Trump elogia 'química excelente' com Lula, mas critica tarifas brasileiras na ONU

O Brasil só irá bem se trabalhar conosco
Trump condiciona o sucesso brasileiro à cooperação com os Estados Unidos durante discurso na ONU.

Na margem da 80ª Assembleia Geral da ONU, Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva trocaram um abraço de trinta segundos que, segundo Trump, revelou uma 'química excelente' entre os dois líderes. Mas a cordialidade pessoal não apagou as tensões estruturais: horas depois, do mesmo palco, Trump acusou o Brasil de praticar tarifas 'muito injustas' e condicionou o futuro do país à cooperação com Washington. O episódio ilustra uma tensão antiga da diplomacia — a distância entre o calor dos gestos e a frieza dos interesses.

  • Um encontro de trinta segundos com abraço e aperto de mão foi suficiente para Trump declarar 'química excelente' com Lula — mas não para suavizar as exigências comerciais que vieram logo em seguida.
  • Trump acusou o Brasil de impor tarifas 'muito injustas' contra os Estados Unidos, usando a crítica como justificativa pública para as tarifas americanas já em vigor.
  • Do palco da ONU, Trump defendeu sua estratégia tarifária como geradora de centenas de bilhões em receitas, apresentando-a como proteção econômica legítima e não como agressão comercial.
  • A mensagem ao Brasil soou como ultimato velado: o país 'só irá bem se trabalhar conosco', colocando a prosperidade brasileira como dependente da cooperação com Washington.
  • O discurso encerrou com celebrações americanas — 250 anos de independência, Copa do Mundo, Olimpíadas — criando um contraste entre a liberdade celebrada e as condições impostas aos parceiros.

Na tarde de terça-feira, durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, Donald Trump dedicou alguns minutos para descrever um encontro fugaz com Lula ocorrido horas antes. Trinta segundos, um abraço, um aperto de mão e um acordo para conversar novamente em breve — tempo suficiente, segundo Trump, para identificar uma 'química excelente' entre os dois presidentes.

Mas o tom mudou rapidamente. Trump acusou o Brasil de ter imposto tarifas contra os Estados Unidos de forma 'muito injusta' e usou essa reclamação para justificar as tarifas americanas implementadas em resposta. A mensagem era clara: por mais amigável que fosse o encontro pessoal, havia negócios a resolver.

Trump aproveitou o palco para defender sua estratégia tarifária como mecanismo legítimo de proteção econômica, afirmando que ela havia gerado centenas de bilhões de dólares sem provocar inflação. Em seguida, dirigiu-se ao Brasil com o que soava como um ultimato velado: o país 'só irá bem se trabalhar conosco' — menos um convite, mais uma declaração sobre escolhas racionais.

O discurso encerrou com uma nota celebratória sobre os 250 anos da independência americana, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. O contraste era notável: enquanto celebrava a liberdade americana, Trump havia acabado de condicionar o sucesso do Brasil à cooperação com Washington. Para o Brasil, o caminho à frente exige navegar entre a abertura do diálogo pessoal e a dureza das negociações comerciais que se anunciam.

Na tarde de terça-feira, durante o discurso que proferiu na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Donald Trump dedicou alguns minutos para falar sobre um encontro fugaz que havia tido horas antes com o presidente Lula. O encontro durara apenas trinta segundos — tempo suficiente para um abraço e um aperto de mão, mas também para que ambos concordassem em conversar novamente em breve. Trump descreveu o momento com entusiasmo, dizendo que havia uma "química excelente" entre eles, um sinal de que, apesar das diferenças políticas, havia espaço para diálogo direto entre Washington e Brasília.

Mas o tom mudou rapidamente quando Trump passou a abordar as políticas comerciais brasileiras. Ele acusou o Brasil de ter imposto tarifas contra os Estados Unidos de forma "muito injusta", e usou essa reclamação para justificar as tarifas americanas que seu governo havia implementado em resposta. Não era uma crítica velada — era uma mensagem clara de que, por mais amigável que fosse o encontro pessoal, havia negócios a resolver, e o Brasil precisaria ajustar seu comportamento comercial.

