Não é exatamente isso que esperamos em um presidente pacífico
Em Oslo, na manhã de 10 de outubro de 2025, o Comitê Norueguês do Nobel anunciou que Donald Trump não seria o laureado da paz deste ano — encerrando uma campanha ruidosa que, segundo especialistas, pode ter pesado contra o próprio candidato. O prêmio, concebido para honrar quem mais promove a amizade entre as nações, encontrou em Trump um postulante cujas ações — retiradas de organismos internacionais, guerras comerciais, afirmações contestadas — contradizem os princípios que Alfred Nobel inscreveu em seu testamento. A história registra, assim, não apenas uma derrota, mas uma tensão antiga entre o poder que se proclama pacificador e a paz que se constrói em silêncio.
- Trump fez campanha aberta e insistente pelo Nobel, chegando a declarar que seria um insulto ao país se não o recebesse — uma pressão que o próprio vice-líder do comitê descreveu como contraproducente.
- Especialistas apontam contradições profundas: o mesmo presidente que afirma ter encerrado sete guerras retirou os EUA da OMS e do Acordo de Paris e desencadeou conflitos comerciais com aliados históricos.
- O comitê, que delibera em sala trancada justamente para resistir a influências externas, sinalizou desconforto com candidatos que pressionam demais — sem citar Trump pelo nome, mas com clareza suficiente.
- Com 338 indicações — o maior número desde 2016 —, a disputa era ampla, e o laureado levou medalha, diploma e prêmio equivalente a cerca de 6,3 milhões de reais.
- A derrota de 2025 não fecha o ciclo: Trump já foi indicado para 2026 por Israel, Camboja e Paquistão, e analistas sugerem que um cessar-fogo real na Ucrânia ou em Gaza poderia transformar sua candidatura em algo concreto e verificável.
Donald Trump não conquistou o Prêmio Nobel da Paz de 2025. O anúncio veio de Oslo na sexta-feira, 10 de outubro, encerrando semanas de especulação alimentadas, em grande parte, pelo próprio presidente americano.
Trump havia defendido publicamente sua candidatura com uma intensidade incomum. Em setembro, diante da cúpula militar dos EUA, afirmou que seria um insulto ao país se não ganhasse. Na Assembleia Geral da ONU, declarou ter encerrado sete guerras — afirmação que especialistas contestam. A campanha agressiva, porém, pode ter saído pela culatra: Asle Toje, vice-líder do Comitê Norueguês do Nobel, deixou claro que tentativas de influência têm efeito mais negativo do que positivo sobre as deliberações do grupo, que trabalha em sala trancada justamente para resistir a pressões externas.
Além do estilo, as ações pesaram. Nina Graeger, diretora do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, lembrou que Trump retirou os EUA da Organização Mundial da Saúde e do Acordo de Paris, além de ter iniciado uma guerra comercial contra antigos aliados — condutas que contradizem o critério central do testamento de Alfred Nobel: promover a amizade entre as nações.
Este ano, 338 candidaturas foram apresentadas — o maior número desde 2016. Para Trump, no entanto, a história pode não ter terminado: já indicado para 2026 por Israel, Camboja e Paquistão, ele poderia se tornar um candidato mais sólido caso consiga encerrar os conflitos na Ucrânia e garantir um cessar-fogo permanente em Gaza — realizações que, ao contrário das afirmações atuais, seriam concretas e verificáveis.
Donald Trump não levou para casa o Prêmio Nobel da Paz de 2025. O anúncio veio na sexta-feira, 10 de outubro, de Oslo, na Noruega, encerrando semanas de especulação sobre se o presidente americano conseguiria a honraria que vinha perseguindo com afinco.
