Trump exige corte imediato de juros do Fed em discurso em Davos

Exigirei que a taxa de juros caia imediatamente e elas deveriam estar caindo em todo o mundo
Trump pressiona o Fed e outros bancos centrais por cortes de juros em seu primeiro discurso em Davos como presidente.

Nos primeiros dias de seu retorno à presidência, Donald Trump usou o palco global de Davos para pressionar o Federal Reserve a cortar juros imediatamente, vinculando a medida à queda dos preços do petróleo e prometendo transformar os Estados Unidos em uma superpotência energética e manufatureira. A exigência chega num momento em que o próprio mercado já reduziu suas expectativas para apenas um corte em 2025, diante de uma economia americana aquecida. O gesto revela uma tensão antiga e renovada entre o poder executivo e a independência dos bancos centrais — uma tensão que raramente se resolve sem consequências.

  • Trump pressionou publicamente o Fed a cortar juros de imediato, desafiando a autonomia do banco central num momento em que a economia americana mostra sinais de vigor.
  • O mercado financeiro já havia recuado nas apostas de corte: onde esperava duas reduções, agora prevê apenas uma em todo o ano de 2025, após dados de emprego surpreendentemente fortes em dezembro.
  • A próxima reunião do Fed começa na terça-feira seguinte ao discurso, com anúncio previsto para quarta-feira — tornando a pressão de Trump imediata e concreta.
  • Em Davos, executivos de grandes bancos e empresas globais aguardam detalhes sobre as tarifas prometidas para 1º de fevereiro, que podem afetar União Europeia, China, México e Canadá.
  • O discurso misturou política monetária, críticas a Biden, ataques a pautas climáticas e de diversidade, e promessas de supremacia americana em energia, inteligência artificial e criptomoedas.

Donald Trump apareceu em Davos por videoconferência na quinta-feira e, logo nos primeiros dias de seu novo mandato, fez uma exigência direta aos líderes econômicos do mundo: o Federal Reserve deve cortar as taxas de juros imediatamente. Ele vinculou a demanda à queda dos preços do petróleo, argumentando que a combinação reduziria custos em toda a economia e até ajudaria a encerrar a guerra na Ucrânia.

O momento é delicado. Antes mesmo de Trump assumir, operadores de mercado já haviam revisado drasticamente suas expectativas: onde antes apostavam em dois cortes de juros, agora preveem apenas um ao longo de 2025. A revisão veio após dados de dezembro mostrarem a criação de 256 mil empregos e queda no desemprego. Com a economia aquecida, o mercado espera que o Fed aguarde pelo menos até junho. A próxima reunião do banco central estava marcada para a semana seguinte, com a taxa entre 4,25% e 4,5% ao ano.

A plateia em Davos aplaudiu quando Trump apareceu na tela. Ele listou medidas tomadas desde a posse — ações sobre imigração, energia e retirada de acordos internacionais — e aproveitou para criticar Joe Biden e as pautas que dominam o fórum há anos, de clima a diversidade. John Kerry, presente no salão, ficou visivelmente constrangido.

Trump prometeu reduzir a inflação com tarifas, desregulamentação e cortes de impostos, e declarou que os Estados Unidos usarão suas reservas de petróleo e gás para se tornar uma superpotência manufatureira. Mais de mil pessoas lotaram o auditório, incluindo executivos do Bank of America, Blackstone e TotalEnergies — todos ansiosos por detalhes concretos sobre as tarifas prometidas para 1º de fevereiro.

O discurso também incluiu afirmações falsas e anúncios de ações já tomadas: retirada da OMS e do Acordo de Paris, perdão a apoiadores do 6 de janeiro e ameaças sobre o Canal do Panamá. Os mercados globais permanecem nervosos. O que vem a seguir dependerá, em grande medida, de como o Fed responde à pressão presidencial — e de como as tarifas anunciadas afetarão a economia real.

Donald Trump entrou em Davos por videoconferência na quinta-feira e, em seus primeiros dias como presidente, fez uma exigência clara aos líderes econômicos mundiais: o Federal Reserve deve cortar as taxas de juros imediatamente, e outros bancos centrais deveriam fazer o mesmo. Falando no Fórum Econômico Mundial, ele vinculou essa demanda a outra prioridade: a queda dos preços do petróleo. "Com a queda dos preços do petróleo, exigirei que a taxa de juros caia imediatamente e, da mesma forma, elas deveriam estar caindo em todo o mundo", declarou.

O timing da pressão é significativo. Operadores de mercado financeiro já haviam reduzido drasticamente suas expectativas para cortes de juros nos EUA antes mesmo de Trump assumir o cargo. Onde antes apostavam em duas reduções durante 2024, agora preveem apenas uma ao longo de todo 2025. A mudança ocorreu após dados de dezembro mostrarem a criação de 256 mil postos de trabalho e uma queda na taxa de desemprego de 4,2% para 4,1%. Com a economia aquecida, o mercado passou a esperar que o Fed aguarde pelo menos até junho para qualquer movimento. A próxima reunião do banco central começa na terça-feira seguinte, com o anúncio previsto para quarta-feira, com a taxa de juros atualmente entre 4,25% e 4,5% ao ano.

