Ela se recusou a se envolver, então isso prejudicou minha relação
Na margem da Cúpula da Otan em Ancara, Donald Trump voltou a expor as fissuras de uma aliança que parecia promissora: elogiou Giorgia Meloni como 'pessoa simpática', mas a responsabilizou por recusar apoio americano em operações contra o Irã, revelando como a proximidade ideológica entre dois líderes populistas não foi suficiente para superar os imperativos soberanos da Itália. O episódio lembra que na diplomacia, a afinidade pessoal é frágil quando confrontada com decisões de Estado.
- Trump publicou uma foto provocadora de Meloni com a legenda 'PRECISA DE UMA ORDEM DE RESTRIÇÃO' horas antes de ambos se encontrarem em Ancara, transformando uma tensão latente em confronto público.
- A recusa italiana de permitir pousos de aeronaves militares americanas em Sigonella, em março, continua sendo a ferida aberta que Trump usa para justificar seu ressentimento com a primeira-ministra.
- Meloni, que foi a única líder europeia a comparecer à posse de Trump em 2025, vê agora o capital político que investiu nessa relação se desgastar diante de provocações repetidas e acusações de ingratidão.
- O governo italiano adotou uma estratégia de silêncio calculado: o chanceler Tajani anunciou que Roma decidiu parar de responder às provocações de Trump nas redes sociais para preservar as relações bilaterais.
- Fontes próximas a Meloni indicam que ela pretende receber Trump 'com um sorriso', sinalizando que a diplomacia discreta ainda é preferida ao confronto aberto.
Na terça-feira, durante a Cúpula da Otan em Ancara, Donald Trump descreveu Giorgia Meloni como uma 'pessoa simpática' — mas o elogio veio acompanhado de uma crítica direta: ela havia cometido um erro ao recusar apoio americano em operações contra o Irã. A declaração é o capítulo mais recente de uma relação que começou com promessas e foi se deteriorando ao longo dos meses.
Meloni e Trump pareciam ter construído uma aliança sólida. Ela foi a única líder europeia presente à posse do presidente americano em 2025. Mas a relação começou a rachar quando Trump afirmou, em entrevista ao canal italiano La7, que Meloni havia 'implorado' para tirar uma foto com ele durante o G7 na França. Ela negou e o acusou de inventar a história. A fissura nunca cicatrizou.
A tensão se aprofundou quando Meloni criticou Trump por atacar o papa Leão, que havia condenado a guerra no Irã. Trump revidou lembrando que a Itália havia negado, em março, permissão para aeronaves militares americanas pousarem na base de Sigonella antes de seguirem ao Oriente Médio — uma recusa que ele interpretou como traição. No fim de semana anterior à cúpula, Trump publicou na rede Truth Social uma foto de Meloni olhando para ele com a legenda 'PRECISA DE UMA ORDEM DE RESTRIÇÃO', reacendendo o conflito horas antes do encontro.
Diante das provocações repetidas, Roma escolheu o silêncio estratégico. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, declarou ao jornal La Stampa que a Itália havia decidido parar de responder aos comentários de Trump nas redes sociais. Fontes próximas a Meloni descartaram qualquer confronto direto em Ancara: ela saberia lidar com a situação e poderia simplesmente cumprimentar o presidente americano 'com um sorriso' — um gesto pequeno que, neste contexto, carrega o peso de toda uma estratégia diplomática.
Na terça-feira, durante a Cúpula da Otan em Ancara, Donald Trump ofereceu um elogio temperado à primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, chamando-a de "pessoa simpática", mas imediatamente a criticou por recusar apoio americano em operações contra o Irã. A declaração marca o ponto mais recente de uma disputa diplomática que vem desgastando uma aliança que já foi considerada promissora.
Meloni e Trump compartilhavam afinidades políticas que pareciam sólidas. Ela foi a única líder europeia a comparecer à posse de Trump em 2025, um gesto que sinalizava proximidade. Mas a relação começou a se deteriorar mês passado, quando Trump disse ao canal italiano La7 que Meloni havia "implorado" para tirar uma foto com ele durante uma cúpula do G7 na França. Meloni negou categoricamente e o acusou de inventar a história. O incidente abriu uma fissura que não cicatrizou.
