de Trump
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Trump cancelaria a assinatura de um projeto que já tinha apoio bipartidário? Parece contraproducente.
Porque ele vê a Lei SAVE America como sua prioridade absoluta — mais importante até do que uma vitória legislativa garantida. Para ele, é sobre estabelecer controle sobre a agenda do Congresso.
Mas os números não estão a seu favor. Cinco votações fracassadas, votos insuficientes. Como ele espera vencer?
Ele não espera vencer através de persuasão racional. Ele espera que o cancelamento da assinatura crie pressão política suficiente para que os republicanos encontrem uma maneira. Mas seus próprios senadores estão dizendo que não há maneira.
E o projeto de habitação? Ele realmente se torna lei mesmo sem sua assinatura?
Sim. Se ele não assinar em dez dias, vira lei automaticamente. E o Congresso tem votos para derrubar um veto. Então tecnicamente, Trump não conseguiu nada com essa manobra.
Então por que fazer isso?
Porque a política não é sempre sobre ganhar. Às vezes é sobre demonstrar poder, sobre mostrar que você está disposto a sacrificar até vitórias para impor sua vontade. O problema é quando seus aliados começam a questionar se você está prejudicando a si mesmo.