Trump diz que negocia com Irã, mas prefere "tomar o petróleo" do país

12 soldados americanos feridos em ataque a base aérea na Arábia Saudita; risco de escalação do conflito com potencial para mais baixas militares e civis.
Minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã
Trump declara sua preferência estratégica durante entrevista ao Financial Times sobre negociações com Teerã.

No limiar entre a diplomacia e a força, Donald Trump conduz uma crise que desafia as categorias tradicionais da política internacional: enquanto emissários negociam nos bastidores, o presidente americano fala abertamente em ocupar a ilha de Kharg e tomar o petróleo iraniano. O Oriente Médio responde com sangue e fogo — soldados feridos, mísseis disparados, preços de energia em disparada — enquanto o mundo aguarda saber se a lógica da negociação ou a da conquista prevalecerá. É uma tensão antiga, revestida de linguagem nova: o poder que ao mesmo tempo estende a mão e empunha a espada.

  • Trump declara preferência por 'tomar o petróleo' do Irã e menciona a ilha de Kharg como alvo de ocupação, mesmo enquanto afirma que negociações indiretas avançam.
  • O barril de Brent ultrapassou 116 dólares na Ásia, alta de mais de 50% em um mês, refletindo o temor de ruptura no fornecimento pelo estreito de Hormuz.
  • Doze soldados americanos foram feridos em ataque a uma base aérea na Arábia Saudita, e rebeldes houthis dispararam mísseis contra Israel, ampliando o front regional.
  • Os EUA enviaram dez mil soldados treinados para operações de ocupação territorial, com mais de 3.500 já na região, incluindo fuzileiros navais e tropas aerotransportadas.
  • Washington fixou 6 de abril como prazo para o Irã aceitar um acordo ou enfrentar novos ataques ao setor energético, enquanto a sorte do novo líder supremo iraniano permanece incerta.

Donald Trump concedeu entrevista ao Financial Times no domingo e descreveu as negociações indiretas com o Irã — conduzidas por emissários paquistaneses — como algo que vai "muito bem". Mas na mesma conversa, o presidente americano foi direto ao ponto: sua preferência pessoal seria simplesmente tomar o petróleo iraniano. Mencionou especificamente a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã no golfo Pérsico, como possível alvo de ocupação. "Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções", disse.

A retórica acompanha um reforço militar concreto. O Pentágono enviou dez mil soldados treinados para operações de ocupação territorial, com milhares já na região — incluindo fuzileiros navais e tropas da 82ª Divisão Aerotransportada. Especialistas alertam que um ataque direto à infraestrutura petrolífera iraniana elevaria significativamente o risco de baixas e os custos políticos e operacionais da guerra.

O conflito já deixou marcas regionais. Na sexta-feira, um ataque a uma base aérea na Arábia Saudita feriu doze soldados americanos e danificou uma aeronave de vigilância avaliada em cerca de 1,4 bilhão de reais. Rebeldes houthis no Iêmen dispararam mísseis contra Israel. O temor de interrupções no estreito de Hormuz — por onde passa um quinto do petróleo mundial — empurrou o barril de Brent a mais de 116 dólares, alta superior a 50% em apenas um mês.

Trump estabeleceu 6 de abril como prazo para que o Irã aceite um acordo ou enfrente novos ataques ao setor energético. Afirmou ainda que o Irã já teria passado por uma "mudança de regime" após a morte do aiatolá Khamenei, e sugeriu que o suposto novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, estaria morto ou gravemente ferido — alegação que Teerã nega. O que define este momento é uma contradição central: a Casa Branca negocia e ameaça ao mesmo tempo, deixando mercados e aliados sem saber qual lógica prevalecerá.

Donald Trump sentou-se com repórteres do Financial Times no domingo e descreveu as negociações indiretas com o Irã como algo que está "indo muito bem". Mas na mesma conversa, o presidente americano voltou a falar em termos que deixam pouca margem para interpretação: sua preferência seria simplesmente "tomar o petróleo" do país rival. A declaração ocorre enquanto a crise no Oriente Médio se intensifica, alimentada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, e enquanto os preços da energia disparam globalmente. Na manhã de segunda-feira, o barril de Brent ultrapassou os 116 dólares na Ásia, tendo subido mais de 50% em apenas um mês.

Durante a entrevista, Trump mencionou especificamente a ilha de Kharg, localizada no golfo Pérsico, como um possível alvo de ocupação americana. Kharg é o principal terminal de exportação de petróleo do Irã e representa uma estrutura econômica vital para Teerã. "Para ser honesto com você, minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã", disse o presidente. Quando perguntado sobre a possibilidade de assumir a ilha, respondeu: "Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções". Trump também afirmou que acredita que o Irã teria pouca ou nenhuma capacidade defensiva no local, sugerindo que uma operação americana seria relativamente simples. Reconheceu, porém, que manter o controle do terminal exigiria a presença contínua de tropas americanas na região.