Trump aproveitou o palco da ONU para defender sua estratégia tarifária como um mecanismo legítimo de proteção econômica. Segundo ele, o uso de tarifas havia gerado centenas de bilhões de dólares em receitas para os cofres americanos, tudo isso sem permitir que a inflação disparasse. Era uma defesa da abordagem que havia caracterizado sua primeira administração e que, aparentemente, continuaria marcando sua política externa.

Além das questões comerciais, Trump tocou em temas mais amplos de soberania e política internacional. Ele expressou preocupações com censura, repressão e o que descreveu como uso indevido do sistema judicial em diversos países. Nesse contexto, dirigiu-se especificamente ao Brasil com uma mensagem que soava como um ultimato velado: o país "só irá bem se trabalhar conosco". Era menos um convite e mais uma declaração sobre qual deveria ser a escolha racional do Brasil em relação aos Estados Unidos.

No final de seu discurso, Trump mudou de tom novamente, falando sobre as celebrações que os Estados Unidos planejava para o próximo ano. Mencionou os 250 anos da independência americana, a Copa do Mundo da FIFA e os Jogos Olímpicos — eventos que ele descreveu como uma "grande celebração da liberdade e da conquista humana". Era uma forma de encerrar com uma nota otimista, mas o contraste era notável: enquanto celebrava a liberdade americana, havia acabado de condicionar o sucesso do Brasil à cooperação com Washington.

O discurso deixava claro que, para Trump, as relações internacionais funcionam em duas velocidades simultâneas. Há o nível pessoal, onde um abraço rápido e uma "química excelente" podem criar uma base de entendimento. E há o nível estrutural, onde tarifas, soberania e poder econômico determinam quem prospera e quem fica para trás. O Brasil, nessa equação, precisaria navegar entre esses dois níveis — mantendo a porta aberta para o diálogo pessoal enquanto se preparava para negociações comerciais que promete ser difíceis.

O Brasil tarifou o nosso país de uma forma muito injusta
— Donald Trump, durante discurso na ONU
O Brasil só irá bem se trabalhar conosco
— Donald Trump, durante discurso na ONU
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Trump dedicou tempo em um discurso na ONU para falar sobre um encontro de trinta segundos com Lula?

Model

Porque esses momentos rápidos, quando envolvem líderes de países importantes, funcionam como sinais diplomáticos. Trump estava dizendo ao mundo que há abertura para conversa com o Brasil, mas também estabelecendo o tom de quem está no controle.

Inventor

A "química excelente" que ele mencionou — isso é genuíno ou apenas retórica?

Model

Provavelmente ambas as coisas. Líderes podem realmente se dar bem pessoalmente. Mas Trump também estava criando cobertura para as críticas que viria a fazer. É mais fácil criticar tarifas brasileiras se você acabou de dizer que gosta do presidente.

Inventor

Ele realmente acredita que as tarifas brasileiras foram injustas, ou está apenas buscando justificar suas próprias tarifas?

Model

Essa é a questão central. Trump vê tarifas como ferramentas legítimas de negociação. Para ele, se o Brasil as usou, os EUA têm o direito de fazer o mesmo. A questão de justiça é secundária — o que importa é o poder de barganha.

Inventor

Quando ele disse que o Brasil "só irá bem se trabalhar conosco", o que exatamente ele quis dizer?

Model

Que não há alternativa viável. Que o Brasil depende economicamente dos EUA o suficiente para que Trump possa fazer essa afirmação sem parecer completamente absurda. É uma declaração de poder disfarçada de conselho.

Inventor

Por que mencionar as celebrações americanas de 2025 no final do discurso?

Model

Para terminar em alta, com otimismo. Mas também para reforçar a ideia de que os EUA estão em uma posição de força e celebração, enquanto outros países estão negociando suas relações com Washington.

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