O discurso de Trump em Davos foi mais do que uma declaração sobre política monetária. Quando seu rosto apareceu na tela do auditório, a plateia aplaudiu. Ele listou as mudanças rápidas implementadas desde sua posse na segunda-feira anterior, incluindo ações sobre imigração, energia e retirada de acordos internacionais. Mas também usou o momento para criticar duramente seu antecessor, Joe Biden, e as políticas que dominam o fórum há anos — desde mudanças climáticas até diversidade. John Kerry, ex-secretário de Estado que serviu sob Biden, ficou visivelmente constrangido enquanto ouvia.

Trump prometeu reduzir a inflação através de tarifas, desregulamentação e cortes de impostos, combinados com sua repressão à imigração ilegal e um compromisso de fazer dos Estados Unidos um centro de inteligência artificial, criptomoedas e combustíveis fósseis. Ele também criticou os níveis de tributação na União Europeia. "Os Estados Unidos têm a maior quantidade de petróleo e gás do que qualquer outro país na Terra, e vamos usá-los", disse. "Isso não só reduzirá o custo de praticamente todos os bens e serviços, como também tornará os Estados Unidos uma superpotência manufatureira."

Mais de mil executivos, autoridades e outras pessoas lotaram o salão principal para o discurso, incluindo o presidente polonês Andrzej Duda. Entre os líderes empresariais presentes estavam Brian Moynihan, do Bank of America; Stephen Schwarzman, do Blackstone Group; Patrick Pouyanne, da TotalEnergies; Borge Brende, presidente do Fórum Econômico Mundial; e Klaus Schwab, seu fundador. Esses executivos estão ansiosos por detalhes concretos sobre os planos de tarifas de Trump, especialmente após ele ter ameaçado com amplas taxas de importação que poderiam começar em 1º de fevereiro.

O discurso também incluiu falsidades conhecidas — que os EUA tinham o ar e a água mais limpos durante seu primeiro mandato, que ele venceu por uma margem grande nas eleições, que havia um "Green New Deal" que ele havia revogado. Além disso, Trump anunciou outras ações tomadas nos primeiros dias: retirada da Organização Mundial da Saúde e do acordo climático de Paris, perdão de mais de 1.500 apoiadores que atacaram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021, e ameaças de retomar o Canal do Panamá. Ele também disse que renomeará o Golfo do México como Golfo da América, embora outros países possam não adotar o novo nome.

Os mercados globais permanecem nervosos com os planos de tarifas amplas sobre produtos importados. Trump já ameaçou impor taxas pesadas à União Europeia, China, México e Canadá. Enquanto isso, está se movendo para desmantelar programas de diversidade dentro do governo dos EUA e pressionando o setor privado a fazer o mesmo — uma posição que fez com que algumas pessoas em Davos procurassem novas palavras para descrever práticas no local de trabalho que, segundo elas, são essenciais para seus negócios. O que vem a seguir dependerá em grande medida de como o Fed responde à pressão presidencial e de como as tarifas anunciadas afetam a economia real.

Com a queda dos preços do petróleo, exigirei que a taxa de juros caia imediatamente e, da mesma forma, elas deveriam estar caindo em todo o mundo
— Donald Trump, em discurso em Davos
Os Estados Unidos têm a maior quantidade de petróleo e gás do que qualquer outro país na Terra, e vamos usá-los. Isso não só reduzirá o custo de praticamente todos os bens e serviços, como também tornará os Estados Unidos uma superpotência manufatureira
— Donald Trump
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Trump está pressionando o Fed agora, nos primeiros dias de seu mandato? Não é cedo demais?

Model

Ele vê a taxa de juros como um obstáculo ao crescimento econômico que promete. Mas o Fed já sinalizou que não há pressa — os dados de emprego forte em dezembro convenceram os operadores de que não há necessidade de cortes rápidos.

Inventor

E se o Fed ignorar a pressão? Qual é o risco real?

Model

O risco é que Trump use outras ferramentas — tarifas, por exemplo — para forçar a questão. Se ele impõe tarifas pesadas, isso pode aumentar a inflação, o que tornaria os cortes de juros ainda menos prováveis. É um jogo de xadrez.

Inventor

Você acha que os mercados acreditam que ele conseguirá o que quer?

Model

Os mercados estão nervosos. Eles querem saber os detalhes concretos das tarifas antes de fazer apostas. O discurso em Davos foi mais sobre estabelecer uma narrativa do que sobre oferecer respostas.

Inventor

E quanto aos outros bancos centrais? Ele realmente espera que o Banco Central Europeu ou o Banco do Brasil façam o mesmo?

Model

É mais uma declaração de intenção do que uma expectativa realista. Cada banco central tem sua própria situação econômica. Mas Trump está sinalizando que quer um mundo com juros mais baixos — o que beneficiaria os EUA.

Inventor

O que mais chamou atenção no discurso além dos juros?

Model

A agressividade em relação às políticas que dominam Davos há anos — clima, diversidade. Ele estava falando para um público que historicamente apoiava essas coisas. Foi uma declaração de ruptura.

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