Essas declarações acompanham um reforço militar significativo dos Estados Unidos no Oriente Médio. O Pentágono determinou o envio de dez mil soldados especialmente treinados para operações de ocupação territorial. Cerca de 3.500 militares já haviam chegado na sexta-feira anterior, incluindo aproximadamente 2.200 fuzileiros navais. Outros 2.200 marines estão a caminho, além de milhares de soldados da 82ª Divisão Aerotransportada. Especialistas, porém, alertam que um ataque direto à infraestrutura petrolífera iraniana elevaria significativamente o risco de baixas entre militares americanos e aumentaria o custo político, econômico e operacional da guerra.

O conflito ganhou novos contornos regionais nos últimos dias. Na sexta-feira, um ataque a uma base aérea na Arábia Saudita feriu doze soldados americanos e danificou uma aeronave de vigilância E-3 Sentry avaliada em cerca de 1,4 bilhão de reais. Rebeldes houthis no Iêmen dispararam mísseis contra Israel, um movimento que analistas acreditam poder aprofundar ainda mais a crise energética global. A tensão também se concentra no estreito de Hormuz, por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo. O temor de interrupções no tráfego marítimo ajuda a sustentar a alta das commodities energéticas.

Apesar da retórica agressiva, Trump afirmou que conversas indiretas entre Washington e Teerã, conduzidas por emissários paquistaneses, estão avançando. Segundo ele, o governo americano estabeleceu 6 de abril como prazo para que o Irã aceite um acordo que encerre a guerra ou enfrente novos ataques ao setor energético. Quando questionado sobre a possibilidade de um cessar-fogo nos próximos dias, Trump evitou detalhar as negociações, mas sugeriu que um entendimento poderia ser alcançado rapidamente. "Temos cerca de 3 mil alvos restantes. Bombardeamos 13 mil alvos e mais alguns milhares de alvos para atacar. Um acordo poderia ser feito rapidamente", declarou.

Na mesma entrevista, Trump afirmou que o Irã permitiu a passagem de navios-tanque paquistaneses pelo estreito de Hormuz como um "presente" à Casa Branca. Segundo ele, inicialmente dez embarcações haviam recebido autorização e esse número teria subido para vinte. A alegação, porém, não pôde ser verificada de imediato. Trump também afirmou que o Irã já teria passado por uma "mudança de regime" após a morte do aiatolá Ali Khamenei e de outros integrantes do alto escalão iraniano no início da guerra. Ele sugeriu que Mojtaba Khamenei, apontado como novo líder supremo, poderia estar morto ou gravemente ferido. "O filho está morto ou em condições extremamente ruins. Não tivemos notícias dele. Ele sumiu", afirmou. Teerã, por sua vez, sustenta que seu chefe de Estado está são e salvo, apesar da ausência pública que alimentou especulações recentes.

O que marca o atual estágio da crise é uma contradição fundamental: ao mesmo tempo em que a Casa Branca sinaliza avanço diplomático nas negociações com o Irã, o presidente americano mantém ameaças diretas contra ativos estratégicos do rival e fala abertamente em assumir o controle de sua produção de petróleo. Para o mercado e para os aliados dos EUA na região, essa combinação de negociações em curso, reforço militar e retórica agressiva amplia a incerteza sobre os próximos passos do conflito e sobre o impacto global no fornecimento de energia.

Para ser honesto com você, minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã
— Donald Trump, em entrevista ao Financial Times
Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções
— Donald Trump
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Trump falaria em tomar o petróleo enquanto negocia?

Model

Porque a negociação, para ele, não é separada da ameaça. A ameaça é parte da negociação. Ele está dizendo ao Irã: aceitem meus termos ou eu tomo o que vocês têm.

Inventor

E o Irã acredita que ele faria isso?

Model

O Irã tem que acreditar. Ele já enviou dez mil soldados. Já bombardeou treze mil alvos. Não é retórica vazia.

Inventor

Mas ocupar Kharg significaria guerra aberta, certo?

Model

Sim. Significaria soldados americanos em solo iraniano, defendendo um terminal de petróleo. Significaria baixas. Significaria que a guerra deixa de ser uma série de ataques e vira ocupação.

Inventor

Então por que ele menciona negociações?

Model

Porque se o Irã ceder antes de abril, ele não precisa ocupar nada. Ele ganha sem a guerra total. Mas se não cederem, ele tem a desculpa pronta.

Inventor

E o preço do petróleo? Ele não sobe mais se houver ocupação?

Model

Sobe muito mais. Mas talvez Trump acredite que, controlando Kharg, ele controla o preço. Que consegue estabilizar o mercado depois.

Inventor

Isso é arriscado.

Model

Extremamente. E é por isso que o mercado está nervoso. Ninguém sabe se ele vai fazer isso ou não.

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