A tensão se aprofundou quando Meloni criticou Trump por atacar o papa Leão, que havia condenado a guerra no Irã. Trump respondeu acusando a primeira-ministra de recusar ajuda na reabertura do Estreito de Ormuz. Em março, a Itália havia negado permissão para que aeronaves militares americanas pousassem na base aérea de Sigonella, na Sicília, antes de seguirem para o Oriente Médio, argumentando que Washington não havia solicitado autorização prévia ao governo de Roma. Para Trump, essa recusa foi uma traição em um momento crítico.
"Ela se recusou a se envolver, então isso prejudicou um pouco minha relação com ela. Mas eu gosto dela. Acho que ela é uma pessoa simpática, na verdade. Mas acho que ela cometeu um erro", disse Trump a repórteres na Turquia. O presidente havia sido questionado sobre uma foto que publicou na rede social Truth Social no fim de semana, mostrando Meloni olhando para ele com a legenda "PRECISA DE UMA ORDEM DE RESTRIÇÃO" — um gesto provocador que reacendeu o conflito horas antes do encontro em Ancara.
Trump também atacou outros líderes europeus durante o conflito com o Irã, incluindo o chanceler alemão Friedrich Merz, que igualmente criticou a guerra. Mas para Meloni, a repreensão foi particularmente dolorosa porque ela havia investido politicamente em construir uma relação próxima com o presidente americano.
O governo italiano optou por uma estratégia de contenção. Antonio Tajani, ministro das Relações Exteriores, declarou ao jornal La Stampa que a Itália havia decidido parar de responder aos comentários provocadores de Trump nas redes sociais. "Trump fala por si mesmo. Temos um presidente dos EUA que adora provocar, especialmente nas redes sociais. Decidimos parar de responder a esses comentários", afirmou Tajani.
O gabinete de Meloni não quis detalhar como ela agiria ao encontrar Trump em Ancara. Uma fonte próxima a ela, que pediu para não ser identificada, descartou a possibilidade de ela ignorar o presidente americano, afirmando que ela sabe lidar com situações desse tipo e poderia, em vez disso, cumprimentá-lo "com um sorriso". A resposta sugere que, apesar das provocações públicas, Meloni pretende manter a porta aberta para a diplomacia bilateral.
Notable Quotes
Ela se recusou a se envolver, então isso prejudicou um pouco minha relação com ela. Mas eu gosto dela. Acho que ela é uma pessoa simpática, na verdade. Mas acho que ela cometeu um erro.— Donald Trump, presidente dos EUA
Trump fala por si mesmo. Temos um presidente dos EUA que adora provocar, especialmente nas redes sociais. Decidimos parar de responder a esses comentários.— Antonio Tajani, ministro das Relações Exteriores italiano
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Trump insiste em provocar Meloni publicamente se ele diz que gosta dela?
Porque para Trump, a recusa de ajuda no Irã é uma questão de lealdade. Ele vê a diplomacia como transacional — você apoia meus objetivos, eu apoio os seus. Meloni não fez isso, então ele a puniu publicamente.
Mas Meloni estava certa em recusar? A Itália tinha razão legal?
Tecnicamente, sim. Os EUA não pediram autorização prévia. Mas Trump não vê as coisas em termos legais. Ele vê em termos de quem está com ele e quem está contra.
Por que Meloni não responde às provocações?
Porque ela ainda precisa da relação com os EUA. A Itália é membro da Otan, depende da segurança americana. Se ela entrar em uma guerra de redes sociais com Trump, perde. Então ela escolhe o silêncio estratégico.
Isso vai funcionar? Vai melhorar as coisas?
Provavelmente não vai piorar. Mas também não vai resolver. Trump vai continuar provocando enquanto Meloni continuar recusando apoio no Irã. É um impasse.
E se eles se encontrarem em Ancara?
Meloni vai sorrir, vai ser profissional, vai tentar manter a fachada de aliança. Mas ambos sabem que a confiança foi abalada. O sorriso é apenas para as câmeras.