Trump dobra ultimato enquanto EUA e Israel intensificam ataques ao Irã

Explosões em Teerã mataram 9 pessoas segundo mídia local; risco de colapso de infraestrutura vital afetando milhões de iranianos e população regional.
Uma civilização inteira morrerá esta noite
Trump renova ultimato ao Irã com ameaça de destruição total se negociações não avançarem até as 21h.

Trump ameaça destruir infraestrutura iraniana se Irã não reabrir Estreito de Ormuz até terça-feira às 21h, dizendo que 'uma civilização inteira morrerá'. EUA bombardearam ilha estratégica de Kharg que armazena 90% do petróleo iraniano; Israel atacou pontes, trens e aeroportos; Irã revidou com ataques e convocou escudos humanos.

  • Ultimato de Trump com prazo até terça-feira 7 de abril às 21h para reabertura do Estreito de Ormuz
  • EUA bombardearam ilha de Kharg que armazena 90% do petróleo iraniano
  • Explosões em Teerã mataram 9 pessoas segundo mídia local
  • Guerra já dura seis semanas, prazo máximo previsto por Trump quando começou
  • Negociações travadas após rejeição de plano de cessar-fogo do Paquistão

Em dia de escalada militar, Trump renova ultimato ao Irã com prazo até às 21h, enquanto EUA atacam ilha de Kharg e Israel realiza amplos bombardeios. Negociações permanecem travadas e risco de conflito global aumenta.

A terça-feira de 7 de abril marcou um ponto de inflexão na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Donald Trump estabeleceu um ultimato com prazo até as 21h — horário de Brasília — para que Teerã chegasse a um acordo que incluísse a reabertura do Estreito de Ormuz. Na rede social Truth Social, o presidente americano escreveu que "uma civilização inteira morrerá esta noite" caso o prazo não fosse cumprido, elevando dramaticamente o tom de uma disputa que já durava seis semanas.

Mas os ataques não esperaram pelo relógio. Os Estados Unidos já haviam bombardeado a ilha de Kharg, um dos alvos mais estratégicos do Irã. A ilha armazena aproximadamente 90% de todo o petróleo produzido no país — um depósito que havia sido poupado nas duas primeiras semanas da guerra, mas que Trump anunciou ter destruído em meados de março. Israel, por sua vez, não esperou o prazo e anunciou ter realizado "amplos ataques" ao redor do território iraniano, atingindo pontes em cidades como Qom, trens, aeroportos, edifícios e uma petroquímica em Shihaz. Explosões atingiram Teerã, e segundo a mídia local, nove pessoas morreram em uma delas.

O Irã respondeu. Convocou a população a formar escudos humanos ao redor de usinas nucleares e anunciou que a época de "boa vizinhança" com países do Golfo havia terminado. O país mantinha sua própria capacidade de pressão: havia fechado parte do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais críticas para o transporte de petróleo global, elevando os preços do combustível em diversos países. Continuava também com ataques frequentes contra Israel, atingindo cidades como Tel Aviv e Haifa, e mirando bases americanas no Oriente Médio.

O ultimato de Trump não era o primeiro. Em 21 de março, ele havia ameaçado "obliterar" usinas caso o Irã não reabrisse o Estreito em 48 horas. Dois dias depois, concedeu mais cinco dias e falou em negociações "muito boas e produtivas". Em 26 de março, ampliou novamente o prazo até 6 de abril. Na segunda-feira anterior ao ultimato final, durante uma coletiva de imprensa, Trump afirmou que os EUA poderiam tomar "o Irã inteiro em apenas uma noite" e exigiu um acordo "aceitável". Segundo ele, após o fim do prazo, todas as pontes iranianas estariam "dizimadas" e as usinas de energia, "demolidas" em poucas horas.

As negociações, porém, permaneciam travadas. Na segunda-feira, Irã e Estados Unidos rejeitaram um plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão que previa uma pausa nos ataques para permitir a reabertura do Estreito e novas rodadas de negociação. O Irã preferia negociar o fim definitivo da guerra, não uma pausa temporária, e apresentou uma contraproposta que Trump elogiou mas considerou insuficiente. O impasse aumentava os temores de uma escalada com impactos globais.

