Trump nega planos de demitir Powell, mas mantém porta aberta

Trata-se de saber se o Fed poderá continuar a definir as taxas com base em evidências
Powell descreve a investigação como pretexto para pressão política sobre decisões de juros do banco central.

Em Washington, a tensão entre o poder executivo e a autonomia das instituições monetárias ganhou novo capítulo quando Donald Trump afirmou não ter planos imediatos de demitir Jerome Powell, mas recusou-se a fechar definitivamente essa porta. A investigação do Departamento de Justiça sobre reformas na sede do Federal Reserve serve de pano de fundo para uma disputa mais profunda: até onde pode chegar a vontade política de um presidente diante das proteções legais que garantem a independência do banco central? O que está em jogo não é apenas o destino de um cargo, mas a arquitetura de confiança que sustenta a política monetária de uma das maiores economias do mundo.

  • A investigação do Departamento de Justiça sobre um projeto de reforma de US$ 2,5 bilhões na sede do Fed criou um pretexto jurídico que Trump mantém deliberadamente em aberto, sem confirmar nem descartar uma demissão.
  • Powell reagiu publicamente, denunciando que a pressão política ameaça substituir evidências econômicas como bússola da política monetária — uma acusação que ecoou entre presidentes de bancos centrais ao redor do mundo.
  • A lei federal protege Powell de demissão por divergências políticas, mas seu mandato como presidente termina em maio, e a batalha real pode ser travada no terreno da indicação do sucessor.
  • Dentro do próprio Partido Republicano, o senador Thom Tillis ameaçou bloquear indicações para o Fed, revelando que a turbulência ultrapassa a relação Trump-Powell e contamina o processo de confirmação no Senado.
  • Trump já sinalizou que anunciará nas próximas semanas um nome para suceder Powell, com Kevin Hassett e Kevin Warsh como favoritos — uma escolha que pode redesenhar a política monetária americana por anos.

Donald Trump declarou à Reuters que não tem planos de demitir Jerome Powell da presidência do Federal Reserve, mas deixou margem para ações futuras ao descrever a situação como 'cedo demais' para conclusões. O pano de fundo é uma investigação do Departamento de Justiça sobre um projeto de reforma de US$ 2,5 bilhões em edifícios históricos na sede do Fed — investigação que Powell denunciou publicamente como pretexto para uma campanha de pressão sobre as taxas de juros.

A lei federal impõe limites claros: governadores do Fed só podem ser demitidos por justa causa, não por discordâncias de política monetária. O mandato de Powell como presidente termina em maio, mas ele pode permanecer no Conselho de Governadores até 2028. Essa proteção existe para blindar a instituição de interferências políticas — e é exatamente essa blindagem que está sendo testada.

Powell foi além das declarações institucionais ao questionar se o Fed conseguirá continuar definindo taxas com base em evidências econômicas ou se cederá à pressão política. A reação foi global: presidentes de bancos centrais, incluindo Gabriel Galípolo e Christine Lagarde, manifestaram solidariedade, sinalizando preocupação coletiva com a independência das instituições monetárias.

No campo político, a tensão transbordou para o Congresso. O senador republicano Thom Tillis ameaçou bloquear indicações para o Fed até o encerramento da investigação — uma fissura dentro do próprio partido de Trump. O presidente, por sua vez, dispensou as críticas dos aliados com uma frase reveladora: 'Eles deveriam ser leais.'

Apesar do impasse, Trump confirmou que pretende anunciar um sucessor para Powell nas próximas semanas. Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca, e Kevin Warsh, ex-diretor do Fed, são os nomes mais cotados. A escolha do próximo presidente do banco central — e o desfecho da investigação — pode redefinir por anos a relação entre a Casa Branca e o Federal Reserve.

Donald Trump disse à Reuters na quarta-feira que não tem planos de demitir Jerome Powell da presidência do Federal Reserve, mas deixou a porta aberta para ações futuras. A resposta veio após a abertura de uma investigação do Departamento de Justiça sobre um projeto de reforma de US$ 2,5 bilhões em dois edifícios históricos na sede do Fed e o testemunho de Powell ao Congresso sobre o assunto. Trump afirmou que ainda não chegou a uma conclusão sobre se a investigação lhe daria fundamentos legais para afastar o chefe do banco central, descrevendo a situação como "cedo demais" para determinar qual será seu próximo passo. "No momento, estamos em uma espécie de compasso de espera com ele, e vamos decidir o que fazer. Mas não posso entrar em detalhes", declarou.

