Ninguém viu, nem sabe do que se trata
No limiar de um possível entendimento histórico, Donald Trump pediu paciência ao mundo neste domingo de maio: as negociações com o Irã avançam, mas sem pressa e sem certezas. Entre a reabertura de uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta e o destino do programa nuclear iraniano, Washington e Teerã navegam por águas ainda turbulentas, com o bloqueio americano servindo de âncora até que palavras se tornem assinaturas.
- Trump contradiz relatos de avanço rápido, afirmando que ninguém ainda viu nem conhece os termos reais do possível acordo com o Irã.
- O bloqueio americano permanece em pleno vigor como instrumento de pressão, e qualquer flexibilização depende de um texto formalmente certificado e assinado.
- Teerã sinaliza resistência: fontes iranianas indicam que o formato atual prevê apenas a abertura de diálogos nucleares em 30 a 60 dias, não um acordo definitivo.
- Republicanos se dividem entre o temor de que o Irã saia fortalecido e o argumento de que guerras terminam pelo diálogo — e Trump descarta os críticos como 'perdedores que desconhecem o assunto'.
- Netanyahu exige que qualquer acordo final desmonte instalações de enriquecimento e retire o material nuclear do território iraniano, elevando a complexidade das negociações.
No domingo de 24 de maio, Donald Trump usou sua rede Truth Social para frear o entusiasmo em torno de um possível acordo com o Irã. Apesar de relatos de progresso circulando naquele fim de semana, o presidente americano foi direto: as negociações ainda não estão concluídas, e seus representantes receberam orientação para não se apressarem.
As conversas entre Washington e Teerã giram em torno de dois eixos centrais: a reabertura do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente — e a eliminação do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido. O New York Times havia noticiado um entendimento 'em princípio', mas sem texto assinado nem aprovação final de ambas as partes. Do lado iraniano, fontes indicaram que o formato atual prevê apenas a abertura de negociações nucleares num prazo de 30 a 60 dias, com resistência a abrir mão de contrapartidas financeiras e políticas.
Trump comparou qualquer futuro entendimento ao acordo de 2015 negociado por Obama, prometendo um pacto 'bom e justo' — e manteve o bloqueio americano como instrumento de pressão até que um acordo formal seja alcançado e certificado. Netanyahu, por sua vez, reforçou publicamente que o acordo final deve eliminar toda capacidade nuclear iraniana.
A proposta dividiu o Partido Republicano. Senadores como Ted Cruz e Lindsey Graham temem que o Irã saia fortalecido, enquanto Rand Paul defendeu as negociações, argumentando que guerras terminam pelo diálogo. Trump descartou os críticos com dureza, dizendo que não deveriam dar ouvidos a 'perdedores que desconhecem completamente o assunto'. O tom do presidente naquele domingo deixou claro que o caminho ainda é longo — e que o ritmo será deliberado.
Donald Trump passou o domingo de 24 de maio refreando expectativas sobre um possível acordo com o Irã. Em postagem na rede Truth Social, o presidente americano deixou claro que as negociações ainda estão longe de estar concluídas, apesar dos relatos de progresso que circulavam naquele fim de semana. "Ninguém viu, nem sabe do que se trata", escreveu Trump sobre o entendimento em discussão, respondendo a críticos que questionavam os termos de um possível pacto.
As conversas entre Washington e Teerã giram em torno de dois pontos centrais: a reabertura do Estreito de Ormuz, passagem por onde flui cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente e uma parcela significativa do comércio de fertilizantes, fechado desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã; e a questão do programa nuclear iraniano, com os americanos exigindo que Teerã elimine seu estoque de urânio altamente enriquecido. O New York Times havia informado naquele domingo que os dois países teriam chegado a um entendimento "em princípio", embora o texto ainda não tivesse sido formalmente assinado e dependesse de aprovação final de ambas as partes.
