O Irã reabre o Estreito de Ormuz e os EUA suspendem o bloqueio naval
Após décadas de hostilidade que moldaram a geopolítica do Oriente Médio, Estados Unidos e Irã assinaram nesta quarta-feira um memorando de entendimento com 14 pontos que declara o fim imediato da guerra entre os dois países. O documento, formalizado por Trump em Versalhes e pelo lado iraniano por via eletrônica, abre caminho para o levantamento de sanções, a reabertura do Estreito de Ormuz e um programa de reconstrução de 300 bilhões de dólares. Em 60 dias, as duas nações deverão negociar um acordo final que inclua a questão nuclear — um prazo curto para encerrar um conflito que durou gerações.
- A tensão de décadas entre Washington e Teerã chegou a um ponto de inflexão: o memorando declara o fim imediato e permanente das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano.
- A reabertura do Estreito de Ormuz — bloqueado durante o conflito — é exigida em até 30 dias, aliviando uma das maiores ameaças ao comércio global de energia.
- Os EUA se comprometem a suspender todas as sanções e liberar ativos iranianos congelados, enquanto o Irã reafirma que não desenvolverá armas nucleares e aceita supervisão da AIEA.
- A cerimônia formal em Genebra foi antecipada para acelerar a implementação, sinalizando que ambos os lados reconhecem a urgência de transformar palavras em ações concretas.
- O relógio de 60 dias para um acordo nuclear definitivo — ratificável pelo Conselho de Segurança da ONU — já começou a correr, e o fracasso nesse prazo poderia reabrir todas as feridas.
Na quarta-feira, 17 de junho, Estados Unidos e Irã oficializaram um memorando de entendimento que declara o fim imediato e permanente da guerra entre os dois países. O documento de 14 pontos representa uma das maiores viradas diplomáticas do século 21.
A assinatura ocorreu em duas etapas. No domingo, o vice-presidente J.D. Vance e o presidente do Parlamento iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf já haviam assinado digitalmente o texto, com Trump como testemunha. Três dias depois, Trump assinou pessoalmente durante um jantar com Emmanuel Macron no Palácio de Versalhes, enquanto o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, completou a formalização por via eletrônica. A cerimônia presencial em Genebra, originalmente marcada para sexta-feira, foi antecipada para acelerar a implementação e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Os termos são abrangentes: os EUA suspenderão o bloqueio naval e retirarão forças militares da região em até 30 dias; o Irã reabrirá o Estreito de Ormuz no mesmo prazo e garantirá passagem segura de navios comerciais por 60 dias. Ambas as nações declaram o encerramento de operações militares em todas as frentes e se comprometem a não iniciar novos conflitos.
No campo nuclear, o Irã reafirma que não produzirá nem adquirirá armas nucleares, e as duas partes concordaram em resolver a questão do urânio enriquecido sob supervisão da AIEA. Os EUA, por sua vez, encerrarão todas as sanções — incluindo resoluções da ONU — e liberarão integralmente os ativos iranianos congelados, além de permitir a comercialização de petróleo e petroquímicos imediatamente.
Como compensação, Washington e parceiros regionais se comprometem a criar um programa de reconstrução econômica do Irã com financiamento mínimo de 300 bilhões de dólares. O prazo de 60 dias para negociar um acordo final — que será ratificado por resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU — começou a correr na própria quarta-feira.
Na quarta-feira, 17 de junho, os Estados Unidos e o Irã oficializaram um memorando de entendimento que declara o fim imediato e permanente da guerra entre os dois países. O documento, composto por 14 pontos, representa uma virada dramática em uma das tensões geopolíticas mais duradouras do século 21.
A assinatura ocorreu em duas etapas. No domingo anterior, o vice-presidente americano J.D. Vance e o presidente do Parlamento iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf já haviam assinado digitalmente o memorando, com Donald Trump testemunhando o ato. Três dias depois, Trump assinou pessoalmente uma cópia durante um jantar com o presidente francês Emmanuel Macron no Palácio de Versalhes, enquanto o lado iraniano completou a formalização por via eletrônica através de seu porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei. Os dois governos decidiram acelerar a assinatura formal para agilizar a implementação do acordo e a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais críticas do mundo. Uma cerimônia presencial em Genebra, na Suíça, estava originalmente marcada para a sexta-feira, mas seu status permanecia incerto após a antecipação.