Um ataque dos EUA a usinas iranianas poderia interromper o fornecimento de energia para milhões de pessoas e provocar um colapso elétrico e econômico. Havia também temores de que ataques a instalações nucleares causassem um acidente radiológico grave com impactos além das fronteiras do Irã. O governo iraniano indicou que poderia retaliar bombardeando usinas de energia de países vizinhos e refinarias de petróleo, pressionando ainda mais os preços globais. Teerã também afirmou que poderia atingir usinas de dessalinização no Golfo, colocando em risco o abastecimento de água para milhões de pessoas na região.

O governo iraniano acusou Trump de ameaçar cometer crimes de guerra. Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, escreveu que as declarações do presidente americano configuravam violações do direito internacional humanitário. Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio, explicou que os alvos mencionados por Trump — energia, pontes, infraestrutura civil — são protegidos pelo direito internacional humanitário. "Não há nada no direito internacional dos conflitos que permita que isso seja feito de maneira indiscriminada", afirmou. Porém, mesmo que um ataque fosse considerado crime de guerra, uma punição internacional seria improvável, já que os Estados Unidos não integram o Tribunal Penal Internacional e poderiam usar o poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para bloquear qualquer investigação.

A reação iraniana havia afetado a popularidade de Trump a poucos meses das eleições de meio de mandato que renovariam grande parte do Congresso americano. Diante de pressões políticas e econômicas, o presidente vinha elevando o tom das ameaças. O que começou como uma guerra regional havia se transformado em uma crise com potencial para afetar a economia global, com o preço do petróleo e a segurança alimentar e hídrica de milhões de pessoas penduradas no resultado de negociações que, até aquele momento, não avançavam.

Uma civilização inteira morrerá esta noite
— Donald Trump, em postagem no Truth Social
O presidente americano, como a mais alta autoridade de seu país, ameaçou publicamente cometer crimes de guerra
— Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã
Não há nada no direito internacional dos conflitos que permita que isso seja feito de maneira indiscriminada
— Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Trump continua adiando o ultimato se diz que já venceu a guerra?

Model

Porque vencer militarmente não é o mesmo que vencer politicamente. Ele destruiu capacidades iranianas, mas o Irã ainda controla o Estreito de Ormuz e consegue pressionar a economia global. Trump precisa de uma vitória que pareça completa — um acordo assinado, não apenas ruínas.

Inventor

E por que o Irã não cede? Está sendo bombardeado.

Model

Porque ceder agora significaria aceitar termos ditados sob ameaça. O Irã quer negociar o fim da guerra, não uma pausa. Além disso, mostrar resistência — mesmo que custosa — é uma questão de legitimidade interna. Render-se rapidamente seria politicamente fatal para o governo.

Inventor

Qual é o risco real de um acidente nuclear?

Model

Se os EUA atacarem instalações nucleares, mesmo que não sejam reatores, há risco de liberação de material radioativo. O Irã fica perto de países densamente povoados. Um acidente não respeita fronteiras — a radiação viaja.

Inventor

Trump pode ser punido internacionalmente por crimes de guerra?

Model

Tecnicamente, suas ameaças violam o direito humanitário. Mas na prática, não. Os EUA não estão no Tribunal Penal Internacional e podem bloquear qualquer ação na ONU. A lei internacional funciona quando as grandes potências aceitam ser julgadas. Aqui, não há essa disposição.

Inventor

O que acontece se o prazo passar e ele não atacar?

Model

Perde credibilidade. Já adiou o ultimato várias vezes. Se não cumprir novamente, as ameaças futuras valem menos. Se cumprir, entra em um ciclo de escalada que ninguém sabe como termina.

Inventor

Quem mais sofre com isso?

Model

Os iranianos comuns, se as usinas caírem. Os vizinhos, se o Irã retaliar. Os mercados globais, porque o petróleo fica mais caro. E politicamente, Trump, porque está preso a um conflito que prometeu ser rápido e que agora ameaça sua reeleição.

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