A lei federal coloca limites claros ao poder presidencial nesta matéria. Governadores do Federal Reserve só podem ser demitidos por justa causa, não por divergências de política monetária. O mandato de Powell como presidente do banco central termina em maio, mas ele não é obrigado a deixar o Conselho de Governadores, sediado em Washington, até 2028. Essa proteção legal existe justamente para preservar a independência da instituição frente a pressões políticas.

Powel denunciou no domingo que a investigação funciona como pretexto para uma campanha mais ampla de pressão relacionada às taxas de juros. Em comunicado, o presidente do Fed questionou se a instituição conseguirá continuar definindo as taxas com base em evidências e condições econômicas, ou se a política monetária será orientada por pressão e intimidação política. A escalada marca um momento dramático nos ataques do governo Trump ao Fed e levanta questões fundamentais sobre sua independência.

Trump minimizou as críticas de parlamentares republicanos que temem que a investigação seja uma tentativa de influenciar decisões sobre juros. "Não me importo. Não há nada a dizer. Eles deveriam ser leais. É isso que eu digo", respondeu quando questionado sobre as preocupações de seus aliados no Congresso. O senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte que integra o Comitê Bancário do Senado, já ameaçou bloquear indicações para o Fed até que a investigação seja concluída.

Apesar dessa tensão, Trump afirmou na terça-feira que pretende seguir adiante com seus planos de indicar um substituto para Powell "nas próximas semanas". Na entrevista à Reuters, elogiou dois candidatos já mencionados anteriormente: Kevin Hassett, principal assessor econômico da Casa Branca, e Kevin Warsh, ex-diretor do Fed. "Os dois Kevins são muito bons", disse Trump, acrescentando que há outras pessoas boas também, mas que anunciará algo nas próximas semanas.

O conflito entre Trump e Powell tem raízes na discordância sobre política monetária. Trump vem exercendo forte pressão pública sobre Powell, a quem nomeou para a presidência do Fed durante seu primeiro mandato, por não reduzir a taxa básica de juros nem com a rapidez nem na magnitude que o presidente republicano deseja. Powell, por sua vez, tem mantido uma postura mais independente, priorizando a estabilidade econômica sobre as preferências políticas do presidente.

A investigação marca uma escalada sem precedentes nos ataques do governo Trump ao banco central. Presidentes de outros bancos centrais, incluindo Galípolo e Christine Lagarde, saíram em defesa de Powell após o ataque de Trump, sinalizando preocupação global com a independência das instituições monetárias. O que acontecer nas próximas semanas — tanto com a investigação quanto com a indicação do sucessor de Powell — pode redefinir a relação entre a Casa Branca e o Federal Reserve por anos.

No momento, estamos em uma espécie de compasso de espera com ele, e vamos decidir o que fazer. Mas não posso entrar em detalhes
— Donald Trump, em entrevista à Reuters
Trata-se de saber se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas — ou se, em vez disso, a política monetária será orientada por pressão ou intimidação política
— Jerome Powell, em comunicado no domingo
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Trump mantém essa investigação aberta se diz não ter planos de demitir Powell?

Model

Porque mantém opções em aberto. A investigação é uma ferramenta — não precisa resultar em demissão para exercer pressão sobre as decisões de juros.

Inventor

Mas a lei não protege Powell?

Model

Protege, sim. Só podem demiti-lo por justa causa, não por divergências políticas. Mas Trump está testando se a investigação pode ser reinterpretada como justa causa.

Inventor

E Powell acredita nisso?

Model

Powell vê claramente. Disse que trata-se de saber se o Fed definirá taxas com base em evidências ou se será orientado por intimidação política. Ele nomeou o jogo.

Inventor

Por que republicanos no Congresso estão preocupados?

Model

Porque temem que isso prejudique a credibilidade do Fed. Se o banco central for visto como politizado, as decisões sobre juros perdem força. É um risco para toda a economia.

Inventor

Trump vai conseguir indicar um sucessor enquanto isso está em aberto?

Model

Provavelmente não sem dificuldade. Tillis ameaçou bloquear indicações até a investigação terminar. Trump quer anunciar em semanas, mas o Senado pode não cooperar.

Inventor

Então Powell vence essa batalha?

Model

Não é tão simples. Powell sai em maio. Mesmo que Trump não consiga demiti-lo, consegue indicar um sucessor mais alinhado. A vitória de Powell é apenas parcial.

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