Trump havia feito campanha aberta pela distinção, argumentando que merecia o prêmio por sua atuação na mediação de conflitos globais. Em setembro, durante uma reunião com a cúpula militar dos EUA, ele afirmou que seria um insulto para o país se não ganhasse. Dias depois, na Assembleia Geral da ONU, voltou ao tema, declarando ter encerrado sete guerras — uma afirmação que especialistas contestam. "Todos dizem que eu deveria ganhar o Nobel da Paz por cada uma dessas conquistas", disse na ocasião, antes de acrescentar que o que realmente importava era salvar vidas, não ganhar prêmios.
A campanha agressiva pode ter funcionado contra ele. Asle Toje, vice-líder do Comitê Norueguês do Nobel, deixou claro que o grupo responsável pela escolha desaprova tentativas de influência. "Esse tipo de campanha de influência tem um efeito mais negativo do que positivo. Nós discutimos sobre isso no comitê. Alguns candidatos pressionam muito, e não gostamos", afirmou, sem comentar Trump especificamente. O comitê trabalha em uma sala trancada justamente para evitar pressões externas, e seus cinco membros frequentemente enfrentam dificuldades para chegar a consenso.
Mas as ações do presidente também pesaram. Nina Graeger, diretora do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, apontou que Trump retirou os EUA da Organização Mundial da Saúde e do Acordo de Paris sobre o clima, além de ter iniciado uma guerra comercial contra antigos aliados. "Não é exatamente isso que esperamos quando pensamos em um presidente pacífico ou em alguém que realmente esteja interessado em promover a paz", disse à Reuters. O testamento de Alfred Nobel, que norteia o prêmio, estabelece que a honraria deve ir para quem mais ou melhor fez para promover a amizade entre as nações — um critério que, segundo os analistas, Trump não atende adequadamente.
Este ano, 244 pessoas e 94 organizações foram indicadas, totalizando 338 nomeações — o maior número desde 2016. O vencedor recebeu uma medalha, um diploma e um prêmio em dinheiro equivalente a cerca de 6,3 milhões de reais. A lista completa de indicados permanece sigilosa e só será divulgada em 50 anos.
Para Trump, porém, a derrota não encerra a possibilidade. Ele já foi formalmente indicado para 2026 por países como Israel, Camboja e Paquistão. Graeger sugere que ele poderia ser um candidato forte no próximo ano se conseguisse encerrar as guerras na Ucrânia e garantir um cessar-fogo permanente na Faixa de Gaza — realizações que, diferentemente de suas afirmações atuais, seriam concretas e verificáveis.
Citas Notables
Esse tipo de campanha de influência tem um efeito mais negativo do que positivo. Nós discutimos sobre isso no comitê. Alguns candidatos pressionam muito, e não gostamos— Asle Toje, vice-líder do Comitê Norueguês do Nobel
Não é exatamente isso que esperamos quando pensamos em um presidente pacífico ou em alguém que realmente esteja interessado em promover a paz— Nina Graeger, diretora do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Trump acreditava que merecia o prêmio?
Ele argumentava que havia mediado conflitos globais e encerrado guerras. Na ONU, chegou a dizer que tinha resolvido sete conflitos, embora especialistas contestem essa contagem.
E por que isso não foi suficiente?
Porque suas ações recentes contradizem o espírito do prêmio. Retirou os EUA de organizações internacionais, saiu do Acordo de Paris e iniciou guerras comerciais contra aliados.
A campanha dele ajudou ou prejudicou?
Prejudicou. O comitê do Nobel desaprova tentativas de influência, e Trump foi bastante agressivo em promover sua própria candidatura.
Ele pode tentar novamente?
Sim. Já foi indicado para 2026 por Israel, Camboja e Paquistão. Se conseguisse encerrar as guerras na Ucrânia e Gaza, teria chances reais.
Como funciona exatamente a escolha?
Cinco membros trabalham em uma sala trancada para evitar pressões externas. Este ano houve 338 indicações — o maior número desde 2016. A lista de indicados só é revelada em 50 anos.
Qual é o critério oficial?
O testamento de Alfred Nobel diz que o prêmio vai para quem mais ou melhor promove a amizade entre as nações. Trump, segundo analistas, não atende esse critério.