Trump enfatizou que seus representantes receberam orientação para não se apressarem. O bloqueio americano contra o Irã, ressaltou, permanecerá "em pleno vigor" até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado. Ele também comparou qualquer futuro entendimento com o acordo nuclear de 2015 negociado pela administração Obama, afirmando que seu acordo seria "bom e justo", ao contrário daquele que, em sua avaliação, havia dado ao Irã "enormes quantias em dinheiro" e um caminho desimpedido para armas nucleares.
Do lado iraniano, fontes indicaram que o formato atual prevê apenas a abertura de negociações sobre o tema nuclear num prazo de 30 a 60 dias, não um acordo definitivo. Havia também sinais de resistência iraniana em abrir mão de posições consideradas essenciais, com insistência em contrapartidas financeiras e políticas para que as conversas avançassem. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, reforçou publicamente que qualquer acordo final deve "eliminar o perigo nuclear", com desmonte das instalações de enriquecimento e retirada do material enriquecido do território iraniano.
A proposta dividiu republicanos. Senadores como Ted Cruz, do Texas, e Lindsey Graham, da Carolina do Sul, criticaram a negociação, temendo que o Irã saísse fortalecido e mantivesse capacidade de atingir infraestrutura petrolífera no Golfo. Roger Wicker, presidente do Comitê de Forças Armadas do Senado, questionou especificamente a proposta de cessar-fogo de 60 dias. Trump descartou as críticas de forma contundente, dizendo que não deveriam dar ouvidos aos "perdedores, que criticam algo que desconhecem completamente".
Nem todos os republicanos se opunham. Rand Paul, do Kentucky, defendeu as negociações, argumentando que guerras praticamente sempre terminam através de diálogos e que os críticos deveriam dar espaço a Trump para encontrar uma solução que colocasse os interesses americanos em primeiro lugar. Segundo autoridades regionais ouvidas pela Associated Press, a proposta em discussão previa o fim da guerra, a reabertura do Estreito de Ormuz e a entrega do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido, com detalhes e prazos a serem definidos numa janela posterior de 60 dias.
O tom de Trump naquele domingo sinalizava que o entendimento ainda estava longe de estar fechado. Sua insistência em que ambos os lados levassem o tempo necessário e fizessem "direito", sem erros, sugeria que as negociações continuariam em ritmo deliberado, com o bloqueio americano permanecendo como instrumento de pressão até que um acordo formal fosse alcançado.
Citações Notáveis
Se eu fizer um acordo com o Irã, será um acordo bom e justo, não como aquele feito por Obama— Donald Trump
Qualquer acordo final com o Irã deve eliminar o perigo nuclear, com desmonte das instalações de enriquecimento— Benjamin Netanyahu
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Trump sente necessidade de dizer que o acordo ainda não está fechado? Parece uma forma de controlar expectativas.
Ou de manter a pressão. Enquanto ele diz que nada está decidido, o bloqueio permanece em vigor. É uma forma de negociar em público, sinalizando que há espaço para mais concessões.
Os republicanos que criticam parecem temer que ele negocie demais. Qual é o medo real deles?
Que o Irã saia da mesa com capacidade nuclear intacta e ainda assim com sanções levantadas. Para eles, a única vitória é o regime enfraquecido. Uma negociação, por definição, significa que ambos os lados ganham algo.
E o Irã? O que eles querem realmente?
Levantamento de sanções, reconhecimento internacional, dinheiro. Mas também não querem abrir mão de linhas vermelhas — sua capacidade nuclear é uma questão de soberania para eles. Daí a resistência.
Esse prazo de 60 dias para negociações nucleares — é realista?
Provavelmente não. Mas é um símbolo. Diz que há movimento, que algo está acontecendo. Os prazos em diplomacia raramente significam o que parecem significar.
Trump descarta críticos chamando-os de perdedores. Isso funciona?
Com sua base, funciona. Com senadores republicanos que têm poder orçamentário? Menos. Ele está jogando para galerias diferentes ao mesmo tempo.