O memorando estabelece que os Estados Unidos suspenderão seu bloqueio naval ao Irã e retirarão suas forças militares da região em até 30 dias. Em contrapartida, o Irã reabrirá o Estreito de Ormuz no mesmo prazo e garantirá passagem segura e gratuita de navios comerciais por 60 dias. O país também se comprometeu a dialogar com Omã e outros Estados costeiros do Golfo Pérsico sobre a futura administração do estreito. Ambas as nações declaram o encerramento de operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e se comprometem a não iniciar qualquer conflito um contra o outro.
No aspecto nuclear, o Irã reafirma que não produzirá nem adquirirá armas nucleares. Os dois países concordaram em resolver a questão do urânio enriquecido armazenado por meio de um mecanismo a ser acordado, com supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica. Ambas as partes também discutirão questões de enriquecimento e outras matérias nucleares como parte de um acordo final a ser negociado em até 60 dias, com possibilidade de prorrogação mediante consentimento mútuo.
Os Estados Unidos se comprometem a encerrar todos os tipos de sanções contra o Irã, incluindo resoluções do Conselho de Segurança da ONU, resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica e todas as sanções unilaterais americanas. Além disso, Washington se compromete a liberar totalmente todos os ativos e fundos iranianos que estavam congelados ou restringidos pelas sanções. O país também permitirá que o Irã comercialize seu petróleo e produtos petroquímicos, e emitirá isenções para essas exportações imediatamente após a assinatura do memorando.
Como compensação financeira, os Estados Unidos se comprometem, junto com seus parceiros regionais, a criar um programa de reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã com financiamento mínimo de 300 bilhões de dólares. O mecanismo para implementação desse plano será definido como parte do acordo final. Enquanto isso, ambas as partes concordam em manter o status quo: o Irã manterá sua atual política nuclear, e os Estados Unidos não imporão novas sanções nem aumentarão sua presença militar no Oriente Médio.
O memorando também estabelece que ambas as nações se comprometem a respeitar a soberania e integridade territorial uma da outra e a abster-se de interferir nos assuntos internos. Um mecanismo executivo será estabelecido para supervisionar a implementação correta do memorando e o cumprimento futuro do acordo final. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, o período de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear iraniano começou na quarta-feira. O acordo final será ratificado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU em até 60 dias.
Notable Quotes
O Irã reafirma que não adquirirá nem desenvolverá armas nucleares— Memorando de Entendimento entre EUA e Irã
Os Estados Unidos e o Irã declaram o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano— Parágrafo 1 do memorando
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como um memorando assinado digitalmente no domingo se torna oficial apenas na quarta-feira?
Porque a assinatura digital entre vice-presidentes e parlamentares era um passo técnico. O que muda na quarta é que os presidentes em exercício — Trump e Pezeshkian — colocam seus nomes no documento. Isso o torna vinculante no plano político e legal.
Por que acelerar a assinatura se já havia uma cerimônia marcada para sexta em Genebra?
Porque cada dia que passa sem a reabertura do Estreito de Ormuz custa bilhões em comércio global. Quanto mais rápido o memorando estiver em vigor, mais rápido o Irã pode começar a remover minas e obstáculos militares. Genebra era para celebrar; isso é para começar.
O Irã realmente vai abrir mão de armas nucleares?
O memorando diz que o Irã reafirma que não as produzirá. Mas há 60 dias de negociações pela frente. O que está sendo acordado agora é que ambos os lados congelam a situação enquanto conversam — o Irã não avança seu programa, os EUA não aumentam sanções ou tropas.
E se o Irã não cumprir em 60 dias?
Então não há acordo final, e a resolução do Conselho de Segurança da ONU não é ratificada. Mas nesse ponto, o bloqueio naval já foi suspenso, o Estreito já está aberto, e 300 bilhões em reconstrução já estão em discussão. Voltar atrás seria politicamente custoso para ambos.
Trump assinou em Versalhes com Macron presente. Qual é o significado disso?
Que a França — e por extensão a Europa — está sendo posicionada como testemunha e possível parceira na reconstrução do Irã. Não é apenas um acordo bilateral EUA-Irã. É um acordo que envolve a comunidade internacional.
O que muda para o cidadão comum no Irã?
Potencialmente tudo. As sanções que tornaram impossível importar peças de reposição, medicamentos, tecnologia — desaparecem. O petróleo iraniano volta ao mercado global. Dinheiro congelado há anos é liberado. É o fim de uma asfixia econômica de duas décadas.